Decepções em série marcam início da campanha eleitoral à esquerda

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Publicado terça-feira, 15 de maio de 2018 as 16:59, por: CdB

Deserções pontuais e traições seletivas pontuam a largada do campo progressista na campanha eleitoral. A esquerda se divide entre o apoio a Ciro Gomes, da centro-direita, e o sonho de Lula livre e reeleito.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Traição, deserções, pessimismo e desapontamento. Estes sentimentos passaram a impulsionar, nas redes sociais, o ambiente de tensão que cresce desde a decisão de parcela do Partido dos Trabalhadores (PT) de prorrogar o momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passará a apoiar o nome de seu representante na corrida eleitoral. Dificilmente, o nome de Lula constará na cédula de votação, em face das derrotas no campo jurídico; junto aos tribunais superiores Eleitoral e de Justiça.

O ex-comunista Aldo Rebelo de Castro; em seu apartamento em bairro paulistano de alto luxo, significa uma decepção para a esquerda brasileira
O ex-comunista Aldo Rebelo de Castro: uma decepção para a esquerda brasileira

Embora os fatos apontem para a manutenção do aprisionamento e da cassação dos direitos eleitorais do líder absoluto nas consultas à opinião dos brasileiros; o PT lançará, nesta sexta-feira, a arrecadação de fundos para a campanha eleitoral de Lula. A perda de substância nas pesquisas eleitorais, embora não apareçam nas últimas edições da verificação popular, já podem ser percebidas no comportamento interno de amplos setores da esquerda brasileira.

Somados, todavia, os candidatos mais identificados com o ideário progressista, Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL) não significam mais do que 5% das intenções de votos. Eles têm demonstrado, portanto, em discursos e atos públicos que já desembarcaram do sonho petista de ver Lula livre e reeleito à Presidência da República.

Ciro Gomes

Boulos tem tentado, com o máximo esforço, demonstrar ao eleitorado de Lula mais identificado com as causas populares, que se trata de um nome confiável para a esquerda. Luta, no entanto, contra o histórico de seu pequeno partido; que começou com a ex-senadora Heloisa Helena.

Desconhecido do público, o psolista tem buscado desde então o apoio da mídia conservadora; para disseminar um discurso pontuado por jargões de fácil compreensão no campo socialista. O fato, em si, já mostra a bipolaridade política da tentativa; uma vez que os jornais ligados à extrema direita apoiam o golpe de Estado, em curso no país.

D’Ávila, por conseguinte, em recente pronunciamento, coloca-se ao lado do correligionário e governador do Maranhão, Flávio Dino. Este tornou-se, após uma série de entrevistas, na cabeça-de-ponte do pré-candidato Ciro Gomes (PDT) para a campanha junto aos eleitores progressistas.

“O mais importante da declaração do Flávio Dino é o chamado à razão, ao diálogo. Ele falou isso depois de uma semana na qual PT e Ciro se atacaram de forma desnecessária, digo isso fraternalmente. E diria mais: nossas diferenças são pequenas diante dos desafios do nosso país e de nosso campo.

Ex-comunista

“Estou aberta – e todos deveriam estar também – para a construção de uma saída que una o conjunto da esquerda. Eu e meu partido pensamos no Brasil em primeiro lugar, a luta pela unidade popular é a marca da nossa história de 96 anos. Eu estou me esforçando muito nesse sentido. Se não der certo, podem ter certeza, não terá sido por falta de iniciativa e boa vontade de nossa parte”, escreveu D’Ávila, em uma rede social.

Mas a principal decepção, no entanto, fica reservada ao ex-ministro da máxima confiança de Lula, a ponto de ser nomeado para a pasta da Defesa, uma das mais sensíveis no trato com os quartéis. Após quatro décadas no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do comando de outros três ministérios nos governos do PT; o ex-deputado Aldo Rebelo é, hoje, um alto representante do discurso neoliberal.

Aos 62 anos, o jornalista alagoano cumpre no Solidariedade (SDD) – sigla presidida pelo sindicalista e deputado federal Paulinho da Força, identificado com a extrema direita fascista; a missão de disputar a Presidência sob o ideário do capitalismo.

Agronegócio

Em entrevista à agência britânica de notícias (BBC, na sigla em inglês); Rebelo apresenta-se como integrante da elite. Em seu apartamento nos Jardins; bairro nobre de São Paulo, insere-se no imóvel decorado com gosto duvidoso; entre cristais e paisagens equestres.

Na sala de jantar, descreve a BBC; um aparador exibe o troféu que recebeu de uma casa de leilões de cavalos do interior de São Paulo. Trata-se do agradecimento “pelas ações em prol do agronegócio”. Ele se aproximou do setor ao articular a aprovação do Código Florestal. Naquele momento, foi elogiado por latifundiários e industriais; muitos deles citados nas listas sujas do trabalho escravo.

— Na ciência política brasileira, a política desafia a ciência. Costumamos dizer que os comunistas governam quatro lugares do mundo: Cuba, China; Coreia do Norte e o Maranhão. Sendo que lá se aliaram ao PSDB e derrotaram o PT — observou.

Mesmo dentro do PT, uma corrente liderada por Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, e governador mineiro Fernando Damata Pimentel; tenta abrir um canal de diálogo com o pedetista Ciro Gomes. Ainda que, momentaneamente, rechaçados pelas correntes majoritárias da legenda, aumentaram a tensão entre os quadros leais à estratégia de Lula. Ele busca adiar, ao máximo, sua presença entre os prováveis candidatos ao Palácio do Planalto.

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