Diferenças sobre o Iraque não afetaram tratado Chile-EUA

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Publicado segunda-feira, 2 de junho de 2003 as 17:09, por: CdB

O Governo do Chile afirmou nesta segunda-feira, que suas diferenças com os Estados Unidos sobre a guerra no Iraque nunca afetaram as negociações sobre o tratado de livre de comércio entre ambos que será assinado na próxima sexta-feira.

Quando perguntada se a assinatura de tal contrato significa o fim dessas divergências, a chanceler chilena, Soledad Alvear, disse que “os EUA preferiam que o Chile tivesse uma posição diferente no Conselho de Segurança com relação ao assunto do Iraque, mas apesar da posição contrária, as negociações seguiram adiante”.

Alguns setores chilenos tinham manifestado sua inquietação porque a assinatura definitiva do acordo poderia ser adiada pelos EUA para demonstrar sua decepção, já que o Chile não apoiou os americanos no Conselho de Segurança da ONU na ação militar contra o Iraque.

Em entrevista coletiva com os correspondentes estrangeiros, Alvear afirmou que o que o Chile fez faz parte da realidade.

– Mas também fez parte da realidade o fato de que nunca paramos de trabalhar no acordo de livre comércio – afirmou.

O Chile assinará no próximo dia 6 de junho um tratado de livre comércio com os EUA, depois de 13 anos de espera e da superação de altos e baixos, pessimismos e tensões pela guerra contra o Iraque.

O acordo, que marca outra vitória na política exterior do Governo presidido por Ricardo Lagos, será assinado na cidade americana de Miami pela ministra Alvear e o representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Robert Zoellick, na presença de Jeff Bush, governador da Flórida e irmão do presidente dos EUA.

O acordo se somará a outros assinados pelo Chile com a União Européia, Canadá, México e Coréia, e ao que assinará em 26 de junho com a Associação Européia de Livre Comércio (Efta), integrada pela Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein.

Alvear explicou que a assinatura reflete a vontade política de ambos para avançar em um acordo que foi negociado durante “longos dois anos, mas que vem coroar um esforço de três governos democráticos”.

Depois da assinatura, o acordo de livre comércio precisa da ratificação pelo Parlamento chileno e da aprovação das leis de implementação nos EUA para entrar em vigor, o que deve acontecer provavelmente no início do ano que vem.

A chefa da diplomacia chilena também explicou que o tratado de livre comércio traz para o país sul-americano, de 15 milhões de habitantes, mais investimentos e negócios conjuntos, assim como a possibilidade de exportar aos EUA produtos com valor agregado, o que até agora é praticamente impossível.

O acordo comercial liberalizará de imediato 87% das tarifas alfandegárias do intercâmbio bilateral, chegando progressivamento a uma tarifa zero em 12 anos, o que foi recebido com consentimento pelo setor privado chileno.

Com isso, o Chile também se torna o segundo país latino-americano a assinar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, depois do México.

Depois da cerimônia de 6 de junho em Miami, Soledad Alvear receberá em Santiago seus colegas latino-americanos que participarão da XXXIII Assembléia da Organização de Estados Americanos (OEA).