Derrotar o golpe é importante, mas vencer o ódio é fundamental

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Publicado segunda-feira, 3 de setembro de 2018 as 09:16, por: CdB

No Brasil pós golpe temos assistido frequentemente a perda de direitos da classe trabalhadora. Coisas óbvias, do tipo proibição de mulheres grávidas e lactantes de realizarem atividades de alta periculosidade, fazem parte do passado de acordo com a nova reforma trabalhista

Por Pedro Luiz Teixeira de Camargo – de Belo Horizonte

Poderíamos citar diversos outros exemplos, como prisão sem provas do candidato a presidente líder das pesquisas de intenção de voto ou a terceirização irrestrita de todas as atividades fins, entretanto, mais grave que todas estas aberrações que estamos vivendo, vale destacar o discurso de ódio.

No Brasil pós golpe temos assistido frequentemente a perda de direitos da classe trabalhadora

A ideia de intolerância, seja ela de raça, gênero ou orientação sexual, pareciam fazer parte de um passado distante, enterrado junto com os nazistas e fascistas na segunda grande guerra, entretanto, por mais absurdo que isso possa parecer, defender direitos óbvios se tornou uma das bandeiras a serem defendidas nas eleições, pasmem, de 2018.

O candidato do PSL, segundo colocado nas pesquisas para presidente, é a síntese caricata de um Mussolini tupiniquim. Com um jeito fanfarrão, Jair Bolsonaro, permeia o imaginário popular como uma espécie de “líder contra o sistema”. Obviamente, contra o sistema ele não tem nada, basta ler seu (mal escrito) plano de governo, inclusive muito similar ao do ditador chileno Augusto Pinochet, onde defende a privatização de praticamente todas as estatais, algo que nem mesmo o PSDB propõe. Seu programa de gestão registrado no TSE é comparável, em termos econômicos, ao de João Amoedo, do NOVO, o candidato dos grandes banqueiros, este sim abertamente neoliberal.

Através de declarações polêmicas, onde ataca as mulheres, negros, comunidade lgbt, quilombolas, chegando ao cúmulo de defender o uso de violência física contra homossexuais e exaltando torturadores como o Coronel Brilhante Ustra , Bolsonaro acena para o debate da moralidade, escondendo assim sua verdadeira face protofascista de novo tipo, pois se no comportamento se mostra conservador, economicamente se mostra ultraliberal, tendo como seu principal guru, Paulo Guedes, oriundo da Universidade de Chicago e defensor da economia de mercado made in USA.

Outro ponto

Outro ponto que merece ser observado do candidato é sua dificuldade extrema com assuntos relacionados a gerência pública. Nem parece que está na Câmara Federal desde 1991, completando quase 30 anos no parlamento. Chega a ser risível o seu baixo nível de compreensão quando questionado acerca de pautas que vão além de segurança pública e comportamento individual.

Mas, se este cidadão mostra-se totalmente despreparado para o exercício da função, por que ele tem tantos votos? Para isso, é preciso compreendermos o que significa e de onde vem Bolsonaro.

Seu eleitorado, em grande parte de fato preconceituoso e conservador, reflete o ódio a política, a raiva contra tudo que aí se apresenta e a revolta com a classe parlamentar brasileira. Sua origem é simples: da mídia, dos setores antinacionais do judiciário e do DEM-PSDB, que na ânsia de derrubar a presidenta Dilma de qualquer jeito, chocaram o “ovo da serpente”, liberando tudo de pior que existe, ideias e valores, que como disse no início desse texto, pareciam estar sepultadas.

Agora, com o perigo fascista à solta, muitos dos que contribuíram para seu sucesso, mostram-se preocupados. As recentes entrevistas desse postulante a presidente nos canais Globo (aberto e fechado) mostram isso. Na ânsia de tentar alavancar o clássico candidato da elite plutocrática, Geraldo Alckmin do PSDB, os jornalistas globais permitiram que Bolsonaro falasse diretamente de dentro de seus estúdios, ao vivo, não só fazendo campanha pela televisão, mas deixando os apresentadores em diversas saias justas, motivo de festa para os simpatizantes do Mussolini tupiniquim.

A última tentativa da plutocracia para alavancar os tucanos, será com o início da campanha de TV e rádio. Com mais tempo que todos os demais, Alckmin vai tentar buscar, em apenas um mês, a diferença que deixaram o candidato do PSL ter. Toda a máquina peessedebista será usada nisso, incluindo-se aí, evidentemente, também o judiciário e o PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Se Bolsonaro mete medo na elite por seu jeito abertamente preconceituoso e irresponsável, quem assusta mesmo é o espectro de Lula, maior líder popular da história do país e, mesmo preso injustamente, se consolida a cada dia como líder nas pesquisas de intenção de voto.

Evidentemente que nem os fãs de Bolsonaro, nem os emplumados tucanos, engolem Lula, o PT e a esquerda, ainda mais após quatro derrotas seguidas nas urnas. Mais do que buscarem impedir a candidatura do ex-presidente, vão fazer de tudo para impedir o uso, até mesmo de sua imagem, algo até pouco tempo atrás inimaginável! Nem mesmo a recente decisão da ONU acerca do direito de sua candidatura será respeitado! Uma verdadeira afronta a democracia!

Assim, podemos perceber, lembrando a história italiana (apoio da elite burguesa aos Camisas Pretas liderados por Mussolini por medo de uma revolução operária), que se notarem o risco de ascensão da esquerda, plutocracia e fascistoides irão se unir para combater qualquer um que venha defender um projeto de desenvolvimento nacional contrário aos seus interesses.

Portanto, a conclusão que podemos chegar, é que a única forma de se derrotar o discurso de ódio, é elegendo alguém que não só não compactue com essas ideias absurdas, mas que, principalmente, tenha chance de vencer o golpe, a ameaça fascista e o risco de embarcarmos numa ditadura de novo tipo, muito mais perversa que a de 1964.

A hora é essa, não podemos brincar com o perigo, afinal de contas, o fascismo não se debate, o fascismo se combate!

Até a próxima.

Pedro Luiz Teixeira de Camargo, é Biólogo, Especialista em Gestão Ambiental, Mestrando em Sustentabilidade pela UFOP/MG e Diretor de Universidades Públicas da ANPG.

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