Dólar ultrapassa os R$ 5,76 em dia nervoso no mercado financeiro

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Publicado quarta-feira, 3 de março de 2021 as 15:43, por: CdB

Há meses, o agravamento da situação fiscal brasileira tem sido motivo de preocupação para os mercados, em meio a temores de que, num cenário de endividamento recorde, os gastos do governo no combate à crise pandêmica não sejam compensados.

Por Redação – de São Paulo

O dólar subia 1,68%, a R$ 5,7610 nesta quarta-feira, às 14h46, na máxima do dia. Investidores aguardavam a votação da PEC Emergencial no Senado, prevista para esta noite, depois que seu novo parecer, protocolado e lido em plenário na véspera, apresentou uma versão mais desidratada da proposta.

O Banco Central vendeu nesta terça-feira 5.100 contratos de swap cambial reverso, de oferta de até 12.000, e US$ 255 milhões em moeda à vista
O Banco Central vendeu dólares em contratos de swap cambial reverso, na tentativa de frear a alta no câmbio

Há meses, o agravamento da situação fiscal brasileira tem sido motivo de preocupação para os mercados, em meio a temores de que, num cenário de endividamento recorde, os gastos do governo no combate à crise pandêmica não sejam compensados com medidas de austeridade.

O dólar fechou o pregão anterior em alta substancial R$ 5,667, refletindo a notícia de aumento de tributação a bancos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e incertezas sobre a PEC Emergencial, em dia que contou uma forte pressão de compra que levou o Banco Central a vender mais de US$ 2 bilhões à vista no mercado.

Ibovespa

Na véspera, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que parte da depreciação recente do real não é justificada pelos fundamentos econômicos. Ele ressaltou que o país tem um volume grande de reservas internacionais que permite ao BC seguir atuando no câmbio sempre que achar necessário.

Ao longo do dia, o BC interveio no pregão em swaps tradicionais para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em junho e dezembro de 2021

O Ibovespa, por sua vez, caia 1% na mínima do dia, às 12h06, a 110.415,86 pontos e ampliou as perdas às 14h54 para 2,29%, aos 108.981 pontos. As ações da Petrobras, as mais relevantes do Ibovespa, também operavam em queda substancial após quatro dos 11 membros do conselho de administração da companhia informarem, na noite passada, que não aceitarão a recondução ao cargo na próxima assembleia geral extraordinária da estatal.

A decisão ocorre após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidir pela substituição do economista Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, no comando da estatal por críticas à política de preços da empresa. A troca foi interpretada por analistas financeiros como uma interferência do governo na estatal.

Crise complicada

As ações preferenciais (mais negociadas) da estatal caiam 3%, a R$ 21,33. As ordinárias (com direito a voto) recuam 2,73%, a R$ 21,31.

Em linha com o pensamento majoritário no mercado financeiro, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta manhã, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial possibilitará o pagamento do auxílio emergencial e precisa trazer compensações fiscais. O texto está pautado para análise do Senado e pode ser votado em dois turnos ainda hoje. Para Mourão, apenas com a aprovação de medidas compensatórias é possível dar a sinalização de compromisso fiscal do governo.

— Na minha visão, que coincide com a do ministro Paulo Guedes (da Economia), tem que haver compensações fiscais para qualquer, vamos dizer, benefício que seja colocado porque nós vivemos uma crise complicada. A crise fiscal do Brasil é dura — resumiu Mourão.