Diretor do Dieese diz que autonomia do BC é submissão aos banqueiros

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021 as 17:25, por: CdB

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, o requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto. Especialistas afirmam que a pressa mostra como os parlamentares não têm consciência do que o processo significa.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 “O lobo cuidará do galinheiro”. É assim que o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, resume a possibilidade de “autonomia” do Banco Central (BC), por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) 19/2019, pautado no Plenário da Câmara, nesta quarta-feira.

As nuvens carregadas de uma tempestade perfeita na economia brasileira continuam se aproximando do Banco Central
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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, o requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto. O especialista afirma que a pressa mostra como os parlamentares não têm consciência do que o processo significa. Na avaliação de Fausto, a autonomia do Banco Central é a confirmação da política ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes.

— Com essa autonomia, o preço dos produtos, a inflação e a taxa de juros estarão vinculados ao interesse do mercado financeiro. Vamos colocar o lobo para tomar conta do galinheiro — alerta o diretor técnico do Dieese, em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Votação

À RBA, o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), disse que o Congresso aprovou a tal “autonomia”, sob pretexto de “blindar” a instituição de “ingerências políticas”.

— Estamos dando autonomia em relação ao governo, mas não estamos dando autonomia em relação ao mercado — criticou.

O projeto de lei estabelece mandatos de quatro anos para o presidente e os diretores do Banco Central. Para assumir, eles deverão passar, ainda, por votação secreta no Senado. Porém, a proposta diz que o novo chefe do banco deverá assumir no terceiro ano de governo do presidente da República, de modo que o seu no comando da política monetária não coincida com o mandato do chefe do Executivo.

Fausto Augusto Junior critica esse item e afirma que, caso Jair Bolsonaro deixe a Presidência em 2022, sua política ultraliberal será mantida durante a próxima gestão.

— Isso deixará um próximo presidente ainda subordinado à política econômica do último governo. É a manutenção dos erros do governo anterior em um órgão responsável pela política monetária do país, como a taxa de juros e emissão de moedas — concluiu.

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