Diante da morte de 200 mil brasileiros, presidente faz piada contra uso de máscaras

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Publicado terça-feira, 5 de janeiro de 2021 as 14:09, por: CdB

O que deveria ser uma piada, ainda que de mau gosto, saiu durante conversa entre o presidente e seus seguidores, na entrada do Palácio do Alvorada, transmitida em um dos sites da rede de extrema direita que viceja na internet brasileira.

Por Redação – de Brasília

Diante da morte de perto de 200 mil brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pediu desculpas, publicamente, nesta terça-feira, por novo ataque às pessoas que tentam se precaver contra o vírus da covid-19. Bolsonaro fez uma piada com o uso de máscara de proteção facial, uma das medidas mais eficazes de contenção e prevenção contra o vírus SarsCoV-2, segundo os médicos.

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A declaração foi repercutida nos principais meios de comunicação, internamente e no exterior, como uma nova blague do peculiar governante naquele longínquo país dos trópicos sul-americanos.

Extrema direita

Bolsonaro, às gargalhadas, disse ter usado máscara durante um mergulho no litoral paulista, durante as festas de fim de ano, para “não pegar covid nos peixinhos”.​ O mandatário negacionista ironizou, ainda, a mídia brasileira, desde os veículos mais conservadores aos integralmente progressistas, porque destacaram a falta do equipamento sanitário e as aglomerações que causou.

— Sabia que o tio estava na praia nadando de máscara? Mergulhei de máscara também, para não pegar covid nos peixinhos — achincalhou.

O que deveria ser uma piada, ainda que de mau gosto, saiu durante conversa entre o presidente e seus seguidores, na entrada do Palácio do Alvorada, transmitida em um dos sites da rede de extrema direita que viceja na internet brasileira.

Até a manhã desta terça-feira, o Brasil somava 196.029 óbitos e 7.732.071 casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, segundo dados do grupo de veículos conservadores de comunicação paulistano, com a Folha de S. Paulo, o portal UOL, O Estado de S. Paulo; e carioca com os jornais Extra e O Globo e o portal G1.

Reino Unido

Na contramão da ciência, Bolsonaro defende o uso de medicamentos proibidos pela Organização Mundial da Saúde contra a covid-19; além de ser um crítico de políticas de distanciamento social. Em novembro último, Bolsonaro disse que “ainda vai ter um estudo sério falando sobre a efetividade da máscara”. 

— É o último tabu a cair — arriscou.

Enquanto o presidente fazia piada com a saúde alheia, o Reino Unido decretava mais um novo confinamento nacional, frente ao recorde no número de casos da doença no país. Nas últimas 24 horas, aquele país registrou 58.784 novos casos da covid-19, maior número diário e sétimo dia consecutivo com mais de 50 mil novos doentes por dia.

Críticas

Não fosse suficiente, Bolsonaro também voltou a criticar o trabalho da imprensa, nesta manhã. Ele garantiu que o país terá que aguentá-lo no poder até 2022, quando termina o período legal de seu atual mandato.

— Vão ter que me aguentar até o final de 22, pode ter certeza — disse Bolsonaro a apoiadores à saída da residência oficial.

De acordo com o atual inquilino do Palácio da Alvorada, há um “trabalho incessante de tentar desgastar” o governo. Embora não tenha citado nomes, Bolsonaro também teria dito que o desgaste terá como finalidade trazer de volta “alguém para atender os interesses da mídia”.

Mais uma vez, ele tentou minimizar a dimensão da pandemia e afirmou que a crise sanitária – prestes a matar mais de 200 mil pessoas – é “potencializada” pela mídia, que atrapalha os planos econômicos, todos eles fracassados até agora.

— Chefe, o Brasil está quebrado, não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do imposto de renda? (Mas) teve nesse ano (2020) esse vírus potencializado pela mídia que nós temos — concluiu.