Desnível entre transações correntes gera pior resultado ao país desde 2016

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Publicado segunda-feira, 27 de janeiro de 2020 as 14:11, por: CdB

O maior maior rombo das contas externas antes disso foi registrado em 2015, quando o déficit atingiu US$ 54,472 bilhões. O buraco nas transações correntes em 2019 passou a 2,76% do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 2,20% em dezembro do ano anterior.

 

Por Redação – de Brasília

 

O déficit em transações correntes do Brasil encerrou 2019 no total de US$ 50,762 bilhões, um percentual 22,2% pior do que em 2018 e a marca mais negativa em quatro anos. O Banco Central (BC), em nota divulgada nesta segunda-feira, alega que o resultado deve-se à deterioração do desemprenho brasileiro na balança comercial.

O déficit foi afetado pela balança comercial mais fraca e maior remessa de lucros e dividendos para fora, divulgou o Banco Central nesta segunda-feira

O maior maior rombo das contas externas antes disso foi registrado em 2015, quando o déficit atingiu US$ 54,472 bilhões. O buraco nas transações correntes em 2019 passou a 2,76% do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 2,20% em dezembro do ano anterior.

O declínio impacta, diretamente, sobre os Investimentos Diretos no País (IDP), que alcançaram US$ 78,559 bilhões no ano passado. A expectativa do BC era de um déficit em transações correntes de US$ 51,1 bilhões em 2019, e com IDP um pouco melhor, de US$ 80 bilhões.

Peste suína

A autoridade monetária já havia justificado que as transações correntes foram prejudicadas em 2019 pelo pior desempenho da balança comercial, num ano marcado pela desaceleração da economia na Argentina, peste suína afetando a China e a demanda por soja brasileira, além da dinâmica envolta em incertezas do comércio mundial em meio às tensões protagonizadas por Estados Unidos e China.

O ano passado também foi afetado por ruídos em relação aos números das transações correntes.
No início de dezembro, o governo anunciou uma correção para cima no registro das exportações de setembro a novembro, atribuindo a uma falha humana uma subnotificação de US$ 6,488 bilhões que havia ajudado a piorar o resultado da balança comercial brasileira divulgado originalmente.

Ao fim, o superávit da balança comercial encerrou 2019 em US$ 39,404 bilhões, recuo de 25,7% sobre 2018, diante de uma queda de 6,3% nas exportações e diminuição de 0,8% nas importações, apontou o BC.

Serviços

Em 2019, as remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no Brasil caíram 14,8% sobre o ano anterior, a US$ 31,126 bilhões. Esse foi o principal fator a guiar a retração de 4,8% no déficit em renda primária, a US$ 55,989 bilhões.

Na conta de serviços, houve redução no ano tanto nos gastos líquidos de brasileiros no exterior, com recuo de 5,4% frente a 2018, a US$ 11,681 bilhões, quanto nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, que caíram 8,2%, a US$ 14,483 bilhões.

Fundamentalmente por conta desses dois movimentos, o déficit em serviços diminuiu a 1,7% em 2019, a US$ 35,141 bilhões, apontou o BC.

Em queda

Em dezembro somente, o déficit em transações correntes foi de US$ 5,691 bilhões, pior que a expectativa de um déficit de US$ 4,5 bilhões, conforme pesquisa Reuters com analistas. A conta de IDP alcançou US$ 9,434 bilhões, abaixo da projeção de US$ 11 bilhões.

O BC projeta, ainda, que o país terá um déficit em transações correntes de US$ 8,7 bilhões em janeiro. A estimativa é que o IDP some US$ 5 bilhões no mês — valor insuficiente para financiar o déficit em conta corrente no período.

Até o dia 23, o volume de investimentos no país somava US$ 3,7 bilhões, concluiu o BC.

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