Dívidas em atraso alcançam mais de 75% das famílias brasileiras, diz FGV

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Publicado quinta-feira, 15 de abril de 2021 as 16:20, por: CdB

De acordo com o estudo, divulgado nesta quinta-feira, 26% dos entrevistados vivem em lares em que há pelo menos uma pessoa com dívidas em atraso. Esse percentual é de 44% para famílias com renda de até R$ 2.100 e cai para 10% nas residências com renda de mais de R$ 9.600.

Por Redação – de São Paulo

As dívidas em atraso alcançam 75% das famílias brasileiras, o mais alto percentual ocorre entre os consumidores de baixa renda. Mais da metade dos inadimplentes afirmam que o problema está relacionado à pandemia, principalmente perda de emprego e redução de salário. Os dados integram sondagem especial inédita do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV).

O percentual de inadimplentes chegou a 24,3%, taxa superior aos 23,9% de julho e aos 23,8% de agosto do ano passado
O percentual de inadimplentes bate todos os recordes até hoje, acentuado pela pandemia e a falta do auxílio emergencial

De acordo com o estudo, divulgado nesta quinta-feira, 26% dos entrevistados vivem em lares em que há pelo menos uma pessoa com dívidas em atraso. Esse percentual é de 44% para famílias com renda de até R$ 2.100 e cai para 10% nas residências com renda de mais de R$ 9.600.

Para 54% das famílias com dívidas em atraso, a inadimplência se deu nos últimos seis meses e por fatores relacionados à pandemia. O percentual sobe para 79% na primeira faixa de renda e cai para 33% na mais elevada. A perda de emprego de algum membro da família é citada como motivo para o atraso nos pagamentos por 29% dos entrevistados — o percentual sobe para 50% na faixa de baixa renda.

Auxílio

A redução de salário é apontada por 19% como causa da inadimplência. O aumento nas despesas, por 13%. A queda de receita em empresa familiar e o impedimento de trabalho aparecem com 12% cada. A interrupção do auxílio emergencial aparece com apenas 2,4% —são 4,7% na faixa mais baixa de renda.

A pesquisa foi realizada de 1º a 24 de março, com 1.644 consumidores. O auxílio deixou de ser pago em dezembro, com uma parcela residual em janeiro, e sua interrupção pode não ter se refletido ainda nos dados, segundo o Ibre.

Viviane Seda Bittencourt, superintendente-adjunta de Ciclos Econômicos do FGV Ibre, afirmou a jornalistas que desemprego e impedimento ao trabalho foram os fatores mais citados pelas famílias de baixa renda para explicar a inadimplência.

Pandemia

As de renda mais alta apontaram, principalmente, a redução de salários ou a queda na receita de quem tem empresa ou trabalha como autônomo.

— A grande massa de trabalhadores não tem possibilidade de trabalhar remotamente, principalmente nos serviços que empregam bastante e em que existe a necessidade do trabalho presencial — resume Bittencourt, uma das coordenadoras da pesquisa.

A sondagem obedeceu aos parâmetros de segurança contra a pandemia, realizada por telefone e por meio de formulário eletrônico.