Eduardo Bolsonaro fala em espécie de AI-5 caso esquerda radicalize

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Publicado quinta-feira, 31 de outubro de 2019 as 14:38, por: CdB

Declarações de Eduardo criticou sobre possível AI-5 gerou revolta entre políticos como Marcelo Freixo e Rodrigo Maia.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), afirmou em entrevista que o governo comandado pelo seu pai, Jair Bolsonaro, poderia lançar mão de um instrumento como o AI-5, adotado pela ditadura militar, caso a esquerda radicalize em sua atuação no país e destacou que seria “ingenuidade” não relacionar protestos populares que têm ocorrido recentemente em países vizinhos da América do Sul com o clima de confronto que ocorre no Brasil.

Eduardo criticou aqueles que acusam que tudo é culpa do governo Jair Bolsonaro
Eduardo criticou aqueles que acusam que tudo é culpa do governo Jair Bolsonaro

– Vai chegar a um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 60 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando executavam e sequestravam grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais e militares – disse, em entrevista com a jornalista Leda Nagle, veiculada no canal dela no Youtube nesta quinta-feira.

– Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. Uma resposta ela pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através do plebiscito, como ocorreu na Itália, alguma resposta vai ter que ser dada porque é uma guerra assimétrica, não é uma guerra onde você está vendo o seu oponente do outro lado e você tem que aniquilá-lo, como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno de difícil identificação aqui dentro do país, espero que não chegue a esse ponto, né, mas a gente tem que estar atento – completou.

O AI-5, o mais duro dos atos institucionais editados pela ditadura em 1968, cassou mandatos parlamentares e suspendeu garantias constitucionais, criando condições para que a repressão estatal aumentasse contra os cidadãos.

Eduardo criticou aqueles que acusam que tudo é culpa do governo Jair Bolsonaro.

– Tudo é culpa do Bolsonaro, percebeu? Fogo na Amazônia, que sempre ocorre —eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação—, culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa, culpa do Bolsonaro – disse.

Procurada, a assessoria do deputado não respondeu de imediato.

Na quarta-feira, Rodrigo Maia defendeu, durante o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Radiodifusão, a liberdade de expressão e de imprensa praticadas pelas empresas do setor como maneira de fortalecer a democracia contra o que chamou de “viralização do ódio através das fake news”. Nesta quinta-feira ele disse que “a apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo”.

Nota de Maia:

“O Brasil é um Estado Democrático de Direito e retornou à normalidade institucional desde 15 de março de 1985, quando a ditadura militar foi encerrada com a posse de um governo civil. Eduardo Bolsonaro, que exerce o mandato de deputado federal para o qual foi eleito pelo povo de São Paulo, ao tomar posse jurou respeitar a Constituição de 1988. Foi essa Constituição, a mais longeva Carta Magna brasileira, que fez o país reencontrar sua normalidade institucional e democrática. A Carta de 88 abomina, criminaliza e tem instrumentos para punir quaisquer grupos ou cidadãos que atentem contra seus princípios – e atos institucionais atentam contra os princípios e os fundamentos de nossa Constituição. O Brasil é uma democracia. Manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes, do ponto de vista democrático, e têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras. A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo”.

A deputada Maria do Rosário escreveu em rede social. “Está claro q este foi escalado p/ tirar o foco dos outros q vizinham com o escritório do crime e milicianos do Rio. Ele ñ fala por seu mandato pífio. Ameaça o país e a própria @camaradeputados q integra em nome da presidência da república. Ñ adianta ficar de desculpinhas depois”.

Já o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) pediu a casação do deputado.

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