Donald Trump tacha inquérito de impeachment de ‘golpe’

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Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2019 as 11:40, por: CdB

Presidente dos EUA diz que investigação aberta contra ele “tira o poder do povo”. Secretário de Estado Mike Pompeo tenta impedir testemunhos de funcionários do governo americano no Congresso.

Por Redação, com DW – de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou na terça-feira como “golpe de Estado” o inquérito de impeachment contra ele.

Trump:
Trump: “À medida que me informo, chego à conclusão de que o que ocorre não é um impeachment, é um golpe”

O procedimento visa apurar se o republicano pressionou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para que este apoiasse investigações contra Hunter Biden, filho do pré-candidato democrata à presidência Joe Biden. A pressão teria ocorrido durante um telefonema no final de julho.

– À medida que vou me informando mais e mais, a cada dia, chego à conclusão de que o que está ocorrendo não é um impeachment, é um golpe – escreveu Trump em sua conta no Twitter. Segundo ele, a medida se destinaria a “tirar o poder do povo, seu voto, suas liberdades, sua Segunda Emenda, religião, Forças Armadas, muro fronteiriço e seus direitos outorgados por Deus”.

Os comentários foram feitos depois de o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciar que tentará impedir ou adiar o testemunho de cinco ex-funcionários do Departamento de Estado na investigação na Câmara dos Representantes.

Pompeo enviou uma carta ao Congresso classificando a intimação da Câmara feita a ele e a outros diplomatas de “tentativa de intimidação, perseguição e uma forma imprópria de tratar renomados profissionais do Departamento de Estado”. Ele acrescenta que fará todo o possível para dificultar o fornecimento de documentos e o testemunho de cinco diplomatas, incluindo antigos e atuais funcionários do governo, no âmbito do inquérito de impeachment contra Trump.

No entanto, os democratas conseguiram marcar para esta quinta-feira interrogatórios a portas fechadas com o antigo enviado especial dos EUA para a Ucrânia Kurt Volker e, para a próxima semana, com a ex-embaixadora americana Marie Yovanovitch. Ambos os diplomatas estiveram diretamente envolvidos no caso da Ucrânia.

Este foi o primeiro grande choque no inquérito de impeachment, devendo aumentar as disputas políticas e legais em torno de Trump, que luta para salvar sua presidência.

Democratas que atuam no inquérito contra Trump na Câmara dos Representantes alertaram que seria ilegal o secretário de Estado tentar proteger Trump, impedindo testemunhos ou intimidando os convocados a depor no Congresso.

A troca de acusações ocorre um dia depois de ter sido revelado que o próprio Pompeo estava na linha telefônica durante a chamada de julho entre Trump e Zelensky. A conversa entre os dois líderes, denunciada por um funcionário do governo cuja identidade não foi revelada, motivou a abertura do inquérito na Câmara dos Representantes.

“Agora, o secretário Pompeo é testemunha no inquérito de impeachment”, apontaram, em nota, três democratas que presidem comitês da Câmara dos Representantes: Adam Schiff, do Comitê de Inteligência; Eliot Engel, do de Relações Exteriores, e Elijah Cummings, do de Supervisão.

Os três poderosos deputados democratas intimaram Pompeo e o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, para entrega de documentos ao inquérito, além de terem convocado os cinco diplomatas a testemunharem.

Trump pediu ajuda da Austrália

O governo da Austrália confirmou na terça-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, buscando informações sobre o que motivou a investigação sobre a interferência russa nas últimas eleições americanas de 2016, comandada pelo ex-procurador especial Robert Mueller.

Mueller investigou se a Rússia teria ajudado a campanha eleitoral do republicano em 2016. Trump sempre negou as acusações de conluio e tachou as apurações de “caça às bruxas”. O inquérito foi encerrado em março e levou à condenação de vários colaboradores do atual presidente, por obstrução de justiça e perjúrio, entre outros crimes.

Às vésperas das eleições de 2020, porém, Trump afirma que o inquérito e suas revelações seriam fruto de uma “conspiração”, tendo ordenado o Departamento de Justiça a investigar a existência de ilegalidades nas investigações de Mueller.

O jornal The Washington Post noticia que o secretário americano de Justiça, William Barr, pediu pessoalmente ajuda a representantes de serviços secretos estrangeiros, incluindo do Reino Unido e da Itália, na investigação sobre o inquérito do “Russiagate”.

Interações de Trump com líderes estrangeiros, e o papel de Barr nessas discussões, estão sob escrutínio intensificado, agora que a Câmara dos EUA iniciou um inquérito de impeachment contra o presidente.

A abertura do processo foi motivada por um telefonema de Trump com o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, em julho. revelado por um oficial de inteligência da CIA. Na conversa, Trump pressionou o ucraniano por ajuda, pedindo uma investigação contra um rival político: o pré-candidato democrata à presidência Joe Biden.

No telefonema com Morrison, Trump pediu ao australiano para cooperar com o secretário William Barr, de acordo com The New York Times. A conclusão da reportagem, baseada em informações de dois funcionários não identificados do governo americano – é que Trump e Barr tentam descredenciar os resultados da investigação de Mueller.

Uma porta-voz do governo da Austrália confirmou que o telefonema aconteceu, sem dar detalhes sobre a data nem o conteúdo da ligação: “O governo australiano sempre esteve disposto a ajudar e cooperar com os esforços que ajudem a esclarecer assuntos que são investigados. O primeiro-ministro confirmou esta disposição mais uma vez em conversa com o presidente.”

Segundo a emissora australiana ABC, a conversa entre Trump e Morrison transcorreu antes da visita do premiê australiano aos EUA, onde se reuniu com o presidente americano em Washington e Ohio, em 21 e 22 de setembro.

Casa Branca

De acordo com os funcionários do governo ouvidos pelo New York Times, a Casa Branca tentou ocultar a existência da conversa, restringindo o acesso à transcrição da comunicação entre ambos os líderes, a exemplo do que fez com a polêmica ligação entre Trump e o presidente da Ucrânia.

Na conversa com Morrison, também se destaca o fato de Trump considerar o secretário de Justiça um de seus principais aliados para desacreditar a investigação de Robert Mueller. No entanto, o Departamento de Justiça chefiado por Barr deveria realizar a investigação independente do poder Executivo.

A investigação sobre a suposta interferência russa nas eleições americanas começou após um funcionário da campanha de Trump revelar o incidente a um diplomata australiano em Londres.

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