Depoimentos atestam, até agora, denúncias de Moro contra Bolsonaro

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Publicado quinta-feira, 14 de maio de 2020 as 16:03, por: CdB

Segundo o ex-ministro, o presidente queria trocar o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, desde o ano passado, o que é confirmado por todos os depoentes, sendo que sete deles acrescentaram o desejo de o presidente alterar o comando da Superintendência do Rio de Janeiro.

Por Redação – de Brasília

O inquérito que apura a possível interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em investigações da Polícia Federal (PF) que atingem seus filhos tem se aproximado, perigosamente, da comprovação de que o ex-ministro Sérgio Moro, autor das denúncias, terá sua narrativa provada, juridicamente. Todos os oito depoimentos prestados, nesta primeira fase do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) confirmam a versão de Moro.

O delegado Maurício Valeixo foi um dos depoentes que sustentaram as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro contra o presidente Bolsonaro
O delegado Maurício Valeixo foi um dos depoentes que sustentaram as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro contra o presidente Bolsonaro

Segundo o ex-ministro, o presidente queria trocar o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, desde o ano passado, o que é confirmado por todos os depoentes, sendo que sete deles acrescentaram o desejo de o presidente alterar o comando da Superintendência do Rio de Janeiro. Até agora, no entanto, segundo investigadores ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, em condição de anonimato, não está caracterizado o crime de responsabilidade de Bolsonaro.

Investigação

Os depoimentos tomados até agora, dizem os policiais federais, são importantes para formar um quadro sobre a possível ingerência do chefe de Estado na PF. Na próxima fase, o inquérito avançará sobre possíveis áreas de atrito entre os familiares de Bolsonaro, em investigações nas quais a PF poderia ter alguma ingerência.

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) foi citado como um desses elos, citado no depoimento do ex-superintendente da PF no Rio, Carlos Henrique Oliveira. Nesse caso, a PF pediu arquivamento do inquérito em março, após liberar o primogênito do presidente da quebra de sigilo bancário e telemático, durante a investigação. O caso, no entanto, permanece aberto no Ministério Público Federal (MPF) do Estado do Rio.

Inquéritos

Carlos Henrique foi retirado do comando da superintendência da PF no início deste mês e substituído por Tácio Muzzi. O cargo, no entanto, fora destinado, há meses, ao delegado Alexandre Saraiva, atual superintendente da PF no Amazonas. Ele também prestou depoimento, na véspera, e confirmou a sondagem, no início do segundo semestre de 2019, para o posto, no Rio de Janeiro.

O contato ocorreu, segundo afirmou em juízo, com o diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin), Alexandre Ramagem. Trata-se do mesmo delegado que Bolsonaro tentou nomear na diretoria-geral da PF, e que teve o nome barrado no STF.

Ainda na lista de interesses do presidente nos inquéritos da PF, o caso da suposta facada da qual teria sido alvo, durante a campanha presidencial em Juiz de Fora (MG), um segundo inquérito aberto para apurar os fatos concluiu que o ataque, em 2018, não qualquer mandanta. De acordo com o delegado Rodrigo Morais, que presidiu o inquérito, Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho e não contou com ajuda de terceiros para planejar e executar a ação criminosa.

Teorias

“O que a investigação comprovou foi que o perpetrador, de modo inédito, atentou contra a vida de um então candidato à Presidência da República, com o claro propósito de tirar-lhe a vida”, afirmou o delegado no inquérito, cuja íntegra foi vazada para a mídia conservadora.

As investigações da PF concluem, ainda, que não foi comprovada a participação de pessoas, grupos partidários, facções criminosas ou grupos terroristas nas fases de planejamento e execução do suposto atentado. Os investigadores analisaram o material apreendido de Adélio Bispo, incluindo celulares, um computador e documentos, além de terem sido realizadas as quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.

A investigação ainda chegou a apurar teorias e vídeos disseminados nas redes sociais sobre suposta ajuda que Adélio teria recebido no crime, sem que qualquer relevância tenha sido encontrada. E não conseguiu acesso às fontes pagadoras dos advogados que atuam em favor de Adélio Bispo.

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