Degas, em exposição em Londres, era um perfeccionista compulsivo

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Publicado terça-feira, 9 de novembro de 2004 as 22:47, por: CdB

O pintor Edgar Degas, que ficou mundialmente famoso após sua morte, em 1917, devido aos seus quadros de bailarinas, era um perfeccionista que modificava seus trabalhos continuamente — mesmo depois de tê-los vendido.

Não apenas ele retrabalhava suas pinturas em seu estúdio, em alguns casos ao longo de várias décadas, como, frequentemente, pedia seus quadros de volta, depois de vendidos, para acrescentar novos retoques.

A National Gallery britânica acaba de inaugurar uma exposição para mostrar a técnica do grande impressionista francês.

A galeria, que reuniu alguns dos trabalhos mais marcantes de Degas, está expondo as obras ao lado dos estudos que ele esboçou para as telas, sem falar em raios X mostrando como ele mexeu com os quadros.

– Enquanto o trabalho permanecesse em seu estúdio, ele não o considerava terminado – disse à Reuters o co-curador da exposição, Christopher Riopelle.

– Degas se tornou o flagelo de seus amigos. Ele tinha o hábito de ir jantar com um deles, ver um trabalho seu na casa, declarar que não estava inteiramente satisfeito com a tela e pedi-la de volta para lhe dar retoques.

Muitas vezes o quadro levava anos para voltar. Frustrados, seus amigos começaram a acorrentar as telas a suas paredes para impedir Degas de levá-las de volta.

Filho de um banqueiro abastado, Degas era tão possessivo em relação a suas obras que seu estúdio era fechado para o mundo externo.

Quando morreu, aos 83 anos, ele era desconhecido do grande público, mas já era enormemente respeitado por seus pares no mundo das artes.

– Ao final de sua vida, ele já era provavelmente o pintor mais famoso do mundo entre os artistas. Seu espírito inovador, afeito às experiências, inspirou outros a seguir seu exemplo – disse Riopelle.

A exposição começa com uma das últimas obras de Degas, pintada em 1896, quando ele já estava começando a ficar cego.

O Penteado (La Coiffure) é uma tela criada quase inteiramente em tons de vermelho vivo. Foi uma novidade total na época.

Mas a exposição é dominada por dois trabalhos seminais — Jovens Espartanos se Exercitando e Senhorita La La no Circo Fernando, emprestadas pelo Museu Getty, de Los Angeles.

Descoberto pelo público apenas após sua morte, Degas deixou um legado de 2.000 telas a óleo e pastel e 150 esculturas, técnica esta à qual recorreu cada vez mais a partir do momento em que sua vista começou a fraquejar.

A exposição poderá ser vista até o próximo 30 de janeiro.