Denúncia contra dom Orani Tempesta é seguida de perto no Vaticano

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Publicado quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019 as 13:25, por: CdB

 O cardeal Tempesta foi citado por Cabral; além de um outro padre, identificado apenas como dom Paulo, por supostamente participar de transações ilícitas.

 

Por Redação, com correspondente – do Rio de Janeiro e Roma

 

A denúncia formulada no novo depoimento do ex-governador Sérgio Cabral ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, de que integrantes da cúpula da Igreja Católica do Rio de Janeiro teriam recebido propina, em um esquema criminoso de desvio de recursos públicos, foi recebida com cautela no Vaticano, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil junto a fonte ligada à Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma. Principal suspeito de liderar a rede criminosa denunciada por Cabral, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, tem uma longa história de apoio aos políticos ligados às forças reacionárias, na Cidade.

— Vamos observar, de perto, o andamento dessas investigações — disse a fonte, em caráter sigiloso.

Dom Orani Tempesta é citado por Sérgio Cabral em depoimento sobre esquema de propina no Estado do Rio
Dom Orani Tempesta é citado por Sérgio Cabral em depoimento sobre esquema de propina no Estado do Rio

O cardeal Tempesta foi citado por Cabral; além de um outro padre, identificado apenas como dom Paulo, por supostamente participar de transações ilícitas. As propinas teriam a ver, segundo o ex-governador, com a organização social (OS) Pró-Saúde, que administra hospitais no Rio de Janeiro e em outros Estados brasileiros. Em ao menos seis Estados, onde também administra hospitais públicos, há processos contra a Pró-Saúde: Paraná, São Paulo, Tocantins, Pará, Goiás e Espírito Santo.

A Associação é investigada, ainda, pelo Ministério Público por má-gestão, falta de prestação de contas do que arrecada e investe, desvio de medicamentos, superfaturamento de serviços e por descumprir contratos de gestão, firmados com governos estaduais e municipais.

Processos

A Pró-Saúde responde ainda a 2 mil protestos que somam cerca de R$ 20 milhões em dívidas. A lista de ações judiciais inclui reclamações trabalhistas por contratações irregulares, atraso nos salários e falta de pagamento de horas extras dos médicos e servidores da saúde. Pesa, agora, contra a organização, o depoimento expontâneo de Cabral, na Operação Fatura Exposta, que investigou pagamentos de propinas do setor de saúde a agentes públicos.

— Eu não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a OS da Igreja Católica, da Pró-Saúde. Eu não tenho dúvida. O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida — disse Cabral a Bretas, que em breve determinará as sentenças aos envolvidos.

Defesa

Em nota, a Igreja Católica limitou-se a responder que, “sobre o depoimento do ex-governador, podemos afirmar que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.

A organização social Pró-Saúde, também em nota divulgada, na véspera, afirmou que colabora com a investigação:

“A Pró-Saúde tem colaborado com as investigações e, em virtude do sigilo do processo, não se manifestará sobre os fatos. A entidade filantrópica reafirma neste momento o seu compromisso com ações de fortalecimento de sua integridade institucional, bem como com a prestação de um importante serviço à saúde do Brasil”.

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