Encontro controverso de Manuela D’Ávila e general ganha as redes sociais

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 18 de julho de 2018 as 19:58, por: CdB

O militar, a despeito de um objetivo ainda não inteiramente esclarecido, tem convidado os principais candidatos ao Planalto para conversar sobre as ações que determinarão, caso eleitos, o destino das Forçar Armadas.

 

Por Redação – de Brasília

 

O convite aceito para um encontro entre a pré-candidata do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Manuela D’Ávila, à Presidência da República e o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi o estopim para a controvérsia que ganhou as redes sociais, nesta quarta-feira. Em uma foto que beira o constrangimento histórico, D’Ávila registrou o encontro em sua linha do tempo, no Twitter. Embora tenha retirado a publicação, uma cópia já havia sido distribuída, à larga, pela internet.

O general Villas-Bôas e o ex-prefeito Haddad, representando o ex-comandante-em-chefe das Forças Armadas, Luiz Inácio Lula da Silva. Tom constrangedor
O general Villas-Bôas e o ex-prefeito Haddad, representando o ex-comandante-em-chefe das Forças Armadas, Luiz Inácio Lula da Silva. Tom constrangedor

“Atendi ao convite do c.Geral do Exército, General Villas Boas, que está recebendo candidatos à presidente. Ótima conversa, na qual reafirmei a convicção do PCdoB de que as eleições debatam um novo projeto de desenvolvimento com valorização do trabalho, democracia e defesa da soberania nacional”, escreveu.

O militar, a despeito de um objetivo ainda não inteiramente esclarecido, tem convidado os principais candidatos ao Planalto para conversar sobre as ações que determinarão, caso eleitos, o destino das Forçar Armadas, conforme demanda o dever constitucional do presidente da República.

Precisava?

“Manuela D’Ávila fica devendo a seu eleitorado — não só, mas principalmente a seu eleitorado — uma explicação razoável para sua ‘ótima conversa’ com o general Villas Bôas. Manuela — um bem vindo sopro de renovação na esquerda brasileira — contou que atendeu ao convite e que aproveitou para reafirmar “a convicção do PCdoB” num novo projeto que envolve a “soberania nacional” (é confuso, mesmo)”, afirma o editor do site Diário do Centro do Mundo, Kiko Nogueira.

E a questiona:

“Precisava, Manuela?”

Intervenção

Pré-candidata a presidência, Manuela D’Ávila representa o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 

Para o também jornalista Fábio Lau, editor do site de notícias Conexão Jornalismo, “Manuela D’Ávila, embora se afirme candidata, não tem merecido dos líderes do partido a respeitabilidade que o representante da chapa mereça. Um dos casos flagrantes de personagens que ‘rifam’ sua condição de titular é o governador do Maranhão, Flávio Dino. Ele já se manifestou em mais de uma ocasião defendendo a candidatura de Ciro Gomes.

“Mas houve, nas redes sociais, que buscassem contemporizar lembrando que o general Villas Boas não é exatamente o mais radical dentre os militares que hoje tentam ampliar a participação no campo político — sem voto:

— O Villas Bôas não é de todo o pior nas forças armadas. Acho que um diálogo com ele é necessário mesmo. Acho que enquanto a esquerda não agir estrategicamente pensando nesses setores, seremos engolidos. Deixamos essa galera toda pra turminha da intervenção… — disse uma internauta.

Imperialista

E acrescenta, em uma Nota da Redação: “A assessoria quis fazer parecer que era um encontro para o chá das cinco. Mas, na prática, pareceu uma renúncia da candidata. Para este missiva, ela está renunciada”.

A repreensão pública por um encontro peculiar entre um possível comandante-em-chefe e seu possível comandado, para uma sabatina acerca dos interesses nacionais, continuou na matéria do jornalista Juan Chirioca, do site engajado Esquerda Diário:

“(…)O PCdoB avança na trilha à direita, querendo se mostrar como um gestor viável da miséria capitalista; se aliando com os golpistas que justamente atacaram e atacam o trabalho, a democracia e a soberania nacional, entregando todos os grandes recursos à iniciativa privada imperialista”, opina.

Comunista

“Manuela D’Ávila e o PCdoB parecem ter esquecido do golpe institucional em 2016, alias todos os manifestos assinados pelo PCdoB até com empresários e políticos de partidos burgueses, não falam uma linha sobre o golpe que implementou uma agenda anti trabalhadores, aprovando a reforma trabalhista, a PEC do Teto, a ampliação da terceirização.

“Esquecem da chantagem deste mesmo general quando ocorreu o julgamento de Lula. Não criticam que esta força sem voto esta virando uma ‘sabatinadora’ que todos tem que beijar a mão e ‘pedir benção’ para se candidatar. Difícil tarefa a de “valorizar o trabalho” de um hipotético governo do PCdoB junto com os golpistas que atacam os direitos dos trabalhadores”, acrescenta.

Em defesa da pré-candidata comunista, o professor Ricardo Moreno, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) ameniza o tom:

“Uma postagem de Manuela D’ávila cumprindo agenda de candidata a presidenciável em visita ao General Vilas Boas, comandante do exército, foi motivo de uma esquizofrénica de setores petistas que se apressaram em julgar o que chamaram de beija mão.

Interlocutores

“Ledo engano, se presidenta for, Manu chefiará o exército, e este convite tem sido feito a todos os candidatos. Marina, Alkimin, Ciro já se reuniram com Vilas Boas, e o candidato Lula foi representado por Hadadd. Cabe, então, saber até quando os ‘companheiros’ do PT seguirão sua sanha hegemonista, desrrespeitando as demais legendas e servindo a divisão do campo popular?”, questiona.

Para o também professor e jornalista Gilberto Maringoni, um dos líderes nacionais do PSOL, em um texto intitulado Em defesa de Manuela e Haddad, “ambos estão corretíssimos!”

“Em política séria não existe esse preconceito moral de não converso com fulano ou beltrano. O que importa é o papel do interlocutor, sua legitimidade, a pauta a ser tratada e a publicidade do evento.

“Com quantos e quantas interlocutores os dirigentes petistas não conversaram às escondidas?

“Como foram os contatos à sombra para a redação da Carta aos Brasileiros? Como foram escolhidos os 13 ministros do STF, a começar pelo orientando de Buzaid e Reale (Peluso)? Foram secretos e aí está o problema.

Pacto

“Manuela e Haddad fizeram a conversa com o comandante das FFAA às claras, com fotos e relatos. Há uma extensa pauta a ser tratada com um chefe militar dessa envergadura, a começar pela venda de ativos estratégicos – Embraer, pré-sal -, o desmonte do Estado e do ministério da Defesa, a intervenção no Rio e o próprio papel das armas.

“Independentemente da opinião de cada um, ninguém pode negar o peso que os militares têm, historicamente, na vida nacional.

“Conversar não quer dizer concordar. O pacto Ribbentrop-Molotov foi feito entre o país que buscava consolidar a revolução socialista e o alto comando do governo nazista. Não deveriam ter sentado juntos por alguma razão moral? Política não se faz com moralismos. Em geral falsos”, conclui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *