Desabrigados de prédio que desabou em SP ficam na rua

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Publicado quarta-feira, 2 de maio de 2018 as 12:33, por: CdB

Os trabalhos do Corpo de Bombeiros continuaram pela madrugada com cerca de 100 homens. Nesta quarta-feira pela manhã foi utilizada uma escavadeira para retirar os escombros

Por Redação, com agências de notícias – de São Paulo:

O Corpo de Bombeiros anunciou nesta quarta-feira que o número de pessoas desaparecidas que podem estar nos escombros do prédio desabado no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, continua sendo 44.

Desabrigados do prédio que desabou após incêndio no Largo do Paissandu

A informação foi publicada nesta manhã na conta oficial da corporação no Twitter e confirmada pelo coordenador de Emergências de Assistência Social da Prefeitura, Cesar Ernandes, em entrevista à TV Globo News.

No prédio Wilton Paes de Almeida, antiga sede da Polícia Federal, localizado na avenida Rio Branco; moravam cerca de 146 famílias, um total de 372 pessoas, segundo os dados dos Bombeiros. 

Durante a madrugada, um porta-voz havia informado que o número de desaparecidos tinha sido reduzido para 29. Dentre as pessoas, há um homem que estava sendo resgatado no momento da queda do prédio. A prefeitura informa que 320 pessoas já foram cadastradas como desabrigadas e 40 delas buscaram atendimento na assistência social.

Atualmente, há aproximadamente 160 homens e 57 viaturas no combate a pequenos focos de incêndio e na remoção de escombros.

De acordo com o major Max Schroeder, a operação será realizada em três frentes, sendo o rescaldo e o resfriamento da área, as buscas pelo desaparecido e a liberação de algumas vias da região.

A prefeitura deixou equipamentos, retroescavadeira e tratores à disposição da equipe para; que fossem usados para retirar alguns escombros do local.
A estimativa é que o Corpo de Bombeiros leve 48h para começar a mexer na estrutura do edifício. Os trabalhos poderão durar ao menos uma semana. Entre os equipamentos usados, há câmeras instaladas em drones que detectam calor; o que faz com que seja possível a identificação de pessoa com sobrevida.

Moradores

Alguns moradores do prédio no Largo do Paissandu, que desabou na terça-feira após um incêndio, decidiram passar a madrugada na rua em vez de ir para albergues oferecidos pela prefeitura. “A gente não quer ser esquecido pelo governo”, disse a vendedora ambulante Jéssica Matos, 20 anos, que sobreviveu ao incêndio do edifício. Ela passou a noite com a mãe e a irmã, deficiente mental, na calçada do largo.

– A noite foi fria. Acordei com a garganta doendo, estou um pouco rouca. Minha irmã, que é especial; ficou mal e foi com o pessoal de saúde. Aqui é a rua, né? Não tem nenhuma cobertura”, disse Jéssica.

– Ela acredita que se o grupo se separar em albergues será mais difícil uma resposta do governo. “A gente não quer albergue; a gente quer moradia. Tanto prédio por aí. Coloca a gente lá que a gente está precisando.

A auxiliar de limpeza

A auxiliar de limpeza Marta da Cruz, 54 anos, também passou a noite na calçada do Largo Paissandu. “Morava lá há 7 anos, desde o começo. Não era bom morar lá, era medonho; mas era sobrevivência porque aluguel está muito caro aqui no centro”, disse. Ela morava com um gato que não conseguiu salvar do incêndio. “Era minha companhia. Ele fugia sempre que eu tentava pegar ele”, lamentou. Marta saiu do prédio em chamas apenas com a roupa do corpo e recebeu doações já na rua.

Por causa dos quarteirões interditados muitas pessoas estão impedidas de entrar nos locais de trabalho. A cabeleireira Neide da Silva, 72 anos, não conseguiu chegar no salão de beleza que mantém próximo ao largo. “Eu queria pegar o secador para trabalhar em um local aqui perto. Já falei com a mulher do aluguel que ela vai ter que me dar um prazo maior, porque esta semana vai ser difícil”, disse.

O restaurante Estrela do Paissandu

O restaurante Estrela do Paissandu, também no largo; abriu apenas para receber fornecedores e apoiar o trabalho do Corpo de Bombeiros; dos policiais militares e dos jornalistas. “Os clientes da rua mesmo não conseguem entrar. A gente abriu aqui para apoiar quem está trabalhando. Tem banheiro, se quiserem usar, e tomar um café”, disse o proprietário Josias Queiroz.

O prédio comercial e residencial na esquina com a Rua do Boticário, embora na área interditada, foi autorizado a abrir. O zelador do edifício disse que muitos moradores e funcionários, no entanto, não conseguiram permanecer no local, incomodados pela fumaça dos escombros.

Corpo de Bombeiros

Os trabalhos do Corpo de Bombeiros continuaram pela madrugada com cerca de 100 homens. Nesta quarta-feira pela manhã foi utilizada uma escavadeira para retirar os escombros, pois não há interferência na parte estrutural do prédio, tendo em vista que ainda estão sendo feitas buscas por desaparecidos.

A equipe de assistência social permanece no local para acolher os sobreviventes. Na terça-feira foi feito o cadastro das famílias desabrigadas. Na manhã de hoje, foram oferecidos serviços como banho, atendimento médico e alimentação às pessoas que passaram a noite na praça.

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