Depoimento de negacionista abre semana decisiva da CPI

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Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 as 15:08, por: CdB

Nesta quarta-feira, a CPI entraria na terceira fase, com a oitiva do sócio da Precisa Medicamentos Francisco Emerson Maximiano, mas ele informou aos senadores que passou a cumprir um período de quarentena por ter sido diagnosticado com a covid-19.

Por Redação, com RBA – de Brasília

Primeiro desta semana a ser ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) reafirmou os conceitos negacionistas que municiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na aliança com o coronavírus que matou, até agora, mais de 500 mil brasileiros. Terra, que foi ministro da Saúde no governo do presidente de facto Michel Temer, admitiu que errou em todas as suas previsões sobre a pandemia.

O deputado Osmar Terra (MDB-RS) voltou a fazer a defesa dos argumentos negacionistas, junto à CPI da Covid

Nesta quarta-feira, será o momento de a CPI ouvir o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos. A empresa intermediou a compra da vacina indiana Covaxin por US$ 15 a dose, 1.000% mais cara do que o valor informado seis meses antes.

Nesse ritmo, a Comissão entra esta semana na terceira fase. Depois de investigar o negacionismo do governo Bolsonaro e o “gabinete paralelo” (ou gabinete das sombras), a comissão vai se aprofundar no “caminho do dinheiro”. Assim, a investigação vai se concentrar nos lucros supostamente auferidos por fabricantes de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina. E até de empresas produtoras de vacinas.

Corrupção

Os parlamentares seguem o roteiro traçado há quinze dias, quando o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) adiantou que a comissão investigava a existência de um “esquema de pessoas ligadas a Bolsonaro e vultosas quantias de dinheiro para a defesa da cloroquina”.

— A negativa da vacina foi motivada por dinheiro, por corrupção — afirmou o senador.

A semana começou também com uma derrota do ex-chanceler Ernesto Araújo, no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes rejeitou, na véspera, o pedido do ex-ministro e manteve a quebra de seus sigilos telemático e telefônico determinada pela CPI.  O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou para o próximo dia 30 (quarta-feira da semana que vem) o depoimento do empresário Carlos Wizard, cuja condução coercitiva foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, na sexta-feira.

Aziz estava disposto a acionar a Polícia Internacional (Interpol) para localizar o empresário.

“Depois de dois meses de ser pública e notória a convocação da CPI ao senhor Carlos Wizard, ele agora diz que virá. Não custa nada, ainda assim, notificar a Interpol para deixar tudo formalizado”, escreveu nesta manhã o senador Renan Calheiros, relator da CPI, em uma rede social.

Covaxin

O negacionismo do governo, segundo integrantes do colegiado, foi comprovado como uma política deliberada e não como mera tese, mas com objetivos financeiros. Em seu depoimento à CPI, Terra chamou de “ficção” a existência do “gabinete das sombras”, integrado por conselheiros do presidente.

A existência do grupo foi confirmada concretamente com a divulgação de vídeo distribuído, nas redes sociais, no início do mês. A gravação vazada mostra a oncologista Nise Yamaguchi afirmar ser “uma honra trabalhar com o senhor neste período”, referindo-se ao deputado. As mensagens de Terra que negavam a gravidade da pandemia foram disseminadas aos milhares por WhatsApp e Telegram desde o ano passado. No vídeo, um participante da reunião gravada dirigia-se a Osmar Terra como “padrinho”.

Nesta quarta-feira, a CPI entraria na terceira fase, com a oitiva do sócio da Precisa Medicamentos Francisco Emerson Maximiano, mas ele informou aos senadores que passou a cumprir um período de quarentena por ter sido diagnosticado com a covid-19. Assim, a comissão precisará aguardar para esclarecer parte do inquérito em curso no Ministério Público Federal que mostraria a Precisa como “intermediária” na compra da vacina indiana Covaxin antes da aprovação pela Anvisa.

Supremacista

A CPI já aprovou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário de Maximiano. Os senadores afirmam que o governo Bolsonaro mostrou empenho para comprar o imunizante, enquanto boicotou a Pfizer e a CoronaVac sistematicamente.

O contrato negociado pela Covaxin teria o valor de R$ 1,6 bilhão, com o preço de US$ 15 por dose. De acordo com reportagem do Estadão, telegrama localizado na embaixada brasileira na Índia, datado de agosto, sugeria o valor de US$ 1,34 por dose do imunizante da Bharat Biotech. Ou seja, o valor da compra, seis meses depois, ficou pouco mais de 1.000%, ou 11 vezes mais caro.

Na quinta-feira, se não houver outros empecilhos, os senadores recebem Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República, mais conhecido por fazer um gesto supremacista branco dos Estados Unidos no Senado. Na sexta-feira, serão ouvidos Pedro Hallal, epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas, e Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional.

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