Depressão é fator a ser considerado, dizem economistas ao BC

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Publicado segunda-feira, 20 de abril de 2020 as 15:58, por: CdB

A pesquisa Focus do BC, divulgada nesta segunda-feira, mostrou também que, em meio às consequências das paralisações provocadas pelo coronavírus, a expectativa agora é de contração de 2,96% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, contra queda de 1,96% na pesquisa anterior.

Por Redação – de Brasília

Analistas de mercado ouvidos em pesquisa do Banco Central (BC) pioraram pela décima semana seguida a expectativa para a economia brasileira. A contração prevista agora chega a quase 3% este ano, ao mesmo tempo em que voltaram a reduzir a perspectiva para a taxa básica de juros.

O banco passará a conceder crédito imobiliário corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa de juros fixa
O Banco Central já avalia uma nova queda nos juros, diante da pior depressão econômica do país, em quase um século

A pesquisa Focus do BC, divulgada nesta segunda-feira, mostrou também que, em meio às consequências das paralisações provocadas pelo coronavírus, a expectativa agora é de contração de 2,96% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, contra queda de 1,96% na pesquisa anterior. Para 2021, entretanto, a projeção melhorou em 0,4 ponto percentual, para expansão de 3,10%.

O cenário para a indústria voltou a piorar, com os economistas consultados prevendo retração de 2,25% na produção em 2020, de queda de 1,42% na semana anterior. Para o ano que vem, a expectativa agora é de que a produção industrial deve crescer 2,90%, ante estimativa anterior de 2,95%.

Levantamento

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve terminar 2020 a 3%, uma queda de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento anterior, indo a 4,50% ao fim de 2021.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, vê a Selic ainda mais baixa, reduzindo sua projeção a 2,50% este ano, de 2,75% antes. A mediana das projeções aponta ainda que a taxa terminará 2021 a 3,88%, de 4% na pesquisa anterior.

A pesquisa flui na direção do que prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI), que reduziu na semana passada a perspectiva para a economia do Brasil em 2020 a uma contração de 5,3%, contra crescimento previsto antes de 2,2%. Willem Buiter, professor visitante na Columbia University e ex-membro do Banco da Inglaterra, afirmou que as autoridades monetárias precisam abandonar as preocupações sobre a taxa de câmbio, inflação e déficit, ou uma profunda recessão pode se tornar uma depressão.

— A situação é grave. Exige que o Banco Central use todas as suas ferramentas expansionistas para sustentar o estímulo fiscal que o governo está fornecendo. Eles (banqueiros centrais) deveriam liberar e comprar tanto títulos de curto quanto longo prazo…e estarem preparados para cobrir o déficit do governo este ano — conclui.