Enterro precoce de Bebianno não elimina risco de novos escândalos, afirmam parlamentares

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Publicado domingo, 15 de março de 2020 as 17:01, por: CdB

“Ex-braço direito de Bolsonaro, Gustavo Bebianno revelou que temia pela própria vida e deixou material contando tudo o que sabia até no exterior. O Brasil precisa saber a verdade!”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), nas redes sociais.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A morte súbita do ex-ministro Gustavo Bebianno, o rápido sepultamento e o silêncio do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), sem que fosse procedida a necrópsia prevista, na véspera, levantaram ainda mais suspeitas junto ao meio político nacional. Neste domingo, o senador Humberto Costa (PE-PT) confirmou sua desconfiança quanto ao possível envolvimento de Bolsonaro na morte do ex-secretário-geral da Presidência, em sua conta no Twitter.

Proteção

Bebianno foi enterrado em Teresópolis, onde fica o jazigo da família, menos de 24 horas depois de sua morte e sem necrópsia
Bebianno foi enterrado em Teresópolis, onde fica o jazigo da família, menos de 24 horas depois de sua morte e sem necrópsia

O petista publicou um vídeo em que Bebiano sugere que Bolsonaro, através de seus “amigos na polícia”, estaria tentando intimidá-lo, na esteira de seu desligamento do governo.

“Ex-braço direito de Bolsonaro, Gustavo Bebianno revelou que temia pela própria vida e deixou material contando tudo o que sabia até no exterior. O Brasil precisa saber a verdade!”, diz o tuíte de Costa que acompanha o vídeo. As imagens mostram uma entrevista que Bebianno concedeu a Rádio Jovem Pan, de São Paulo, em que ele diz se sentir ameaçado pelo presidente.

— A irresponsabilidade do presidente… o egoísmo dele são impressionantes. Ele acha que só ele tem filhos… só os filhos dele merecem proteção… eu tenho filhos também — desabafou Bebianno.

Ao ser questionado sobre se tomou alguma medida para se proteger, Bebianno afirmou que distribuiu material revelador disposto em quatro fitas a pessoas dentro e fora do Brasil. De acordo com o diário conservador paulistano O Estado de S.Paulo, o presidente estadual do PSDB do Rio, Paulo Marinho – que esteve em Teresópolis para o velório de Bebianno – revelou nesta manhã que o ex-secretário de Bolsonaro trabalhava num livro sobre os bastidores da campanha presidencial de 2018 pouco antes de falecer, na madrugada deste sábado.

Agressividade

Ex-coordenador da campanha eleitoral de Bolsonaro, Bebianno se desligou do governo semanas depois da posse do presidente. À época, o ex-secretário trocou farpas com o filho de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), conhecido como ’02′, a quem julgava intimidador. Em entrevista concedida também à JP em fevereiro do ano passado, Bebianno voltou a descrever o comportamento do 02.

— Carlos tem um nível de agressividade acima do normal. No Rio de Janeiro, ele é conhecido como ‘o destruidor de reputações’. Se você ouvir os próprios membros do PSL no Rio de Janeiro, muitas pessoas foram atacadas de forma muito forte, veemente e sem nenhum motivo, pelo Carlos — afirmou.

Na entrevista publicada por Humberto Costa, Bebianno descreve o que teria interpretado como uma ameaça de morte partida do próprio presidente Bolsonaro que, 24 horas após a morte do colaborador, ainda não havia se pronunciado.

— Uma vez o presidente Jair Bolsonaro disse que eu voltaria para as minhas origens… a verdadeira origem de todos nós é o cemitério… só muda a data. Então, morrer, pra mim, faz parte da vida. Eu não tenho nenhum problema com relação a isso. Então, se ele acha que eu tenho medo dele, ele está muito enganado — afirmou.

Hecatombe

Na esteira da morte que teria sido causada por um infarto fulminante, várias autoridades manifestaram pesar, em suas redes sociais, e prestaram solidariedade à família de Bebianno, incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RS) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ao comentar a morte de Bebianno, o senador Major Olímpio (PSL-SP), um dos líderes da bancada de apoio ao governo, acredita que ainda surgirão fatos novos sobre os atos do presidente Bolsonaro.

— Enganam-se os que acham que com sua morte a verdade que ele conhecia irá morrer. Vou dizer uma coisa: por mais agudas que tenham sido as manifestações que ele fez não fez todas e não disse tudo. Não tenho conhecimento de cartas, mas ele poupou Bolsonaro, poupou o Brasil. Se ele tivesse dito o que sabia, provavelmente teríamos uma hecatombe política no Brasil, de consequências piores — concluiu Olímpio.

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