Empresariado que apoia Bolsonaro reage às medidas contra covid-19

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Publicado quinta-feira, 8 de abril de 2021 as 16:42, por: CdB

No cardápio, além de champanhe e camarão, o negacionismo habitual do presidente regou o butim. O mandatário negacionista reafirmou que não haverá um “lockdown (confinamento) nacional” e atacou as medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos.

Por Redação, com RBA e BdF – de São Paulo

No jantar entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na noite passada, e integrantes do alto empresariado brasileiro, em uma casa nos Jardins, bairro nobre da cidade de São Paulo, ficou claro que parcela substancial do Produto Interno Brasileiro (PIB) é contrário às medidas de combate à covid-19. Os mais de 340 mil brasileiros mortos pela pandemia não tiraram o apetite dos homens de negócios.

Ministros e empresários reuniram-se, na noite passada, com o presidente Bolsonaro

No cardápio, além de champanhe e camarão, o negacionismo habitual do presidente regou o butim. O mandatário negacionista reafirmou que não haverá um “lockdown (confinamento) nacional” e atacou as medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos. Falou também sobre o “tratamento imediato”, novo nome para o kit com remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19, entre eles a cloroquina; além de defender a abertura de templos e igrejas.

A pauta da noite era uma “agenda positiva, nada de críticas”, disse o empresário Washington Cinel, dono da companhia de segurança Gocil e anfitrião do evento. Na prática, no entanto, tratou-se de uma reação à carta aberta de centenas de economistas neoliberais, empresários e banqueiros divulgada há pouco mais de duas semanas com críticas à “negligência” do governo federal no combate ao novo coronavírus.

Sem imprensa

Estiveram presentes nomes de peso do setor financeiro, como o presidente do Banco Safra, David Safra; o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco, e o fundador do BTG Pactual, André Esteves. Também participaram nomes ligados à construção civil, planos de saúde, indústria farmacêutica, veículos de comunicação e varejo, totalizando 25 empresários. Do lado do governo, foram convocados os ministros Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Fábio Faria (Comunicações).

O encontro foi fechado, sem a presença da imprensa. Mas, de acordo com relatos publicados nos principais jornais do país, o tom foi amistoso, ignorando a realidade da maioria do povo brasileiro, espremida entre o medo do vírus e da fome. Os empresários, contudo, se abstiveram de criticar as ações (e a falta delas) no enfrentamento da covid-19. E elogiaram o programa de vacinação, segundo a revista Veja, apesar de apenas 10% da população ter sido imunizada até o momento.

Da mesma forma, o diário conservador paulistano Folha de S.Paulo registrou o ambiente de “otimismo”, e disse que Bolsonaro foi “ovacionado” pelos empresários ao defender a manutenção do teto de gastos. Também o aplaudiram quando elogiou o seu “Posto Ipiranga” (o ministro da Economia, Paulo Guedes), apesar de o litro da gasolina beirar atualmente os R$ 6 na maioria das capitais do país.

‘Autenticidade’

De acordo com o diário setorial Valor Econômico, o presidente foi elogiado pelos presentes, que disseram faltar compreensão por parte do público e da imprensa para entender o quanto Bolsonaro é “autêntico”.

— Não existe terra melhor do que essa! — exclamou Bolsonaro, destacando que “os investidores estão estão acreditando no Brasil”.

E foi adiante:

— Imagina se o (Fernando) Haddad tivesse ganhado a eleição? O Brasil teria afundado. Se os atuais presidenciáveis tivessem no meu lugar, tinha virado o caos social. Falam mal de tudo que eu faço. A única coisa que a imprensa ainda não disse de mim é que eu sou boiola — provocou, em mais uma demonstração de “autenticidade”, de acordo com seus apoiadores.

Na claque, não faltaram demonstrações de apoio, como a declaração de um dos presentes, que fez questão de frisar: “Estamos com o senhor. O Brasil não volta para ladrão e vagabundo”. Já o dono das lojas de varejo Riachuelo, Flávio Rocha, foi mais longe.

— Vamos te dar apoio — disse, depois de pedir celeridade na aprovação de mais “reformas econômicas”.

Segundo levantamento do site de notícias Brasil de Fato (BdF), a lista de presentes era composta por:

Alberto Leite, da FS Security;
Alberto Saraiva
, do Habib’s;
André Esteves, do BTG Pactual;
Candido Pinheiro, da Hapvida;
Carlos Sanchez, da EMS;
Claudio Lottenberg, da Confederação Israelita do Brasil e Hospital Albert Einstein;
David Safra, Banco Safra;
Flávio Rocha, da Riachuelo;
João Camargo, do Grupo Alpha de Comunicação;
José Isaac Peres, da Multiplan;
José Roberto Maciel
, do SBT;
Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco;
Ricardo Faria, da Granja Faria;
Rubens Menin,
da MRV, CNN e do Banco Inter;
Rubens Ometto,
da Cosan S.A.;
Tutinha Carvalho,
da Jovem Pan;
Wasington Umberto Cinel
, da Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda.