Depoimento de Tacla Duran atinge Moro e o processo da Lava Jato contra Lula

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Publicado quinta-feira, 4 de junho de 2020 as 14:46, por: CdB

Tacla Duran havia acusado o advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal do então juiz Sergio Moro, de ter recebido US$ 5 milhões para ajudá-lo a obter vantagens no acordo de delação.

Por Redação – de Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR), ao retomar as negociações de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran, coloca em perspectiva a anulação do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atinge, em cheio, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Arquivado em 2018, o depoimento envolve denúncias contra o então juiz responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, e ilegalidades cometidas na investigação.

O advogado Tacla Duran permanece na Espanha, país que não concedeu a extradição pedida pelo governo brasileiro
O advogado Tacla Duran permanece na Espanha, país que não concedeu a extradição pedida pelo governo brasileiro

Tacla Duran havia acusado o advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal do então juiz Sergio Moro, de ter recebido US$ 5 milhões para ajudá-lo a obter vantagens no acordo de delação. O professor de Direito Marcelo Uchôa, da Universidade Federal de Fortaleza, lembra que Moro foi um dos contrários à delação de Duran, na época. Entretanto, o especialista acredita que o desarquivamento é uma ação política da PGR, em acordo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“A Lava Jato era uma fábrica de dinheiro para algumas pessoas. E uma fábrica de malfeitos para toda a sociedade. O Moro sempre foi a favor da delação, mas a que pode desmascará-lo como homem ético, ele não quer. A PGR faz isso, agora, com o objetivo de minar o Moro, comprando a briga do presidente da República. A manifestação do Tacla Duran é para mostrar que a Lava Jato está coberta de atos políticos e ilícitos”, afirma Marcelo Uchôa, à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Lava Jato

A cúpula da PGR já recebeu documentos e perícias do advogado Rodrigo Tacla Duran no pré-acordo de delação premiada que envolve a atuação de um dos melhores amigos de Sergio Moro na Lava Jato. Em 2017, Duran já havia dito ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP) que fez pagamentos ao amigo de Moro, em troca de benefícios no processo.

Os procuradores estão impressionados com o fato de Duran ter conseguido vitórias importantes nos EUA e na Espanha em relação à Lava Jato, segundo a colunista da FSP Mônica Bergamo. O fato de os dois países terem sistemas jurídicos sólidos reforça a credibilidade de Duran. Preocupado com a reabertura do caso, Moro reage dizendo que Duran é um criminoso sem credibilidade.

Diante dos fatos, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou, em suas redes sociais, que iria pedir, ainda nesta quinta-feira uma pedido de desarquivamento das denúncias do advogado Tacla Duran, inclusive contra o procurador da República, Deltan Dallagnol. 

Pimenta relatou foi a Madrid, em outubro de 2017, com o ex-deputado Wadih Damous e conversou com Tacla Duran. “Reunimos toda documentação e fizemos uma representação na @MPF_PGR que foi arquivada sem investigação”. 

Ele explicou que “as denúncias envolvem não só a indústria das delações mas também uma série de outros ilegalidades cometidas por Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os Golden Boys”, referindo-se aos demais procuradores da operação.

Democracia

Durante a entrevista à RBA, o professor de Direito também comentou a possível criminalização de manifestantes antifascistas, na qual o presidente Bolsonaro classificou como “terroristas”. Uchôa critica o presidente da República e afirma que os verdadeiros criminosos são aqueles que levantam bandeiras antidemocráticas.

— Marginal não é quem convocou comboios à Brasília para destituir os poderes? Quem ameaça ministro não é marginal, né? Os antifascistas têm o direito de ir à rua e são a última trincheira contra o autoritarismo e o racismo — pontuou.

O especialista em Direito refuta a ideia do presidente e seus apoiadores sobre recorrer ao artigo 142 da Constituição para tentar justificar a ideia de que existe possibilidade constitucional de intervenção militar.

— Não faz sentido uma Constituição, que retomou a democracia, estabelecer o empoderamento das Forças Armadas. O artigo diz que os militares servem aos Três Poderes e só. Esse argumento é levantado para tentar justificar o absurdo, é ridículo. Quem é jurista e usa esse argumento tem que assumir que é golpista, porque não há legalidade nisso — concluiu.

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