Depois de ‘soco na mesa’, Bolsonaro agora fala em ‘chutar o pau da barraca’

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Publicado quarta-feira, 17 de junho de 2020 as 12:46, por: CdB

Ao ouvir uma apoiadora que fazia parte do grupo de extrema-direita 300 pelo Brasil afirmar que seria presa, Bolsonaro se irritou com o que considerou conselhos da seguidora e disse saber o que está fazendo.

Por Redação – de Brasília

Nem 24 horas depois de falar em dar “soco na mesa”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elevou o tom, nesta quarta-feira, e já ameaça “chutar o pau da barraca”. Em conversa com seguidores, nesta manhã, o mandatário neofascista afirmou que há abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) e que “está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar”.

À saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a subir o tom e ofender os repórteres
À saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a subir o tom contra ministros do STF

Ao ouvir uma apoiadora que fazia parte do grupo de extrema-direita 300 pelo Brasil afirmar que seria presa, Bolsonaro se irritou com o que considerou conselhos da mulher e disse saber o que está fazendo.

— Estou fazendo exatamente o que tem que ser feito. Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, isso está a olhos vistos. O ocorrido (na véspera), quebrar sigilo de parlamentar, não tem história vista numa democracia por mais frágil que seja. Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar — tornou a ameaçar.

Intervenção

Além da operação de busca e a apreensão da Polícia Federal que envolveu 21 aliados bolsonaristas, incluindo o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático (de comunicações) de 11 deputados federais.

Não apenas Daniel Silveira, mas as deputadas Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP), também muito próximas a Bolsonaro, constam na lista. As investigações apuram o financiamento de manifestações de cunho antidemocrático que pedem uma intervenção militar no Brasil e o fechamento do Supremo e do Congresso Nacional.

Bolsonaro disse ainda que terrorismo é “meter carro-bomba em guarita do Exército”, e não “isso que alguns estão achando por aí”. O presidente disse ainda que “vai chegar a hora”, sem, no entanto, dizer ao que estava se referindo.

— Em 1970, eu já estava na luta armada e conheço tudo o que está acontecendo no Brasil. Você está falando respeitosamente comigo, sei disso. Mas tem gente que nasceu 40 anos depois do que eu vivi e quer dizer como devo governar o Brasil. Eu estou fazendo exatamente o que tem que ser feito — continuou.

Tuítes

Na noite passada, em uma sequência de tuítes, o presidente afirmou que tomaria “medidas legais” para “proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros”. Nesta manhã, manteve o tom desafiador contra os demais Poderes da República.

— Não devo nada a ninguém do que estou fazendo. Está chegando a hora de acertarmos o Brasil no rumo da prosperidade e todos entenderem o que é democracia. Democracia não é o que eu quero, nem você, nem o que um Poder quer, o que outro Poder quer — acrescentou.

Um dia antes, em rede social, Bolsonaro afirmou em redes sociais que não pode “assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”. Ele afirmou ter presenciado abusos nas últimas semanas.

Segundo o mandatário de ultradireita, o histórico do governo prova que sempre esteve “ao lado da democracia e da Constituição brasileira”, embora haja contradições no que ele diz. Na véspera, a Polícia Federal realizou operação contra aliados do presidente, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Leia, adiante, o que escreveu Bolsonaro, no Twitter:

• O histórico do meu governo prova que sempre estivemos ao lado da democracia e da Constituição brasileira. Não houve, até agora, nenhuma medida que demonstre qualquer tipo de apreço nosso ao autoritarismo, muito pelo contrário.

• Em janeiro 2019, após vencermos nas urnas e colocarmos um fim ao ciclo PT-PSDB, iniciamos uma escalada do Brasil rumo à liberdade, trabalhando por reformas necessárias, adotando uma economia de mercado, ampliando o direito de defesa dos cidadãos.

• Reduzimos também todos índices de criminalidade, eliminamos burocracias, nos distanciamos de ditaduras comunistas e firmamos alianças com países livres e democráticos. Tiramos o Estado das costas de quem produz e sempre nos posicionamos contra quaisquer violações de liberdades.

• O que adversários apontam como “autoritarismo” do governo e de seus apoiadores não passam de posicionamentos alinhados aos valores do nosso povo, que é, em sua grande maioria, conservador. A tentativa de excluir esse pensamento do debate público é que, de fato, é autoritária.

Oposição

• Vale lembrar que, há décadas, o conservadorismo foi abolido de nossa política, e as pessoas que se identificam com esses valores viviam sob governos socialistas que entregaram o país à violência e à corrupção, feriram nossa democracia e destruíram nossa identidade nacional.

• Suportamos a todos esses abusos sem desrespeitar nenhuma regra democrática, até mesmo quando um militante de esquerda, ex-membro de um partido da oposição, tentou me assassinar para impedir nossa vitória nas eleições, num atentado que foi assistido pelo mundo inteiro.

• Do mesmo modo, os abusos presenciados por todos nas últimas semanas foram recebidos pelo governo com a mesma cautela de sempre, cobrando, com o simples poder da palavra, o respeito e a harmonia entre os poderes. Essa tem sido nossa postura, mesmo diante de ataques concretos.

Medidas Legais

• Queremos, acima de tudo, preservar a nossa democracia. E fingir naturalidade diante de tudo que está acontecendo só contribuiria para a sua completa destruição. Nada é mais autoritário do que atentar contra a liberdade de seu próprio povo.

• Só pode haver democracia onde o povo é respeitado, onde os governados escolhem quem irá governá-los e onde as liberdades fundamentais são protegidas. É o povo que legitima as instituições, e não o contrário. Isso sim é democracia.

• Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros.

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