Os empresários e a cruzada macabra de Bolsonaro

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Publicado terça-feira, 12 de maio de 2020 as 09:54, por: CdB

As circunstâncias do encontro dos empresários com Bolsonaro é algo que não está claro. Teriam sido convidados com o objetivo de que tal encontro transparecesse como um apoio ao Presidente? Solicitaram o encontro para debater a crise econômica?

Por Jorge Gregory – de Brasília

As circunstâncias do encontro dos empresários com Bolsonaro é algo que não está claro. Teriam sido convidados com o objetivo de que tal encontro transparecesse como um apoio ao Presidente? Solicitaram o encontro para debater a crise econômica?

Bolsonaro, minstros e empresário marcham em direção ao STF
Bolsonaro, minstros e empresário marcham em direção ao STF

Particularmente não vejo nada de anormal quanto à ocorrência da audiência. Posso talvez até não concordar com a pauta dos empresários industriais, mas acho absolutamente legítimo que os mesmos procurem estabelecer uma interlocução com o governo, uma vez que também sofrerão as consequências da crise econômica decorrente da epidemia e seu futuro estará nas mãos das políticas governamentais que venham a ser adotadas. Mas como tal encontro foi parar no STF?

Achar que foi uma atitude calculada para encurralar Dias Toffoli é superestimar o personagem tosco que ocupa a cadeira presidencial. Uma coisa eram os objetivos dos empresários, outra coisa é o que Bolsonaro entendeu do encontro. Se os empresários apresentaram alguma pauta com certeza esta não foi debatida, pois Bolsonaro não entende nada de economia. Melhor, não entende nada de nada.

Há quem afirme que, pela sua formação, ele adota estratégias militares de combate. Isto é um grande equívoco. Bolsonaro foi um péssimo militar. Se há uma coisa que ele absorveu da Academia Militar, é que, em determinadas circunstâncias, a melhor defesa é o ataque. No entanto, tal orientação, no caso do Capitão, é aplicada em qualquer circunstância, o que demonstra que se tal prática decorre de seu aprendizado na caserna, nem isso assimilou devidamente. A única coisa que realmente impressiona na sua carreira militar é como um sujeito incapaz como ele conseguiu obter a patente de Capitão.

A Constituição

Sua capacidade intelectual é absolutamente limitada, seu raciocínio totalmente obtuso e suas atitudes impulsivas. Ninguém melhor definiu Bolsonaro em relação a esse episódio do que Flávio Dino ao afirmar que “Essa ridícula e inédita ‘marcha sobre o Supremo’ ratifica que Bolsonaro não tem a menor noção de como funcionam a Constituição, a forma federativa de Estado e a relação entre os 3 Poderes. Já se imagina um ditador. Não será.”

Concordo plenamente com o Governador, pois Bolsonaro não pretende dar um golpe de Estado e se tornar um ditador. Ele já se imagina um ditador. E já se imagina ditador, pois, em que pese ter passado 28 anos na Câmara dos Deputados, se alguma vez leu a Constituição, não entendeu absolutamente nada, em especial no que diz respeito à organização do Estado. Na verdade, alguém que afirma “eu sou a Constituição” não sabe sequer o que é uma Constituição.

Desvios de personalidade e caráter

Uma figura com tais limitações intelectuais e de evidentes desvios de personalidade e caráter, um completo analfabeto funcional, diante da sua própria incapacidade de enfrentar os problemas que se colocam, não consegue senão ver conspirações contra si. Não só é incapaz de ler um texto e entendê-lo, como também é totalmente incapaz de interpretar a realidade. Já afirmei em outras oportunidades e volto a repetir, na cabeça doentia deste indivíduo, a covid19 é uma gripezinha que foi transformada em pandemia pela mídia conspiradora para derrubá-lo.

Dessa forma, qualquer medida de combate à epidemia que venha a ser tomada, por quem quer que seja, demonstra o reconhecimento de que a epidemia existe. Quem a reconhece está aderindo à conspiração e quem adere à conspiração é inimigo. Assim, a mídia é inimiga, os governadores são inimigos, os prefeitos são inimigos, Mandetta virou inimigo, Toffolli, Maia, Alcolumbre são inimigos e a cada dia a lista cresce.

Nesta linha de raciocínio, qualquer que tenha sido a intenção e a pauta levada pelos empresários ao Palácio do Planalto, inevitavelmente foi interpretada pelo inapto como um ato de apoio à sua guerra contra os governadores e prefeitos que aderiram à conspiração e adotaram medidas de isolamento social. Quem assegurou que tais conspiradores tinham legitimidade para adotar tais medidas foi o conspirador do outro lado da Praça dos Três Poderes, o presidente do Supremo. Dessa forma, Bolsonaro quis mostrar à sua nova plateia que era macho e carregou os empresários para mostrar-lhes como enfrentava o inimigo, acreditando, provavelmente, que com tal demonstração de força faria o presidente do STF recuar e rever a determinação de que os governadores e prefeitos tinham autonomia para estabelecer as medidas de combate a covid-19.

A manobra tresloucada

Felizmente Toffoli não se deixou intimidar e respondeu à altura. A manobra tresloucada do Capitão foi um rotundo fracasso, mas infelizmente não se pode esperar de uma mente doentia e limitada que tenha compreendido isso. Pelo contrário, vendo que seus bolsopatas estão tendo orgasmos com a atitude, deve estar achando que emplacou uma grande vitória.

Constrangidos devem estar (ou deveriam) os empresários que foram confundidos por Bolsonaro com a legião de fanáticos idiotizados que o seguem. Constrangidos devem estar por terem sido envolvidos por alguém que se mantém numa cruzada macabra que resultará em milhares de mortos e colocará o país, na melhor das hipóteses, como o segundo de maior mortalidade em decorrência da epidemia.

Espera-se que tais empresários e os demais a quem representavam, tenham entendido que deste governo não se pode esperar nada senão que conduza o país a uma carnificina e também a um desastre econômico de grandes proporções. Espera-se que tenham compreendido que se faz urgente remover do poder este indivíduo, antes que as consequências de seus delírios sejam irreversíveis.

Jorge Gregory, é jornalista,  professor universitário, trabalhou no Ministério da Educação (MEC).

 

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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