Elizabeth II aprova a polêmica lei que proíbe caça à raposa

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Publicado quinta-feira, 18 de novembro de 2004 as 22:07, por: CdB

A lei que proíbe a caça à raposa com cachorros na Inglaterra e no País de Gales entrará em vigor em fevereiro de 2005, depois de a rainha Elizabeth II ter aprovado nesta quinta-feira essa legislação, que tornará ilegal um esporte com mais de três séculos de história.

O anúncio de que a Rainha tinha dado seu “consentimento real” à polêmica lei foi feito no final desta noite, na Câmara dos Lordes. A notícia foi recebida com aplausos pelos críticos da caça e com vaias pelos defensores dessa atividade.

Antes, o presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, conhecido como “Speaker”, invocou a chamada Lei Parlamentar, que obriga os Lordes, opositores da abolição da caça, a acatar a vontade da Câmara Baixa, majoritariamente a favor da lei do governo trabalhista.

Esse mecanismo, que é ativado pela quarta vez desde 1949, pôs fim a uma disputa entre pares e deputados, que durou vários anos.

Desta forma, prevalecerá a decisão da Câmara dos Comuns, que é democraticamente escolhida, diferente da dos Lordes, que não tem essa legitimação popular.

O governo trabalhista do primeiro-ministro Tony Blair já prometeu a proibição dessa prática quando chegou ao poder, em 1997. Mas a forte oposição dos Lordes e dos defensores da caça tem atrasado a tramitação do projeto de lei.

No entanto, a entrada em vigor da abolição, em fevereiro, poderia representar uma complicação para Blair, já que está previsto que sejam convocadas eleições gerais na próxima primavera ou verão (setentrional). Assim, a proibição pode lhe custar votos no campo.

O primeiro-ministro disse hoje que, durante os últimos dois anos, tentou “conseguir um compromisso e uma forma de avançar” para solucionar um controvertido assunto, no qual as partes defendem suas posturas “com paixão”.

O chefe do governo admitiu que a abolição da caça pode acarretar “uma série de ações jurírdicas” contra, algo que o grupo de pressão “Aliança do Campo”, defensor do tradicional esporte, já prometeu.

Nos últimos meses, o debate nacional sobre a caça à raposa se inflamou de tal forma que várias manifestações favoráveis a esse esporte aconteceram em todo o país.

O protesto mais famoso ocorreu em 15 de setembro, quando cinco ativistas defensores da caça à raposa entraram na Câmara dos Comuns enquanto era debatido o projeto de lei para proibir essa atividade.

Essa foi a pior violação da segurança no Parlamento britânico desde 1812, quando o então primeiro-ministro, Spencer Perceval, foi assassinado na Câmara Baixa.

A última manifestação aconteceu nesta tarde, quando cerca de mil manifestantes se juntaram em frente ao castelo de Windsor (arredores de Londres), onde Elizabeth II oferece esta noite um banquete de honra ao presidente francês, Jacques Chirac.

Os habitantes do campo inglês e galês sempre se opuseram à proibição deste polêmico esporte, pois a caça à raposa gera empregos e serve para controlar a reprodução deste mamífero, que costuma atacar a criação ovina e animais de granja.

Por outro lado, os críticos ao esporte, entre eles gupos defensores dos animais, denunciaram que essa atividade é cruel e desnecessária.