Dieta pode reduzir gastos com medicamentos para os diabéticos

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Publicado quinta-feira, 22 de julho de 2004 as 20:15, por: CdB

Um estudo realizado com 118 pessoas obesas e portadoras do diabetes tipo 2, pela University of Virginia Health System (U.Va), nos EUA, concluiu que um estilo de vida mais saudável resultou em menos uso de medicamentos, perda do peso e do tamanho da cintura, e de uma melhor qualidade de vida, comparada ao cuidado tradicional do diabetes.

Os cientistas montaram dois grupos (A e B) com pessoas obesas e com diabetes tipo 2, distribuídas aleatoriamente. O grupo A foi tratado da forma convencional, enquanto o B seguiu as orientações de uma equipe médica (atividade física e dieta), além dos medicamentos. Os resultados mostraram que, após um ano, o grupo B perdeu, em média, 11,9 kg e 5,58 cm no tamanho da cintura.

A maior perda de peso aconteceu quando os pacientes tiveram um contato mais freqüente com os médicos. Este grupo também fez pouco uso de medicamentos, especialmente a insulina e sulfoniluréia, além de relatar uma melhora no bem estar. O grupo A, entretanto, ganhou, em média, 2,91 kg, enquanto o tamanho da cintura quase não foi alterado.

“A saúde pública e as intervenções clínicas nunca conseguiram deter a epidemia da obesidade e diabetes”, disse Anne Wolf, instrutor no departamento de ciências da avaliação da saúde em U.Va., que, junto com outros pesquisadores no departamento, foi o autor do estudo na divisão de endocrinologia e do metabolismo.

“Se nós continuarmos a tratar as pessoas com diabetes sem melhorar o estilo de vida, eles terão uma qualidade de vida mais baixa, além de usarem mais medicamentos”, completou.

De acordo com Wolf, a aproximação da gerência do caso existe no sistema de plano de saúde. Mas este estudo sugere que o foco do tratamento seja alterado para o estilo de vida do paciente, como a dieta e a atividade física.

Segundo a Associação Americana de Diabetes (ADA), o tipo 2 é o mais comum do diabetes e afeta aproximadamente 18 milhões de norte-americanos. O Brasil não possui dados oficiais, mas estima-se que o país tenha 12 milhões de pessoas com a doença. O diabetes ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou o ignora completamente. As complicações do diabetes do tipo 2 incluem: doença coronariana, cegueira, danos nos nervos e o problemas renais.

A pesquisa, que durou um ano e custou $ 3.5 milhões (aproximadamente R$ 10,5 milhões) , foi publicada na edição de julho do jornal Diabetes Care. O estudo foi desenvolvido em parceria entre a American Dietetic Association, The National Institutes of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK) e Centro de Pesquisa Clínica da University of Virginia Health System.

Um novo estudo na Virgínia está registrando 400 pessoas com diabetes tipo 2. Eles serão observados por quatro anos para documentar os resultados da dieta e exercício no programa de controle do diabetes e obesidade. Os pacientes estão sendo registrados em Charlottesville, Harrisonburg, Roanoke e Richmond.