Denúncia de corrupção contra Bolsonaro encaminhada à Procuradoria-Geral da República

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Publicado quinta-feira, 10 de junho de 2021 as 16:26, por: CdB

As empresas são citadas nominalmente pelo presidente em telefonema ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Na ligação, Bolsonaro pede que as exportações de insumos para a produção de cloroquina sejam aceleradas.

Por Redação – de Brasília

Um dos integrantes mais efetivos da CPI da Covid, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) anunciou, nesta quinta-feira, que levará uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O mandatário neofascista é acusado de corrupção, por tráfico de influência em benefício dos laboratórios EMS e Apsen.

Bolsonaro mostra a cloroquina para seus apoiadores em Brasília: remédio ineficaz contra a covid-19 teve recursos públicos para ser produzido

As empresas são citadas nominalmente pelo presidente em telefonema ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Na ligação, Bolsonaro pede que as exportações de insumos para a produção de cloroquina sejam aceleradas.

“Denunciamos Bolsonaro agora na PGR. O Globo apresentou provas graves de que Bolsonaro agiu com tráfico de influência para favorecer empresas, enganar o Brasil com a cloroquina, ignorar a vacina e promover imunidade de rebanho, com contaminação dos brasileiros ao vírus”, disse Carvalho, escreveu o senador, em uma rede social.

Hidroxicloroquina

 Um telegrama sigiloso do Ministério das Relações Exteriores obtido pela CPI e vazado a um diário conservador carioca contém a transcrição da conversa de Bolsonaro com Modi, em abril do ano passado, solicitando a liberação dos insumos.

De acordo com a correspondência, Bolsonaro fez um “apelo humanitário” pela liberação de encomendas de sulfato de hidroxicloroquina “feitas por empresas brasileiras”. Ele cita supostos “resultados animadores” no uso da medicação para tratamento de pacientes com a covid-19.

“Esse carregamento inicial de 530 quilos é parte de uma encomenda maior, e foi comprado pela EMS”, afirmou o presidente. “Adianto haver, também, mais carregamentos destinados a uma outra empresa brasileira, a Apsen”. Além disso, ele afirmou que a chegada desses insumos poderia “salvar muitas vidas no Brasil”, acrescentou.

Vacinas

Naquele momento, ainda se discutia a utilização da hidroxicloroquina no combate à covid-19, mas os indícios dos testes realizados já contestavam a sua eficácia. Contudo, no mês seguinte, em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS), havia suspendido os testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina, por conta dos efeitos colaterais graves registrados nos pacientes. No entanto, ainda que houvesse efeitos comprovados contra a doença, é vedado ao presidente atuar em favor de interesses privados específicos.

Uma série de telegramas sigilosos do Itamaraty, também vazados à mídia, revelam que o governo de Bolsonaro recusou oferta de 86 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. O montante foi sugerido pelo consórcio Covax Facility ainda no primeiro semestre de 2020, e seria suficiente para vacinar 20% da população brasileira. Em vez disso, depois de longas negociações, o governo brasileiro optou por adquirir apenas 43 milhões de doses, recusando igual quantidade.

As informações constam na correspondência diplomática entre o Ministério das Relações Exteriores e a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, chefe da missão brasileira em Genebra, na Suíça.

Iniciativa

Nessa correspondência, o Itamaraty reconhece as vantagens de integrar a Covax Facility, esforço coordenado pela Gavi Alliance. Ao participar da aliança, o Brasil teria “acesso a futuras vacinas contra a covid-19 a preços inferior aos do mercado”, por exemplo. Além disso, o mecanismo de compra coletiva serviria para “compartilhar riscos” entre maior número de países.

Apesar desses benefícios, o governo brasileiro optou  por “ganhar tempo” ao arrastar o processo de inclusão no consórcio, revelam os telegramas. O país já havia chegado atrasado, pois não participou da primeira reunião da Covax Facility, ocorrida em abril do ano passado. A atitude não foi bem recebida pelo grupo. Meses depois, em julho de 2020, o ministério manifestou interesse em participar da iniciativa.

Nesse momento foi apresentada a oferta de 83 milhões de doses. Mas houve recuo do governo, quando tomou conhecimento das vacinas que fariam parte da iniciativa naquele momento. Eram nove imunizantes em desenvolvimento. A lista incluía as da Universidade de Oxford-AstraZeneca, a Clover BioPharmaceuticals, do Instituto Pasteur, da Universidade de Hong Kong, a Novavax, a da Universidade de Queensland, a da Moderna, da Inovio Pharmaceuticals e a CureVac.

“Em análise preliminar, o Ministério da Saúde indicou que as vacinas contempladas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento, razão pela qual haveria ainda bastante incerteza quanto a seus resultados finais”, explica o telegrama. Ao final, o governo brasileiro optou por adquirir apenas a metade do total de imunizantes ofertados pela farmacêutica.

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