Encontro com a Ditadura, 5- Recado aos evangélicos e presbiterianos

Arquivado em: Arquivo CDB, Boletim, Destaque do Dia, Direto da Redação, Últimas Notícias
Publicado domingo, 31 de março de 2019 as 07:33, por: CdB
Unindo-se à nostalgia do presidente Bolsonaro, o Direto da Redação e o Náufrago da Utopia revisitam O GOLPE DE 1964 e os 21 ANOS DE DITADURA.
Participe você também desta jornada de recordações. Conte como viveu os dias do Golpe e o que representaram na sua vida. Iremos publicando à medida que formos recebendo.
Um lembrete aos pastores evangélicos e presbiterianos neste 31 de março

Depoimento do jornalista Rui Martins

A Igreja Presbiteriana participou da caça aos esquerdistas, no Golpe de 64

ENCONTRO COM A DITADURA
Um lembrete aos pastores evangélicos e presbiterianos neste 31 de março

Muitos de vocês, provavelmente por serem mais jovens e não conhecerem a história da igreja no Brasil, irão agradecer a Deus pelo Golpe de 1964.
Será triste! Primeiro porque a Igreja não deveria ter se metido nesse tipo de questões, mas principalmente porque a Igreja Presbiteriana e outras denominações “protestantes” foram alvo de devassas pela Ditadura e em algumas delas, como a Presbiteriana, durante a direção do pastor Boanerges Ribeiro, presidente do Supremo Concílio, houve mesmo um processo de denúncias e caças a pastores e membros considerados de esquerda.
A Igreja Presbiteriana do Brasil tem mesmo um mártir, o irmão do pastor James Wright, co-autor com d. Paulo Evaristo Arns, do livro documento Brasil Nunca Mais.
É Paulo Wright, filho de missionários presbiterianos no Brasil, morto na tortura, no Doi-Codi.
Talvez fosse melhor, em lugar de comemorar os assassinatos cometidos pela Ditadura, lembrar o sacrifício de tantos evangélicos mortos, torturados, exilados e pastores demitidos durante o período da Ditadura.

Paulo Stuart Wright, irmão de James Wright coautor do Brasil Nunca Mais, filho de missionário presbiteriano, assassinado no DOI-CODI.

O Deus, o Cristo que aprendi na Escola Dominical e na Igreja Presbiteriana, onde fui mesmo presidente da União da Mocidade Presbiteriana de Santos, não aprovaria jamais a inquisição instaurada na Igreja Presbiteriana durante os anos sombrios da Ditadura.

Em lugar de comemorar, seria melhor pedir perdão a Deus por ter a igreja aprovado na época o processo de prisões, caça e assassinatos de crentes.
O Deus e Cristo que aprendi na Escola Dominical era um Deus de amor e de justiça. O tempo pode passar mas as memórias das vítimas clamarão sempre por justiça.
Rui Martins.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *