Desesperado, Bolsonaro ataca STF com bravata e palavrões: “Acabou!”

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Publicado quinta-feira, 28 de maio de 2020 as 18:30, por: CdB

Bolsonaro disse a jornalistas, à saída do Palácio da Alvorada, nesta manhã, que “não haverá mais outro dia como ontem” e que “acabou”, numa referência à operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados de busca e apreensão, na véspera, contra aliados envolvidos na produção e distribuição e fake news.

Por Redação – de Brasília

O desespero do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em vias de perder o mandato — caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decida pelo cancelamento da chapa presidencial nas eleições de 2018, em julgamento prestes a ser iniciado — chegou ao seu ponto máximo, nesta quinta-feira. Mais um ataque direto ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela as intenções do mandatário neofascista.

O “capetão” foi acusado de crimes contra a humanidade
Bolsonaro, desesperado diante da possibilidade real de perder o cargo, parte para o ataque contra ministros do STF

Bolsonaro disse a jornalistas, à saída do Palácio da Alvorada, nesta manhã, que “não haverá mais outro dia como ontem” e que “acabou”, numa referência à operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados de busca e apreensão, na véspera, contra pessoas aliadas a ele e acusadas de envolvimento na produção e distribuição e fake news.

— Não teremos outro dia igual a ontem. Acabou, p…! Acabou, não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas, individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações. Nós somos um país livre e vamos continuar livre mesmo com sacrifício da própria vida — disse Bolsonaro, visivelmente irritado.

Bolsonarismo

Em mais de 20 minutos de fala, o presidente não admitiu que os jornalistas fizessem perguntas e, quando questionado, foi embora. Bolsonaro não explicou o que quis dizer com “acabou”, ou o que pretendia fazer contra o inquérito das fake news.

— Ninguém mais do que eu tem demonstrando que tenho compromisso com democracia e liberdade. Agora, as coisas têm um limite. Ontem foi o último dia — repetiu.

A operação deflagrada na quarta-feira teve como alvo principal empresários, blogueiros e ativistas ligados ao bolsonarismo, acusados de financiar e criar uma rede para espalhar notícias falsas pelas redes sociais. Entre os investigados estão o empresário Luciano Hang, um dos maiores apoiadores de Bolsonaro, e o blogueiro Allan dos Santos, dono de um site dedicado à defesa do governo.

Paranóia

Também estão na mira do inquérito seis deputados federais e dois deputados estaduais paulistas, todos da ala do PSL ligada ao bolsonarismo. O presidente acusa Moraes de abrir uma investigação em cima de um “factoide”, o chamado “Gabinete do Ódio”, um grupo que trabalharia com mídias digitais dentro do Planalto e seria comandado por Carlos, filho número 2 do presidente.

— O objetivo dessa ação é atingir quem me apoia. Estão perseguindo gente que apoia o governo de graça. Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news — acrescentou.

Mais uma vez, o presidente disse que “querem me tirar da cadeira para voltar a roubar”.

Chefe supremo

Bolsonaro disse, por diversas vezes, que a democracia e a liberdade estão acima de tudo. Argumentou ter a alma de um democrata, mas defendeu que “ordens absurdas não se cumprem”, ao se referir ao fato de a Polícia Federal (PF) ter seguido as determinações do ministro Alexandre de Moraes.

— A democracia é algo sagrado, e admito que todos estejam preocupados com ela. Não basta apenas um ou dois Poderes se preocupar. Todos devem se preocupar com ela. Sou o chefe supremo das Forças Armadas. Em nenhum momento eu falei que as Forças Armadas estão com o presidente. Sempre disse que estão com o povo, com a democracia, com a lei e a ordem. Não vão fazer com que eu transgrida, que eu me transforme em um pseudo ditador da direita. Isso não existe — vociferou.

Bolsonaro acusou supostos adversários de estarem criando uma crise política que poderia levar o Brasil ao caminho de “uma Venezuela”, em uma “terceira onda” depois da epidemia de coronavírus e da recessão econômica.

— O governo está fazendo sua parte. Não crie nova crise para atrapalhar o Brasil, que a terceira onda depois da recessão é que da pobreza de pessoas que perderam tudo e pessoas angustiadas a gente mergulha quase por inércia em um regime diferente — disse.

Reunião

As críticas de Bolsonaro se estenderam a outro ministro do STF, Celso de Mello, responsável pelo inquérito que investiga a suposta interferência do presidente na Polícia Federal. Exaltado, Bolsonaro afirmou que seus ministros não são criminosos por terem falado coisas durante uma reunião ministerial fechada e não podem ser acusados por isso.

— A responsabilidade do que tornou-se público não é de nenhum ministro. É do ministro Celso de Mello. Ele é o responsável. Eu peço pelo amor de Deus, não prossigam esse tipo de inquérito. O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles (Ricardo, ministro do Meio Ambiente), não é de nenhum de nós. A responsabilidade de tornar público é de quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo vídeo foi chancelado como secreto — disse, referindo-se à decisão de Alexandre de Moraes de intimar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para depor à PF por ter dito, durante a reunião, que gostaria de ver presos todos os ministros do STF.

Na tarde de quarta-feira, depois da operação, Bolsonaro convocou os ministros para uma reunião de emergência em que tratou do assunto. Segundo ele mesmo, passou o dia cuidando desse tema. À noite, chamou o ministro da Justiça, André Mendonça, e o advogado-geral da União, José Levi, para continuar a reunião no Alvorada.

Congresso

Já próximo da meia-noite, Mendonça impetrou um pedido de habeas corpus preventivo para tentar impedir que Weintraub tenha que depor.

— Respeito o STF, respeito o Congresso Nacional, mas para esse respeito poder continuar sendo oferecido da minha parte tem que respeitar o Poder Executivo também. Acima das nossas vidas temos que zelar pela nossa liberdade. Não podemos abrir mão dela nem por um milímetro — conclui Bolsonaro.

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