Embora Temer negue, golpe militar é realidade a ser considerada

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Publicado terça-feira, 29 de maio de 2018 as 14:59, por: CdB

“A gente tem de manter canais para assegurar a democracia. Porque o risco (de um golpe militar) existe. É real”. A afirmação é do ex-chanceler brasileiro Celso Amorim. Ele alerta para as articulações de um grupo de ultradireita, para encerrar a democracia no país.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

Presidente de facto, Michel Temer afirmou, nesta terça-feira, não haver risco de um golpe militar no país; em decorrência da paralisação de caminhoneiros. O governo enfraquecido, no entanto, abre essa hipótese; na opinião do ex-chanceler Celso Amorim, entre outros líderes políticos.

O embaixador Celso Amorim, chanceler nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aponta para o risco de novas medidas totalitárias
Ochanceler nos governos Lula, aponta para o risco de um golpe militar

No Congresso, há uma medida aprovada para que Temer seja substituído, mediante votação no Plenário do Congresso; por Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara.

Golpe militar

Em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros em fórum de investimentos em São Paulo, nesta manhã, Temer disse ainda que a redução do preço do óleo diesel não irá reverter as reformas realizadas pela Petrobras; para garantir a independência da estatal. A política da empresa é considerada lesiva para o país e embala, a partir desta quarta-feira, uma greve dos petroleiros.

Mesmo aliados de Temer no Congresso e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em comentários com jornalistas e outros interlocutores, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil; afirmam que o governo atingiu um nível extremo de enfraquecimento político. Nenhum desses interlocutores descarta, em caso de piora na situação, o risco de o governo não se sustentar nos sete meses que faltam para uma possível eleição.

— Não creio que golpe militar no sentido clássico vá ocorrer; mas não posso descansar sobre isso. Primeiro porque o risco existe. E, se a gente não fizer nada, ele pode ocorrer — corroborou o ex-chanceler Celso Amorim, a jornalistas.

Democracia

Ainda segundo Amorim, “se for necessário ter uma conversa com o Alckmin, tem de ter”. O diplomata acredita que há o risco de uma facção de ultradireita agir no sentido de romper, integralmente, o Estado democrático no país.

— Como em 1967 ou 1968 se tentou ter a Frente Ampla, que ia do Jango ao Lacerda, era quem defendia a democracia. Com quem defender a democracia, ainda que com concepções um pouquinho diferentes do que significa democracia; é importante manter canais abertos — afirmou.

Amorim defende a união das forças progressistas em torno da luta pela liberdade do presidente Lula; e do seu direito de ser candidato.

— Sem perder essa característica, a gente tem de manter canais para assegurar a democracia. Porque o risco (de um golpe militar) existe. É real — concluiu.

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