Encontro com a Ditadura – venha participar

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Publicado quinta-feira, 28 de março de 2019 as 14:46, por: CdB

Unindo-se à nostalgia do presidente Bolsonaro, o Direto da Redação e o Náufrago da Utopia revisitam O GOLPE DE 1964 e os  21 ANOS DE DITADURA. Venha participar!

Uma promoção conjunta do Direto da Redação com o Náufrago da Utopia

Vamos comemorar com o presidente Bolsonaro os 21 anos de Ditadura, iniciados com o Golpe de 64

ENCONTRO COM A DITADURA. VENHA PARTICIPAR!
Unindo-se à nostalgia do presidente Bolsonaro, o Direto da Redação e o Náufrago da Utopia vão revisitar O GOLPE DE 1964 E OS 21 ANOS DE DITADURA

Participe você também desta jornada de recordações. Conte como viveu os dias do Golpe e o que representaram na sua vida. Iremos publicando à medida que formos recebendo.

MELHOR AINDA – E se todos vocês somarem forças com o Direto e o Náufrago nessa exegese do Golpe de 64?

Convite ao Encontro com a Liberdade, 9 de janeiro de 1967, em São Paulo, na Sucursal da UH-Rio, na rua São Luís

Como? Publicando nos seus jornais, blogs e sites, o que puder reunir/produzir sobre o assunto: textos e áudios, documentos, músicas, vídeos, etc., e enviando tudo aos seus endereços de amigos, não esquecendo de repassar para o Direto ([email protected]) e o Náufrago ([email protected]).

Exemplos: relatos sobre seu medo de ser preso ou como foi preso, episódios relativos a seus amigos presos ou desaparecidos, como seu jornal passou a ser controlado pelos censores, a família dividida, as pessoas próximas que tiveram de deixar o Brasil em função do risco de serem presas.

Enfim, experiências pessoais que, decerto, reavivarão em nosso presidente as lembranças dos anos de chumbo. Recordar é viver…

Se você não corre risco de perder o emprego ou ser preso, envie-nos sua adesão a esta comemoração. Publicaremos o nome dos apoiadores e participantes que nos autorizarem a fazê-lo, respeitando escrupulosamente o sigilo dos que preferirem permanecer incógnitos.

O jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975, pelo Doi-Codi, em São Paulo

IMPORTANTE: ESTA INICIATIVA CIDADÃ NÃO ESTÁ LIGADA A PARTIDOS, NEM ACEITAREMOS QUE ALGUM PARTIDO TENTE APROPRIAR-SE DELA. (Texto unificado com o Náufrago da Utopia)

LEMBRANÇA 1Autor Apóllo Natali – Jornalista na Agência Estado, já falecido.

O COMOVENTE TRIBUTO DE APOLLO NATALI À “ANGÉLICA DA PRAÇA DE MARÇO”

“Quem é essa mulher

que canta sempre este estribilho:
Só queria embalar meu filho
que mora na escuridão do mar?”
 (Chico Buarque)

Mais um março chegou e todo o março que chega reaviva o de 1964, de opressivas lembranças.

Até Chico Buarque lançar a canção “Angélica”, poucos conheciam a história que a memória deste março traz à tona, da mãe brasileira que teve seu filho torturado e morto pela ditadura de 64 e seu corpo jogado no mar.

Em 1971, em plena ditadura, o filho da estilista Zuzu Angel, Stuart Angel, militante do MR-8, já muito debilitado pelas torturas, foi amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica e arrastado com a boca colada ao cano de descarga do veículo. O corpo foi atirado no mar.

Zuzu Angel denunciou incansavelmente o assassinato e a ocultação do cadáver de Stuart. Invadiu tribunal militar e lá gritou valentemente sua revolta de mãe. Foi vítima fatal de um acidente automobilístico suspeito, em 1976.

Chico Buarque, amigo a quem ela escrevera carta levantando a possibilidade de ser também assassinada pelos militares, homenageou-a com “Angélica”, lançada em 1981, quando o Brasil começava a desmontar a engrenagem repressiva dos chamados anos de chumbo.

