Descoberto a proteína que conduz as células cancerígenas do intestino para outros órgãos

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Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 10:54, por: CdB

Segundo os pesquisadores do Instituto Beatson de Glasgow, na Escócia, uma proteína quinase chamada Src ajuda a lacear os tecidos que envolvem um tumor e, assim, “abrem o caminho” para células cancerígenas se disseminarem para outros órgãos. A Src foi a primeira molécula a ser associada ao desenvolvimento do câncer. Pesquisadores escoceses descobriram que uma proteína ajuda o câncer originado no intestino a se espalhar pelo corpo, em uma revelação do câncer – principalmente ao do intestino -, mas não se sabia como ela agia até esse estudo, publicado no jornal científico Nature Cel Biology. Com uma melhor compreensão de como as células cancerígenas saem de um órgão para contaminar outros, cientistas e empresas farmacêuticas têm mais condições de desenvolver drogas que possam bloquear essa ação e impedir a disseminação da doença.

Embora o experimento tenha se concentrado no câncer de intestino, os cientistas acreditam que a descoberta pode ser aplicada para outros tipos da doença.

Células de tecidos saudáveis estão ligadas umas às outras por meio de uma armação de moléculas. Durante o desenvolvimento do câncer, a armação se desarticula e os tecidos ficam frouxos e desorganizados. Seria justamente nesse processo de desarticulação que a Src desempenharia um papel-chave.

Em condições ideais, a Src é responsável por manter a flexibilidade dos tecidos e o espaço entre eles, mas, durante o desenvolvimento do câncer, a proteína se torna superativa e começa a prejudicar a estrutura normal do tecido.

No estudo, a pesquisadora Margaret Frame e sua equipe do Instituto Beatson descobriram que a Src envia instruções para a remoção de uma molécula vital para manter a coesão das células, a E-caderina. Segundo os pesquisadores, nesse processo de desorganização, a Src conta com a ação das moléculas receptoras integrinas para formar uma estrutura de tecidos mais frouxa do que a normal, que “ajuda” as células do intestino contaminadas a se espalhar pelo corpo. “Nós descobrimos que a molécula detona vários sinais químicos diferentes, afetando as células de diversas formas”, afirmou Frame. “Drogas desenvolvidas para interceptar esses sinais podem ser uma forma poderosa de prevenir a disseminação do câncer a partir do intestino”, acrescenta Frame. “Se conseguíssemos confinar as células de câncer ao tumor original, aumentaríamos as chances de sucesso da cirurgia e reduziríamos o risco de a doença se espalhar por outras partes do corpo”, afirma Frame.

Quando diagnosticado logo, o câncer no intestino é geralmente curável uma vez que o tumor original contém todas as células cancerígenas e pode ser removido. Com o passar do tempo, porém, as células cancerígenas alcançam a corrente sangüínea e o sistema linfático, que agem como estradas para o resto do corpo. Uma vez disseminado a doença, as chances de tratamento diminuem.