Em defesa da pluralidade e da educação para todo o Brasil

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Publicado quinta-feira, 26 de novembro de 2020 as 09:45, por: CdB

A pesquisa feita a partir do software de monitoramento Torabit retrata o processo de disseminação do preconceito e do discurso de ódio que marcam o Brasil e o mundo nos últimos 10 anos, espalhado principalmente através das redes sociais.

Por Thiago Modenesi – de Brasília

A pesquisa feita a partir do software de monitoramento Torabit retrata o processo de disseminação do preconceito e do discurso de ódio que marcam o Brasil e o mundo nos últimos 10 anos, espalhado principalmente através das redes sociais.

Os discursos de ódios, disseminados nas redes sociais, são cooptados por representantes políticos e ameaçam a pluralidade e educação do Brasil
Os discursos de ódios, disseminados nas redes sociais, são cooptados por representantes políticos e ameaçam a pluralidade e educação do Brasil

Esse discurso levou a eleição de presidentes em diversas nações a partir de plataformas populistas apoiadas em mentiras (Trump, Bolsonaro, Urban, Johnson, etc.) e acabam por tentar mudar o construído no que tange aos direitos humanos, educacionais, sociais ao implementar desmontes de políticas públicas a partir do discurso calcado em preconceito que operam.

Isso atinge diretamente a visão que o mundo, e nós mesmos, havíamos edificado sobre os brasileiros, sempre fomos tidos como um povo de visão ampla, plural e tolerante no geral. O que a pesquisa nos mostra não é isso, apresenta um Brasil já contaminado por essa nova onda, e isso põe em xeque, como dissemos, o processo educacional e as conquistas já obtidas nesse campo da sociedade e em outros.

Povo nativo

Ribeiro (2014) já nos apresentava em sua obra O Povo Brasileiro a opinião de que somos uma nação profundamente plural e miscigenada, tanto que chamou nosso povo nativo de “brasis” e aqui nesse livro retratou todo o processo de sincretismo social, cultural e antropológico.

Os próprios marcos legais que pautam a educação vem sendo rediscutidos, a compreensão desses, sua efetiva aplicação, em particular ganhando os pais, estudantes, professores e todos aqueles que estão na escola para o debate, é fundamental para fazer frente a onda conservadora que ameaça o até aqui conquistado, em particular quando tratamos de particularidades no processo educacional, como a educação especial que ainda requer maior consolidação do construído, e justamente por isso precisa ser mais protegida e defendida.

Insere-se nesse contexto e nesse debate o construído na Declaração de Salamanca, por exemplo, ao aclarar que a deficiência não constitui necessariamente sinônimo de necessidade especial, com isso colabora na perspectiva de combater as terminologias pejorativas, ou mesmo negativas, ao tratar as pessoas com algum tipo de deficiência.

Processo educacional escolar

É aqui que se insere a preocupação de estarmos construindo historicamente um processo educacional escolar com viés homogeneizante, ao fazer isso, tentando estabelecer um formato padrão para o estudante, e principalmente para o processo de aprendizagem, negamos o Brasil plural em que o mesmo está inserido, reforçando as diferenças, alargando o fosso entre os estudantes na escola, gerando uma segregação educacional.

Por isso, para planejarmos atividades que apontem o processo de ensino-aprendizagem numa perspectiva inclusiva se fazem necessárias políticas educacionais que absorvam a todos, respeitando as peculiaridades de cada aluno e buscando amplitude e pluralidade na edificação de valores, códigos, respeito entre os participantes e estímulo moral, como defendia Vygotsky (1994).

Em um momento complexo como esse que vivemos, defender, propagar e dialogar com o construído sobre educação inclusiva, inclusive nos textos legais, é proteger o Brasil colorido, plural, profundamente miscigenado e historicamente construído na herança histórica que dialoga com os povos mais variados e com os nossos nativos.

Nunca é demais lembrar que somos todos parte desse grande país, com todas as suas contradições e sua História, e que combater a onda conservadora que ameaça direitos precisa ser um movimento feito simultaneamente com a defesa do conquistado até o momento nas políticas públicas.

 

Thiago Modenesi, é licenciado em História, Especialista em Ensino de História e Ciência Política, Mestre e Doutor em Educação, é professor e pesquisador sobre charges, cartuns e histórias em Quadrinhos e editor do selo de histórias em quadrinhos Quadriculando, além de presidente do PCdoB em Jaboatão dos Guararapes/PE .

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil