Um empate que ainda favorece o adversário

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Publicado sexta-feira, 17 de julho de 2020 as 09:46, por: CdB

Bolsonaro não consegue satisfazer quase 70% da população (cálculo otimista com base nas últimas pesquisas), que tende a engrossar o caldo oposicionista. A oposição, assim constituída, se apoia nuns 30% da população que adota postura mais ativa (cálculo também aproximado).

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Bolsonaro não consegue satisfazer quase 70% da população (cálculo otimista com base nas últimas pesquisas), que tende a engrossar o caldo oposicionista.

Não basta empatar, é preciso impedir que o adversário use de seus poderes institucionais para seguir jogando
Não basta empatar, é preciso impedir que o adversário use de seus poderes institucionais para seguir jogando

A oposição, assim constituída, se apoia nuns 30% da população que adota postura mais ativa (cálculo também aproximado).

Outros quase quarenta por cento dos insatisfeitos não gosta do governo, mas ainda não enxerga alternativa. Sequer sabe o que a oposição propõe.

Assim, o jogo segue empatado e nenhum dos oponentes consegue fazer gols.

Errado.

Tudo bem que os dois times estejam na retranca, mas um deles – o governo – é o dono da bola e, nem tanto à sorrelfa, abertamente faz gols que contam para a sua agenda dita ultraliberal.

O novo marco do saneamento é um gol recente. O presidente o sancionou ontem.

Esse é o drama.

Não basta empatar, é preciso impedir que o adversário use de seus poderes institucionais para seguir jogando à sua maneira e conforme seus desígnios.

É aí que se mostra equivocada a tática de parte da oposição, situada mais à esquerda, que imagina um governo derretendo gradativamente num ambiente social e político que, mais dois anos e meio à frente, abrirá espaço para uma nova vitória das forças populares, o PT à frente.

Muito esquemático para caber na realidade concreta, que é mais dinâmica e terrivelmente contrária às necessidades e aspirações da maioria da população e, de quebra, ainda corroi as salvaguardas da soberania nacional.

Mesmo sem o ritmo e a intensidade desejada, o governo Bolsonaro segue fazendo seus estragos.

A parte mais consciente, digamos, da oposição, que se amplia para além de partidos e já agrega segmentos diversos da sociedade, tem diante de si, a tarefa imediata de conquistar o apoio dos mais de trinta por cento insatisfeitos, porém semiparalisados.

Um movimento amplo, ativo e continuado de defesa do Estado Democrático de Direito e de salvação nacional pode repor a bola em jogo e passar à ofensiva.

Se tiver base de massas.

Plano Emergencial

E essa base pode ser conquistada através de um Plano Emergencial em defesa da vida, de socorro à população mais empobrecida, mantendo a ajuda emergencial de R$ 600, e da retomada da economia nacional, apoiando as micro, pequenas e médias empresas, essenciais à geração de empregos e realizando investimentos públicos em infraestrutura que alavanquem as atividades industriais.

Em contraposição ao receituário de Bolsonaro-Guedes, tais medidas haverão de ser sustentadas pelo Banco Central mediante a compra de títulos do Tesouro.

Eis um bom mote para o debate e para impulsionar a ampla frente oposicionista e alterar a correlação de forças.

 

Luciano Siqueira, é médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB.

 As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil