Deputado do ‘Centrão’, indicado pelo governo, é suspeito de desviar dinheiro público

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Publicado sexta-feira, 8 de maio de 2020 as 15:24, por: CdB

O contrato para execução dos serviços, iniciados em setembro de 2017, estava orçado em cerca de R$ 190 milhões. De acordo com as investigações, os desvios chegam a, aproximadamente, R$ 4,2 milhões.

Por Redação – de Brasília

O deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE) foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira, na segunda fase da Operação Outline, que investiga desvios de dinheiro em obras de requalificação da BR-101, na Região Metropolitana de Recife. O parlamentar foi responsável pela indicação a um cargo público, no âmbito do acordo político entre o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e as legendas do chamado ‘Centrão’.

O deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE) indicou nome suspeito para cargo público, em Pernambuco
O deputado federal Sebastião Oliveira (PL-PE) indicou nome suspeito para cargo público, em Pernambuco

O contrato para execução dos serviços, iniciados em setembro de 2017, estava orçado em cerca de R$ 190 milhões. De acordo com as investigações, os desvios chegam a, aproximadamente, R$ 4,2 milhões. O parlamentar era secretário de Transportes de Pernambuco na época investigada pela Polícia Federal. Dois ex-servidores do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco foram presos na operação.

Sequestro

O indicado por Oliveira é o novo diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Fernando Marcondes de Araujo Leão. A autarquia conta com orçamento de R$ 1 bilhão neste ano. A PF vasculhou três endereços do deputado, desde o seu imóvel funcional em Brasília às residências em Recife e em Gravatá, em Pernambuco.

Cerca de 40 policiais federais participam da operação nesta manhã, cumprindo ao todo nove mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ordens expedidas pela Justiça Federal de Pernambuco que também decretou sequestro de bens imóveis situados no Recife e em Gravatá.

Eleição

A PF apura os crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas, somadas, podem ultrapassar os 40 anos de reclusão. A autarquia, controlada pelo MDB, agora muda de mãos. O presidente Bolsonaro concordou que a indicação fosse feita pelo deputado Arthur Lira (AL), líder do Progressistas (antigo PP) e réu em processo por corrupção passiva.

Lira, por sua vez, repassou o apadrinhamento para o deputado Sebastião Oliveira (PL-PE), representante do baixo clero da Câmara. Ao terceirizar a escolha, ele desagradou a parlamentares do Progressistas, mas a estratégia faz parte dos planos para a construção de uma base de apoio na disputa pela presidência da Câmara, em fevereiro de 2021.