Diário Oficial publica afastamento de Kassab da Casa Civil de São Paulo

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Publicado sexta-feira, 4 de janeiro de 2019 as 14:04, por: CdB

As investigações da Polícia Federal são baseadas em informações transmitidas durante delações premiadas de executivos da J&F.

Por Redação, com ABr – de  São Paulo

O afastamento do secretário da Casa Civil do governo de São Paulo, Gilberto Kassab, foi publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial do Estado. Ele pediu licença do cargo para se defender das denúncias de corrupção. A licença é “com prejuízo dos vencimentos e sem quaisquer ônus para o Estado, para tratar de assuntos de interesse particular”.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab

No dia 19 de dezembro, o então ministro de Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, Kassab teria recebido o total de R$ 58 milhões, no período em que era prefeito de São Paulo, de 2010 a 2016.

As investigações da Polícia Federal são baseadas em informações transmitidas durante delações premiadas de executivos da J&F. Uma parte do valor, R$ 30 milhões, teria ido diretamente para Kassab, e o restante para o Diretório Nacional do PSD.

Kassab chegou a ser empossado como secretário do governo paulista no dia 1º de janeiro, junto com o governador João Doria, mas não esteve presente na cerimônia. No dia 2, o nome dele foi publicado no Diário Oficial como titular da pasta. Ele pediu afastamento do cargo e teve a licença publicada nesta sexta-feira.

Em nota divulgada no dia 27 de dezembro, Kassab diz que “decidiu licenciar-se do cargo para se dedicar à organização e ao encaminhamento das informações solicitadas por sua defesa, que comprovarão a lisura de seus atos”.

Disse ainda que confia “na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa, e entende que quem está na vida pública deve estar sujeito à especial atenção do Judiciário”. Colocou-se à disposição para esclarecimentos e que seus atos como gestor público seguiram a lei.

Detalhes

Na petição, a procuradora-geral afirma que o pedido dos mandados de busca e apreensão se basearam em informações transmitidas pelos executivos Wesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F. De acordo com ela, os pagamentos faziam parte de um acordo para que Kassab pudesse favorecer a empresa em “eventual demanda futura de interesse do referido grupo”.

Raquel Dogde acrescenta que foi feito contrato fictício de prestação de serviços com uma empresa do ramo de transportes que tinha relação comercial com a J&F. Segundo ela, os delatores afirmaram que entre 2010 e 2016, o ex-prefeito teria recebido R$ 350 mil mensais, em um total de R$ 30 milhões.

Em relação ao repasse de R$ 28 milhões ao Diretório Nacional do PSD, a procuradora-geral observa que houve doações oficiais de campanha e outros artifícios, como a quitação de notas fiscais falsas. Também há registro da entrega de dinheiro em espécie.

Outro lado

Em nota, Kassab diz que “seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público”. Também afirma que confia na Justiça e está à disposição para prestar esclarecimentos.

– O ministro confia na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa, sabe que as pessoas que estão na vida pública estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário, reforça que está sempre à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, ressalta que todos os seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público – diz o texto.

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