Desemprego recorde, pandemia e fome revelam erros na política econômica

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Publicado sexta-feira, 30 de abril de 2021 as 17:36, por: CdB

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que total de desempregados subiu a 14,423 milhões, maior número da série histórica iniciada no século passado. São 400 mil a mais em um trimestre (crescimento de 2,9%) e 2,080 milhões em 12 meses (16,9%).

Por Redação – do Rio de Janeiro

Com as mais de 400 mil mortes na pandemia do novo coronavírus, a inação do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contabiliza, ainda, a fome e o desemprego que, segundo estudo divulgado na tarde desta sexta-feira, atinge novo recorde. Além da falta de vagas, o desalento também aumentou.

O número de jovens desempregados tende a crescer, nos próximos meses, em face da pandemia
O número de jovens desempregados tende a crescer, nos próximos meses, em face da pandemia

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que total de desempregados subiu a 14,423 milhões, maior número da série histórica iniciada no século passado. São 400 mil a mais em um trimestre (crescimento de 2,9%) e 2,080 milhões em 12 meses (16,9%).

A taxa média de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro foi a 14,4%. Já os desalentados, aqueles que desistiram de procurar trabalho, agora são 5,952 milhões. Acréscimo de 229 mil em três meses (mais 4%) e de 1,259 milhão em 12 (26,8%).

Sem carteira

Os resultados negativos da Pnad Contínua continuam com a chamada população subutilizada, pessoas que gostariam de trabalhar mais, mas não conseguiram. Elas chegam a 32,641 milhões, número estável no trimestre e com crescimento de 21,9% em um ano (mais 5,858 milhões). E a população fora da força de trabalho chega a 76,431 milhões, aumento de 15,9% (10,494 milhões) em 12 meses.

Ainda na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro de 2020, o número de empregados com carteira assinada no setor privado (total de 29,967 milhões) cai 11,7% e o de sem carteira (9,796 milhões), 15,9%. A queda entre os trabalhadores por conta própria (23,653 milhões) é menor (-3,1%). Os trabalhadores no serviço doméstico, que já foram mais de 6 milhões, agora totalizam 4,956 milhões, queda de 20,6% em 12 meses.

Estimado em R$ 2.520, o rendimento médio caiu 2,5% no trimestre e ficou estável (1,3%) em relação a igual período de 2020. Já a massa de rendimentos (R$ 211,2 bilhões) também ficou estável no período recente, mas caiu 7,4% em 12 meses. Isso significa menos R$ 16,8 bilhões na economia.

— Não houve, nesse trimestre, uma geração significativa de postos de trabalho, o que também foi observado na estabilidade de todas as atividades econômicas, muitas ainda retendo trabalhadores, mas outras já apontando um processo de dispensa como o comércio, a indústria e alojamentos e alimentação — comenta a analista Adriana Beringuy.

Menos vagas

Ainda segundo Beringuy, “o trimestre volta a repetir a preponderância do trabalho informal, reforçando movimentos que já vimos em outras divulgações – a importância do trabalhador por conta própria para a manutenção da ocupação”.

Em 12 meses, a indústria cortou 1,319 milhão de vagas (-10,8%). Os serviços ligados a alojamento e alimentação, citados pela analista, fecharam 1,536 milhão (-27,4%). E o comércio, que inclui reparação de veículos, mais 1,984 milhão (-11,1%).