Desgaste político de Bolsonaro aumenta, rapidamente, após ação policial

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Publicado quinta-feira, 18 de junho de 2020 as 16:16, por: CdB

Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro. O ex-assessor estava em um imóvel do advogado Frederick Wassef, responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro.

Por Redação, com RBA – do Rio de Janeiro e São Paulo

A prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta quinta-feira, representa uma derrota para o mandatário neofascista e toda sua família. Parlamentares de oposição afirmam que a detenção de Queiroz mostra que o cerco à família do presidente “está se fechando”.

Futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro recebeu pagamento de mais de R$ 20 mil, sem razão aparente
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro recebeu pagamento de mais de R$ 20 mil, sem razão aparente, em depósitos de Queiroz

Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro. O ex-assessor estava em um imóvel do advogado Frederick Wassef, responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro. O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) acredita que Flávio Bolsonaro sabia onde seu ex-assessor estava escondido.

“Tá caindo o cerco da família! O perdido Queiroz não estava tão perdido assim, só esquecemos de olhar debaixo da asa da família. Tá tão colocado no Flávio que pede exílio pro próprio advogado”, escreveu, em uma rede social.

Cerco se fecha

O também deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) acrescenta que Fabrício Queiroz era amigo de Bolsonaro e conhece todas as relações da família do presidente.

“Ele jogava em todas as posições no time da família: ponta de lança na área da milícia, articulador das ‘rachadinhas’ no gabinete do Flávio, trouxe o matador Adriano da Nóbrega para o elenco e ainda depositou dinheiro na conta da primeira-dama (Michelle Bolsonaro)”, disse Freixo, em mensagem numa rede social.

A Operação Anjo é coordenada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A esposa de Queiroz, Márcia Aguiar, que foi assessora do hoje senador, também teve a prisão decretada – ela não foi encontrada em seu endereço e é considerada foragida.

Redes sociais

A parlamentar Sâmia Bonfim (PSOL-SP) lembra ainda que o envolvimento da família Queiroz é extenso com Bolsonaro e seus filhos.

“Fabrício foi desligado formalmente do gabinete de Flávio no mesmo dia em que sua filha, Nathália Queiroz, foi desligada do gabinete de Jair Bolsonaro. No mesmo dia. Pra fugir da justiça. O esquema é um só”, disse, em uma rede social.

Queiroz é investigado por participação no esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Segundo a investigação, os funcionários são coagidos a devolver parte de seus salários para o parlamentar.

Insustentável

“A prisão do Queiroz deve ter caído como uma bomba no Planalto. Queiroz é o principal elo do clã Bolsonaro com falcatruas e o crime organizado. Era o homem de confiança Jair Bolsonaro para corrupção, milícia e crimes!”, publicou a também deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

A revelação de que a família Bolsonaro e o advogado Wassef cometeram o crime de obstrução judicial, ao esconder Fabrício Queiroz torna praticamente insustentável a situação do governo, uma vez que foi cometido o crime de obstrução judicial. Diante disso, o advogado e presidenciável Fernando Haddad perguntou, também em uma rede social, o que ainda falta para derrubar o governo e acelerar o processo de impeachment.

Para complicar, ainda mais, a situação jurídica do presidente, Wasseff participou nesta quarta-feira da cerimônia de posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria, em Brasília. Além de advogar para o senador Flávio Bolsonaro e para o presidente, ele é considerado um amigo da família. Também foi Wasseff que apresentou o publicitário Fábio Wajngarten, atual chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), ao presidente.

— Não tem nenhum problema o advogado ser amigo da família. O problema é que existe toda uma rede montada nesse esquema de proteção, de autoproteção, para blindar Investigações. O estranho é que o advogado ceda seu imóvel para um investigado — resumiu a advogada Tânia Maria de Oliveira, integrante da coordenação executiva da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).