‘E daí?’, dispara Bolsonaro ao escolher amigo do ’02’ para ministério

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Publicado domingo, 26 de abril de 2020 as 16:01, por: CdB

Embora tenha sido aconselhado pelo núcleo militar de seu governo a buscar um nome consagrado no mundo jurídico para o posto até então ocupado por nomes relevantes no meio, Bolsonaro preferiu um amigo da família.

Por Redação – de Brasília

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, o ex-PM e advogado Jorge Antônio de Oliveira Francisco foi escolhido pela família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ocupar a pasta da Justiça, em substituição ao ex-juiz Sergio Moro, que renunciou ao cargo na sexta-feira. A decisão de Bolsonaro foi confirmada pela rede norte-americana de TV CNN.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), ou Carluxo, como é conhecido, seria o comandante do 'Gabinete do Ódio'
O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), ou Carluxo, como é conhecido, seria o comandante do ‘Gabinete do Ódio’, amigo do novo diretor-geral da PF

Embora tenha sido aconselhado pelo núcleo militar de seu governo a buscar um nome consagrado no mundo jurídico para o posto até então ocupado por nomes relevantes no meio, Bolsonaro preferiu um amigo da família. Francisco concluiu o ensino médio no Colégio Militar de Brasília, em 1992, e ingressou na Polícia Militar do Distrito Federal, em 1993, onde chegou ao posto de major.

Passando à reserva, em 2013, Francisco cursou a faculdade de Direito no  Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e atuava como advogado no Distrito Federal. Antes de assumir um cargo próximo à Presidência, Francisco já convivia com os filhos de Bolsonaro e foi chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele chegou à Secretaria-Geral em junho do ano passado.

Ramagem

Ao demitir o delegado Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal (PF), o que desaguou na renúncia de Sergio Moro do ministério, Bolsonaro escolheu o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para chefiar a polícia.

A exemplo de Francisco, o delegado Ramagem contou com o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em foto publicada nas redes sociais, Ramagem aparece na festa de Réveillon ao lado do filho do presidente, apontado pela PF como um dos chefes do esquema ilegal de disseminação das notícias falsas que ajudaram na eleição do pai.

Em mensagem no Facebook, neste domingo, Bolsonaro foi questionado por uma mulher sobre o fato de Ramagem ser amigo de seus filhos.

Ameaça

“E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”, disparou.

Diante do comentário de outro internauta, sobre o vazamento de relatório da PF sobre o filho ’02’, Carlos, atuar de forma criminosa, Bolsonaro faz uma ameaça direta à democracia, por escrito.

“Só quando criminalizarem a liberdade de expressão você vai aprender”, frisou.

Chegaram a ser cogitados nomes como o do desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª região, mas Bolsonaro resistia a ideia de ter mais um ministro da Justiça com quem não tinha intimidade, como aconteceu com Moro.

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