Quantas mães não puderam embalar seus filhos torturados e mortos pelos EUA e seus acumpliciados planeta afora? Tantas mães e filhos, tidos como obstáculos à marcha dos legionários americanos e seus cúmplices a varrer democracias do mapa e barrar tentativas de reformas sociais em favor dos oprimidos. Em troca do quê? Unicamente de deixar suas empresas firmemente no comando pelo mundo e garantir lucros e remessas para o exterior.Foi num março, o de 1964, que começou a fascistização implacável do Brasil. Fascismo, teu nome é autismo social, indiferença aos clamores e direitos populares, enfermidade a se espalhar ainda hoje no sangue da nação. Passado meio século, este março de 2015 nos adverte que nossa democracia se chama restos mortais da ditadura.

A par da indignação e espanto com as torturas e mortes que todo março nos traz à memória, há uma lição a ser revista em todos os marços vindouros: entender que, em sua semeadura universal de ditaduras brutais e corruptas –em troca tão somente do lucro das empresas estadunidenses–, assassinos e torturadores, com seus métodos não muito agradáveis, eram sempre bem-vindos nos países cujos governos eram subservientes aos EUA.

E bem-vindos foram, por exemplo,, no Brasil. Encontraram aqui terra fértil ao plantio do fascismo e aplicados aprendizes da tortura.

Quantos marços passarão até se aprender que terroristas são eles e não alguns poucos milhares de combatentes da liberdade, que lutaram contra o arbítrio por um ideal de justiça e por solidariedade para com os explorados e oprimidos –entre os quais Stuart Angel?Todo março é mês de se lembrar que em El Salvador e na Guatemala, não houve apenas matança comum. O principal componente lá foi a tortura brutal e sádica, batendo bebês contra pedras, pendurando mulheres pelos pés com os seios cortados e pele do rosto escalpelada, para sangrarem até a morte, ou cortando cabeças e colocando-as em estacas.

A sensível homenagem de Chico Buarque à estilista…

Quantos marços vão chegar até se aprender que o objetivo dos EUA, com suas carnificinas, foi sempre o de esmagar qualquer verdadeira democracia e sufocar o mais leve suspiro de liberdade, em troca de alguns trocados que nem chegam a beneficiar a sua própria população pobre e oprimida?

Mães brasileiras não fizeram panelaços nas praças de Março por seus filhos assassinados, como fizeram as mães argentinas na Plaza de Mayo. Na ditadura brasileira houve torturas e mortes mais estripadoras do que no caso de Stuart Angel.

Mas nenhuma outra mãe Zuzu gritou como ela, onde e por quê. As Zuzus do mundo queriam apenas embalar seus filhos e tirá-los da escuridão do mar. Como as próprias mães estadunidenses, que tiveram seus filhos mortos em guerras longínquas por pão e banana.

…e o filme dirigido por  Sérgio Rezende, completo.
Toque do editor: na série de artigos alusivos aos 55 anos do Golpe de 64 que o blog está publicando desde 2ª feira, não poderia faltar a participação do inesquecível colaborador (e meu amigo querido ao longo de três décadas) Apollo Natali. 
Até o final de sua vida, octogenário, o Apollo continuava não se conformando com os horrores que viu serem impostos ao povo brasileiro durante os anos de chumbo.
 
Dentre uma meia-dúzia de crônicas e artigos que cumpririam bem tal papel, escolhi esta evocação do monstruoso assassinato de mãe e filho, não só por haver sido um dos grandes textos do Apollo, mas pelo valor sentimental que possui para mim.
 
É que, tendo lançado meu primeiro blog (Celso Lungaretti — O Rebate) em 14 de janeiro de 2007, logo no dia seguinte publiquei tal crônica do Apollo, a primeira de mais de uma centena de preciosidades de sua autoria que tive o privilégio de postar n’O Rebate e no Náufrago
(Envie também seu texto para ser publicado neste espaço durante esta semana do Encontro com a Ditadura, inspirada pelo presidente Bolsonaro)

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