Drama, justiça brasileira repatria criança de 3 anos sem ouvir a mãe

Arquivado em: Arquivo CDB, Boletim, Destaque do Dia, Direto da Redação, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 18 de setembro de 2019 as 17:18, por: CdB

Não conheço a mãe da menina de 3 anos, que foi retirada às pressas de uma creche em Vitória, no Espírito Santo, e enviada para o pai em Amsterdã. Mas essa história dramática me tocou, porque – segundo conta a mãe desperada – teria sido decisão da justiça brasileira, a exigência da mãe sequer poder dizer adeus à sua filha no aeroporto, mesmo se, provavelmente nunca mais a verá.

Rui Martins, de Genebra:
Houve aplicação da Convenção de Haia nesse processo?

Não conheço os autos desse processo de sequestro de criança, mas se ocorreu como vai descrito, foi desumano. Se tudo isso ocorreu como vai abaixo relatado, precisa ser denunciado.  Se houve razões para esse procedimento, espero que seja explicado pela Justiça Fcderal.

Abro uma exceção neste Direto da Redação, para divulgar esse drama, pois quem sabe poderemos reverter a situação se houver bastante repercussão nas redes sociais e se outros jornais se interessarem. Peço aos emigrantes brasileiros em Amsterdã e advogados brasileiros lá na Holanda, ao Conselho de Brasileiros na Holanda junto à embaixada do Brasil, que procurem obter mais pormenores. Trata-se de um questão concreta de direitos humanos, caso tenha ocorrido como segue relatado pela própria mãe.

Há cerca de três anos, houve um caso semelhante na Alemanha – um menino foi retirado da mãe brasileira e acabou sendo colocado numa instituição de menores, pois o pai estava doente.

Segundo me informam, casos semelhantes têm acontecido com certa frequência com as emigrantes brasileiras, geralmente sem recursos e sem saberem o idioma local para se defenderem.

Depoimento da mãe, Ana Maria Lopes Monteiro

Sou mais uma Mãe brasileira, ue vivia na Holanda, em Haia, e que buscou como último recurso a proteção da justiça brasileira para não ser separada da sua bebê de 3 anos.

Mas a Juíza Federal MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND da 5. Vara Civil Federal do Espírito Santos determinou a repatriação em tempo recorde, da minha única filha, de 3 anos, brasileira, para a Holanda, sem nem se quer ter me dado a chance de ser ouvida numa audiência e de entrar com os recursos que o sistema jurídico brasileiro confere a todos os brasileiros.

Na fase de instrução processual a Juíza decidiu por devolver em tempo recorde a minha filhinha ao pai alemão para a Holanda, onde ele reside com a sua namorada e o filho dela de 8 anos.

Numa operação de caça a bandido, junto a Polícia Federal, minha filha de 3 anos foi buscada e aprendida na creche onde estudava, numa operação que envolveu 2 oficiais de justiça e 5 policiais federais.

Levaram a minha filha sem sequer me dar a chance de me despedir dela. Só permitiram que a creche me avisasse, depois que ela foi levada de lá por volta das 15.40 horas e retida na repartição da Polícia Federal do aeroporto de Vitória até o voo deles partirem.

Tudo isso para evitar o contato mãe e filha antes dela ir embora. Foi uma operação policial para prender bandido, mas era para separar uma criança de 3 anos de sua mãe, que não estava fugida, tinha endereço certo e conhecido, minha filha fazia ballet, natação e tinha contato diário com o pai.

Sou uma mãe que fez durante 10 anos tratamentos muito invasivos para engravidar desta única filha que envolveram 5 cirurgias, uma gravidez de alto risco com 2 internações e 11 semanas de repouso absoluto para trazer ao mundo a minha tão desejada menina com saúde aos 39 meses de gestação.

Foram 10 anos lutando para segurar em meus braços a minha tão esperada, desejada e amada filha.

Quando minha filhinha tinha apenas 1 ano e 5 meses de idade, o meu ex-marido alemão, depois de 16 anos de casamento, me deixou por outra mulher, Waleska Bandeira, e começou a executar um plano friamente preparado em sua cabeça insana muito instruído por uma excelente advogada, já havia 8 meses, de separar minha filha de mim porque ele quer que a sua nova paixão, Waleska Bandeira, seja a mãe da minha filha e não eu.

Isso ele repetiu inúmeras vezes, inclusive em mediação na Holanda. Lutei de TODAS as formas que pude na Holanda, absolutamente sozinha falando mal holandês, para tentar evitar que ele conseguisse o seu objetivo final: separar fisicamente e emocionante mãe e filha.

Fui agredida fisicamente por ele, sofri todo o tipo de violência psicológica, coações, intimidações e ameaças. Ele fazia todo tipo de chantagem, manipulação e alienação parental para cortar o laço afetivo mãe e filha. Nunca fui ajudada em absolutamente nada na Holanda, em nenhum órgão que procurei.

Acabei com uma dívida de 35 mil Euros com uma advogada que não fez nada no meu processo, só me enganou, se aproveitando de uma mãe sozinha e desesperada longe de casa. Pedi assistência judiciária gratuita, mas me foi negada. Fiz TUDO para evitar que o plano tão anunciado do meu ex-marido se concretizasse: tirar minha filha de mim.

Meu ex-marido, Steffen Beyer, que tem muito dinheiro, com a ajuda dos melhores advogados na Holanda e no Brasil, e com a ajuda da Juíza Federal MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND conseguiu o que eu vinha lutando evitar desde fevereiro de 2017: separar mãe e filha, físico e emocionante, quebrar os laços, como o pai da criança sempre quis desde que ele se apaixonou por outra mulher e decidiu formar uma nova família com ela, mas para isso teria que me excluir da vida da minha filha como um objeto obsoleto, porque ele é um insano.

