Desemprego atinge pior nível, desde o início da série histórica

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Publicado sexta-feira, 17 de julho de 2020 as 17:55, por: CdB

Coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira afirmou, nesta sexta-feira, que a piora do indicador é resultado tanto da queda da população ocupada quanto do aumento do número de pessoas atrás de emprego. “A população desocupada em busca de ocupação aumentou 26% em relação à primeira semana de maio”, disse, em nota à imprensa.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O desemprego no Brasil voltou a acelerar nas últimas semanas, com mais de 1,5 milhão de postos de trabalho extintos durante a atual pandemia do novo coronavírus. A taxa de desocupação atingiu seu ponto mais alto desde o início de maio, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a medir a evolução semanal do mercado de trabalho.

O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia
O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia

Segundo o IBGE, 12,4 milhões de brasileiros buscavam trabalho na semana encerrada em 27 de junho, o que representa taxa de desemprego da ordem de 13,1%. Ao todo, de acordo com a pesquisa, 2,6 milhões de pessoas a mais do que a primeira edição do estudo, na semana encerrada no dia 9 de maio, buscavam um posto de trabalho, sem sucesso.

Coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira afirmou, nesta sexta-feira, que a piora do indicador é resultado tanto da queda da população ocupada quanto do aumento do número de pessoas atrás de emprego. “A população desocupada em busca de ocupação aumentou 26% em relação à primeira semana de maio”, disse, em nota.

Isolamento

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, 82,5 milhões de brasileiros conseguiram um emprego na última semana de junho, contra 84 milhões na semana anterior. Foi a primeira vez que a queda no número de ocupados superou um milhão de pessoas desde o início da pesquisa.

O instituto não analisou as razões para a forte queda no número de empregados no país, que ocorre num momento de relaxamento das medidas de isolamento social, com a reabertura de lojas e serviços em grandes cidades que foram epicentros no início da pandemia.

De acordo com o IBGE, caiu também o contingente de pessoas que têm emprego mas estavam afastadas do trabalho devido ao isolamento social, que passou de 11,1 milhões para 10,3 milhões de pessoas. Na comparação com o início de maio, são 5,5 milhões de pessoas a menos.

“Isso é resultado de pessoas que podem estar retornando ao trabalho, mas também devido a um possível desligamento dessas pessoas do trabalho que elas tinham”, acrescentou a coordenadora da pesquisa.

Pandemia

Ocorreu uma queda também no número de trabalhadores informais. Esse número passou de 29,9 milhões no início de maio para 28,5 milhões na última semana de junho. O fato indica que a aceleração do desemprego também alcança aqueles que não têm carteira assinada.

O IBGE constata também que a taxa de desemprego reflete o contingente de pessoas que diz estar em busca de uma colocação. Segundo o Instituto, no entanto, há 26,9 milhões de pessoas no país que gostariam de trabalhar mas não procuraram trabalho no período.

“A pandemia vem, cada vez mais, deixando de ser o principal motivo que as pessoas alegam para não ter procurado trabalho”, pontuou Vieira. Entre os ocupados, 8,6 milhões trabalhavam de forma remota, número que segue estável desde a primeira semana da pesquisa.

Na véspera, o IBGE divulgou a primeira edição de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia nas empresas, que indicou que 522 mil negócios suspenderam atividades ou fecharam definitivamente as portas após o início da crise.

O problema atingiu de forma mais intensa pequenas empresas do setor de serviços, que é uma grande empregador e sofre mais com as restrições à abertura de estabelecimentos comerciais. Nesse segmento se enquadram, por exemplo, bares, restaurantes, hotéis e atividades culturais.