Decepcionados, seguidores de Bolsonaro cobram golpe de Estado que não aconteceu

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Publicado terça-feira, 4 de maio de 2021 as 15:18, por: CdB

De acordo com o analista, o agrupamento radical costuma apresentar uma média de 3,1 no grau de cada “ator” no Twitter. Ou seja, cada usuário bolsonarista tem três conexões, em média: ele tuíta, comenta, é retuítado um vez, por exemplo. No sábado passado, esse índice foi muito maior, algo próximo de 12.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Um número cada vez maior de bolsonaristas tem deixado mensagens nas redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens nas quais não escondem a decepção com “o mito”. As manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 1° de Maio transmitiram “convites” a militares tomarem o poder, em um novo golpe de Estado; reivindicação pelo voto impresso e ataques à “ditadura do STF”.

O anticomunismo rasteiro caminha de braço dado com os ativistas mais refinados da ultra-direita
O anticomunismo rasteiro caminha de braço dado com os ativistas mais refinados da ultra-direita

Nestas últimas manifestações, o lema dos bolsonaristas foi “eu autorizo, presidente”. Tratava-se da resposta ao “chamado” de Bolsonaro, que em 14 de abril, disse que estava aguardando “o povo dar uma sinalização” para ele agir, uma vez que, continuou, “o Brasil está no limite”. Porém, apesar de alguns desses atos, como o da avenida Paulista, ter sido grande, eles não impressionaram o analista de redes sociais Pedro Barciela, que falou ao site de notícias Brasil de Fato (BdF), nesta terça-feira. Ele avalia que o “eu autorizo” não extrapolou expectativas .

— Não vimos a participação de outros agrupamentos, de outros perfis de usuários que não os próprios do bolsonarismo radical, regular. O que houve foi uma reaproximação de vários clusters  bolsonaristas que, em momentos anteriores, tratavam de outros temas — afirmou.

Sem surpresa

Em sua avaliação, nas últimas semanas o bolsonarismo se dividiu em grupos. Um deles ficava com o tema Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente), outro focava no tema da CPI da Covid e ataques ao relator Renan Calheiros, por exemplo.

— Mas no dia 1° tivemos uma centralização da pauta na questão do ‘eu autorizo’ a Bolsonaro. Ficaram bastante tempo nessa convocação. Claro, é um volume de pessoas até certo ponto consistente com o bolsonarismo, mas não me surpreendeu — acrescentou Barciela, apesar de reconhecer que chama a atenção o volume de interações constatado nas redes sociais.

De acordo com o analista, o agrupamento radical costuma apresentar uma média de 3,1 no grau de cada “ator” no Twitter. Ou seja, cada usuário bolsonarista tem três conexões, em média: ele tuíta, comenta, é retuítado um vez, por exemplo. No sábado passado, esse índice foi muito maior, algo próximo de 12. Todo bolsonarista teria tido 12 conexões/interações, um valor considerado muito alto para o agrupamento.

‘Tiozões do zap’

Para Barciela, se a organização dos atos pelo “eu autorizo” a Bolsonaro passou despercebida pelo campo progressista e até surpreendeu, o problema para os seguidores do presidente agora é o quão mobilizados vão conseguir permanecer depois do “eu autorizo”.

— Depois disso, se Bolsonaro não fizer nada, eles vão ter muita dificuldade de manter acesa a militância que voltaram a reagrupar no dia 1º — ressaltou.

As análises são mais difíceis quando se trata de WhatsApp e Telegram, que disseminam informações apócrifas de forma mais invisível e insidiosa, no interior das famílias, pelos chamados “tiozões e tiazonas do zap”. Mas registros de grandes grupos bolsonaristas do Telegram, nesta segunda-feira, revelam frustração.

— O bolsonarismo saiu às ruas no sábado baseado em uma premissa: ‘autorizar’ o presidente a ‘agir’ após o dog whistle de Bolsonaro há 2 semanas. O bolsonarismo entendeu que ‘autorizou’. Mas, dado que nada mudou, uma expectativa frustrada começa a aparecer nos grupos’ — afirmou, no Twitter, Guilherme Felitti, fundador do @novelodata, estúdio de data analytics especializado em análise de grandes volumes de dados.

Em suas redes sociais, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), constatou ainda no domingo: “O presidente pediu um ‘sinal’. Então os apoiadores restantes deram o tal sinal (‘eu autorizo’). E o que acontecerá amanhã? A especialidade de Bolsonaro: NADA. No máximo, algumas bravatas no “cercadinho”. Depois, o ócio de sempre. Trabalho? Chance zero”, conclui.

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