Dirceu se apresenta na Papuda para sentença de 30 anos

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Publicado sexta-feira, 18 de maio de 2018 as 16:15, por: CdB

O petista histórico José Dirceu cumpriu, na tarde desta sexta-feira, o mandado de prisão expedido pela juíza Gabriela Hardt, substituta do juiz federal Sérgio Moro. Dirceu começou a cumprir, a partir de agora, a pena de 30 anos, 9 meses e 10 dias no Presídio da Papuda.

 

Por Redação – de Brasília

 

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) gravou uma mensagem aos amigos e amigas do grupo de WhatsApp Prerrogativas. Ele agradeceu a “gratidão e solidariedade de sempre”; pouco antes de cumprir a determinação judicial, nesta sexta-feira.

– Vamos continuar nossa luta. Eu só vou mudar de trincheira. Juntos vamos vencer, vamos derrotar o arbítrio, retomar o governo do país e restaurar a democracia – disse.

Dirceu se mostra resiliente e leva alguns livros para a cela
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O petista histórico José Dirceu cumpriu, nesta tarde, o mandado de prisão expedido pela juíza Gabriela Hardt, substituta do juiz federal Sérgio Moro, na 13.ª Vara Federal de Curitiba. Dirceu começou a cumprir, a partir de agora, a pena de 30 anos, 9 meses e 10 dias no Presídio da Papuda, para onde foi levado. Mais cedo, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) negou um recurso decisivo do petista.

O mandado foi expedido pela magistrada, porque Sérgio Moro está fora do país. A juíza mandou Dirceu “apresentar-se à carceragem da Polícia Federal em Brasília, no dia 18 de maio de 2018, até às 17 horas, ocasião na qual a autoridade policial deverá cumprir o mandado”. O agora prisioneiro apresentou-se com uma antecedência de mais de duas horas.

Ciro Gomes

Dirceu, contudo, volta para prisão com o cenário formado sobre as eleições que, possivelmente, deverão ocorrer em outubro deste ano. Ao longo de quase um ano em liberdade, embora restrita, Dirceu atualizou-se com a leitura de notícias e as inúmeras reuniões que o levaram à conclusão acerca da campanha presidencial, em curso.

— A esquerda está certinha — afirmou Dirceu, em recente entrevista a um site de notícias políticas.

O ex-ministro da Casa Civil, no primeiro governo Lula, conhece bem os meandros palacianos e as encruzilhadas políticas definidas, muitas vezes, pela traição. Delicadamente, resumiu-se na entrevista a citar aqueles candidatos que, na opinião dele, mais se aproximam do ideal de uma esquerda unida.

— Do nosso lado, está tudo arrumadinho. (Guilherme) Boulos é candidato (do Psol). Manuela (D’Ávila, do PCdoB) é candidata. Ciro (Gomes, do PDT) é candidato — disse.

Preferiu não citar o distanciamento da direção do PT, entretanto, diante das conversas em curso com Ciro Gomes. Nem a aproximação do PCdoB ao concorrente pedetista. Ou, ainda, o problema que Boulos enfrenta por ser quase que totalmente desconhecido do eleitor.

Incógnito

Para Dirceu, por conseguinte, também não há plano B. Ele não admite qualquer alternativa de aliança, caso Lula não seja candidato. Mas, experiente, deixa claro que há um prazo para isso, que pode mudar até julho ou agosto próximos.

— O PT tem que ficar parado. Temos o candidato que ganha em primeiro e segundo turno com 40% dos votos. Para que nós vamos nos mexer? Os outros é que estão todos desesperados; batendo cabeça, se afogando — acredita.

Ao longo de sua militância, Dirceu viveu “quase 15 anos da minha vida” na clandestinidade, recordou-se. Chegou a ser preso, deportado e exilado durante a ditadura militar (1964-1985). Em setembro de 1969, foi deportado para o México junto com outros 14 presos políticos, como contrapartida pela libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sequestrado naquele ano pela guerrilha armada antirregime.

Em Cuba, participou do processo revolucionário e em, 1971, voltou ao país para, na clandestinidade, militar contra os militares no poder. Chegou a se submeter a uma série de cirurgias plásticas, usou nome falso e demais cuidados para se manter incógnito aos agentes do aparelho de repressão ditatorial.

Lênin

Dirceu foi condenado, em 2012, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Volta, agora, para a prisão, menos de um ano depois. Na bagagem, leva obras de história, como a biografia de Vladimir Ilyich Ulyanov (1870-1924), que lhe inspira ideologicamente. E de Josef Stalin (1878-1953), secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, depois da Revolução Bolchevique.

Dirceu diz não se recordar do autor das biografias, mas cita o mais recente livro do jurista Fábio Konder Comparato, A Oligarquia Brasileira (Contracorrente), entre suas leituras atuais.

Na cadeia, Dirceu não terá acesso à internet. Sabe, no entanto, o que fazer. Quer trabalhar e ler o máximo que puder, como maneira de diminuir a pena. De vez enquanto, poderá enviar por meio de advogados instruções e pensatas ao comando do PT e à militância.

Segundo seus cálculos, permanecerá no cárcere por cerca de 5 anos, até a pena progredir.

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