A Juíza MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND manteve a decisão dela em segredo de justiça para o meu advogado e para mim até que minha filha fosse levada da creche, me negando o direito até de me despedir dela.

A Juíza não me deu nem a chance de uma audiência para ouvir as partes, não pediu nem uma perícia psicossocial da minha filhinha e minha para entender melhor o caso, nem me informou os dados do voo que minha filha iria viajar, para me impedir de acompanhá-la ou para dificultar/impossibilitar o trabalho do advogado. Decidiu prontamente em tempo recorde numa ação brilhantemente coordenada com a polícia federal – entregar o meu bebê ao pai e às autoridades holandesas.

A busca e apreensão da minha filha foi tão triste que até os próprios oficiais de justiça choraram, uma oficial me disse que estava rezando por mim desde que soube da decisão da Juíza MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND.

Contactei a Dra. Claudia Grabois, que não era a minha advogada, por volta das 18.00 horas para socorrer a minha bebê. Dra. Claudia Grabois e sua equipe fizeram de TUDO o que puderam em tempo recorde para evitar que o meu bebê embarcasse para a Holanda. O Juizado de Menores no Aeroporto Internacional do Galeão segurou a minha filhinha o máximo que puderam até serem obrigados a liberá-la para embarcar para Holanda.

As diretoras do Centro de Educação Infantil Recriar, onde a minha filhinha estudava fizeram de TUDO para me ajudar de forma legal para suspender a decisão da Juíza. Desde implorar a advogada do pai, procurar advogados no Espírito Santo, me levar ao Juizado de Menores, escanear documentos pedidos pela dra. Claudia Grabois, ficaram na creche comigo para qualquer ajuda que eu precisasse até às 21.55 horas, horário que o voo, que levou minha filha embora de mim, partiu.

A dra. Claudia Grabois e sua equipe fizeram de TUDO. Mobilizaram até a torre de controle do Galeão.
Mas o meu ex-marido, seus excelentes advogados que agiram brilhantemente aqui e na Holanda, com a ajuda da Juíza MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND, que não me deu a chance nem sequer de ser ouvida em audiência e privou o meu advogado e a mim de saber do andamento do processo, que deve ser público para as partes, evitando assim que eu pudesse me defender, venceram: mãe e filha estão separadas!

Meus agradecimentos de coração a dra. Claudia Grabois, a melhor advogada do Brasil, mãe, humana, conhecedora da realidade das mulheres como eu e de seu DESAMPARO no exterior, e a crueldade e DESUMANIDADE de alguns Juízes brasileiros. Sei que a sra. fez tudo que pode, sem ser a minha advogada, informada do caso 3 horas antes do voo partir, até as portas do avião se fecharem para impedir que o meu bebê fosse tirado do Brasil.

O meu muito obrigada a Leilla e Kelly Milli, diretoras do Centro de Educação Infantil Recriar, onde a minha filha estudava, pela ajuda, pelo amparo, pela humanidade, pelo compromisso com os seus alunos e suas histórias individuais. Tenho certeza que minha filha foi muito feliz e bem cuidada por vocês e sua equipe e ela sentirá muitas saudades da creche. A melhor e mais humana creche que ja escutei falar.

Até quem sabe algum dia meu bebê! Você é minha vida, o ar que respiro. Estou pedindo muito a Nossa Senhora que te proteja. Como dizia você: “mamãe, te amo mamãe!”

Filha, aconteça o que acontecer um dia você vai saber que mamãe fez TUDO que ela pôde para nos manter juntas. Como você dizia: “mamãe, calma, respira!” Aprendeu na creche nas aulas de capoeira.
Assim como eu disse no hospital na minha gravidez de você, que era para salvar a SUA vida e não a minha, te digo agora, opto pela sua vida.

Te amo demais meu anjo! Obrigada por cada minuto que passamos juntas, desde que te senti pela primeira vez no meu ventre até quando nos abraçamos e beijamos na creche ontem quando te deixei no colinho da tia Geize.Meu anjo, minha filha amada!

A sra. juíza federal MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND e todos os que ajudaram o Olf Steffen Beyer, meu ex-marido, espero que durmam com suas consciências tranquilas, se é que vocês têm consciência!

A sra. juíza MARIA CLÁUDIA DE GARCIA PAULA ALLEMAND, conhecedora da Convenção de Haia e do meu processo sabe que serei presa se retornar à Holanda e nas melhores hipóteses depois de muitos meses conseguirei alguns encontros supervisionados com a minha filha e que perdi a guarda total dela na Holanda.

Nem a chance de um acordo multilateral entre os países signatários da Convenção de Haia a Sua Excelência me permitiu para que eu pudesse retornar à Holanda com todas as salvaguardas que a Convenção prevê.

Nem a chance de me escutar olho no olho para saber o que leva uma mulher de 42 anos, bacharel em direito, que tinha um emprego fixo na Petrobras Netherlands BV, abandonar tudo isso para se submeter a um processo da Convenção de Haia no Brasil,

Sua Excelência se interessou! A sra. decidiu o destino de uma criança como se decide um processo envolvendo cálculos, totalmente possível de ser revertido. O trauma que a sra. causará a minha filhinha será irrecuperável.

Espero que agora a polícia federal continue me monitorando para que esta mensagem chegue as seus olhos e aos olhos da imprensa.

A imagem pode conter: 1 pessoa
Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. É o criador do primeiro movimento internacional dos  nossos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *