Dividido, PT assume cargo na Mesa Diretora do bolsonarista Arthur Lira

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Publicado quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021 as 17:33, por: CdB

A deputada Marília Arraes (PT-PE) venceu o correligionário João Daniel (PT-SE) por 192 votos a 168. A escolha dos cargos foi objeto de intensa disputa, motivada pela atitude de Lira, cujo primeiro ato no cargo foi anular a inscrição do bloco derrotado de Baleia Rossi (MDB-SP).

Por Redação – de Brasília

Os deputados federais realizaram, na tarde desta quarta-feira, as votações que concluíram a composição da Mesa Diretora para o biênio 2021-2022, após a eleição, na segunda-feira, do atual presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL). A Segunda Secretaria, que coube ao PT em um acordo para acalmar os ânimos, na Casa, foi definida em segunda votação.

Marilia Arraes perdeu o posto de candidata no acordo com o PSB
Marilia Arraes (PT-PE) precisou disputar, internamente, com candidato avulso do partido para ocupar a Segunda Secretaria da Mesa Diretora

A deputada Marília Arraes (PT-PE) venceu o correligionário João Daniel (PT-SE) por 192 votos a 168. A escolha dos cargos foi objeto de intensa disputa, motivada pela atitude de Lira, cujo primeiro ato no cargo foi anular a inscrição do bloco derrotado de Baleia Rossi (MDB-SP).

Pela definição anterior, anulada por Lira, Marília teria ficado com a poderosa Primeira Secretaria da Mesa Diretora. Após inúmeras reuniões, nas últimas 24 horas, o presidente da Câmara recuou e o incêndio foi apagado, com acordo no colégio de líderes que recolocou a oposição na Mesa.

Com a Mesa Diretora composta, Lira destacou um “fato inédito na Câmara dos Deputados”: de sete cargos, três serem ocupados por mulheres. Após o tumulto que causou com sua postura autoritária no primeiro dia, voltou a prometer que “as decisões serão colegiadas, e, para isso, esse equilíbrio é muito importante”.

Radical

No entanto, a definição da extremista e bolsonarista Bia Kicis para presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Casa provocou perplexidade e indignação entre parlamentares da oposição. “É inaceitável que uma parlamentar que prolifera fake news, que desrespeita e debocha das normas de combate à Covid-19, sente na cadeira de presidente da CCJ”, escreveu em redes sociais a deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ).

A deputada que comandará a mais importante comissão da Casa, ex-líder do governo no Congresso, participou e incentivou protestos antidemocráticos, e é investigada em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): o das fake news, que apura a participação de pessoas e organizações na disseminação de notícias falsas em massa, e outro que apura o financiamento de atos antidemocráticos.

Mesa Diretora

Após o acordo e votações, a Mesa Diretora da Casa terá a seguinte composição para o biênio 2021-2022:

Presidente: Arthur Lira (PP-AL);
1ª vice-presidência: Marcelo Ramos (PL-AM);
2ª vice-presidência: André de Paula (PSD-PE);
1ª secretaria: Luciano Bivar (PSL-PE);
2ª secretaria: Marília Arraes (PT-PE);
3ª secretaria: Rose Modesto (PSDB-MS);
4ª secretaria: Rosângela Gomes (Republicanos-RJ)