Entregadores realizam paralisação mas resultado do movimento é dúbio

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Publicado quarta-feira, 1 de julho de 2020 as 12:53, por: CdB

Os entregadores de aplicativo realizaram diversas manifestações, por todo o país na manhã desta quarta-feira. É a primeira greve da categoria, em defesa de melhores condições de trabalho.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Os entregadores de aplicativo realizaram diversas manifestações, por todo o país na manhã desta quarta-feira. É a primeira greve da categoria, em defesa de melhores condições de trabalho. A hashtag #GreveDosApps já é um dos assuntos mais comentados do Twitter, Comboios, paralisações e bloqueios em centro de distribuições estão entre as ações registradas.

Em São Luís (MA), entregadores bloquearam faixas de uma das principais avenidas
Em São Luís (MA), entregadores bloquearam faixas de uma das principais avenidas

A principal demanda dos trabalhadores é o estabelecimento de um valor mínimo de R$ 2 por quilômetro rodado nas entregas. Eles também exigem o fim dos bloqueios injustificados nas plataformas, dentre outras reivindicações.

Em São Paulo, eles realizaram uma manifestação em frente ao Shopping Center 3, na Avenida Paulista. Os entregadores autônomos também conversaram com os colegas contratados pelos operadores logísticos, para conscientizar sobre as demandas da categoria. Outra manifestação ocorre no estacionamento do Shopping Center Norte, próximo à Marginal Tietê.

Eles também fecharam um galpão de distribuição da empresa Loggi, no bairro do Jaguaré, Zona Oeste da capital. “Jaguaré fechado. Enquanto não melhorarem nossas taxas de entrega, ninguém entra, ninguém sai”, diz um dos trabalhadores, em vídeo postado nas redes sociais. As atividades de outro galpão, na Vila Olímpia, também foram paralisadas.

Em Campinas, os entregadores estão mobilizados, apesar da chuva que caiu durante a madrugada e o início da manhã. “Um mais um é um milhão. Vamos parar geral.”

Pelo Brasil

Em Belo Horizonte, os entregadores realizaram manifestação em frente à Assembleia Legislativa.

Em Recife, os entregadores realizaram um “apitaço” na saída de um supermercado. Em São Luís, no Maranhão, os entregadores fizeram uma grande barreira no acostamento de uma das principais avenidas da cidade. “Não é mole, não. Aplicativo é só humilhação”, gritavam.

Os trabalhadores também realizaram manifestações em Goiânia e nos arredores de Brasília.

Boicote

Em apoio aos entregadores, influenciadores e demais consumidores defendem boicote aos aplicativos de delivery.

Entregador ‘é descartável para os aplicativos’

O líder do movimento dos Entregares Antifascistas, Paulo Roberto da Silva Lima, o Galo, afirma que as vidas dos ciclistas e motoboys que fazem os produtos chegarem aos consumidores não valem nada para os aplicativos. “O entregador é descartável. É como na música dos Racionais: o ser humano é descartável no Brasi.”

Em entrevista aos Jornalistas Livres, na terça-feira, Galo disse que para os aplicativos importa apenas o cliente. “Se tiver algum problema com o cliente, ele vai para o concorrente. Já com o entregador, tem outros dez para entrar no lugar dele.”

Na guerra pela concorrência, os aplicativos chegam a distribuir comida de graça para os clientes, na forma de cupons de desconto. A força do dinheiro é um dos fatores que dificultam a criação de um aplicativo autônomo, desenvolvido pelos próprios trabalhadores, que possa livrá-los da exploração, disse Galo. “Fico chateado, porque eles (os aplicativos) podiam dar comida para os entregadores também.”

CLT

Os entregadores antifascistas vão além: também querem que as plataformas de entrega arquem com vale-refeição para os trabalhadores. O objetivo final, segundo Galo, é fazer com que os aplicativos reconheçam o vínculo empregatício com os entregadores. “Nos não somos empreendedores. Somos força de trabalho.”

Em entrevista no Instagram, ao canal MeExplica, Galo afirmou que a luta pela CLT é a única coisa que protege os trabalhadores. “A luta dos entregadores deveria ser para aprimorar a CLT, e não para resgatá-la como era antes”, afirmou ele.

– É igual à democracia. Queríamos que a luta fosse para fazer chegar a democracia para todo mundo. E não ter que lutar para a democracia não acabar. Para ele, fascismo é quando apenas um pequeno grupo pode fazer política, enquanto esse direito é negado à maioria da população.

Galo lembrou que o ramo de entregas de alimentos e outros produtos existe há muito tempo. E os aplicativos não criaram nenhum emprego. Segundo ele, se for apenas para explorar os trabalhadores, essas plataformas perdem a razão de existir. “Os aplicativos tem que crescer protegendo os trabalhadores”.

Mais risco, menos dinheiro

Durante a pandemia de coronavírus, quando se tornaram ainda mais essenciais, os entregadores viram os rendimentos caírem. Pesquisa on-line realizada pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que 68,9% dos entregadores tiveram queda nos ganhos neste período.

Antes, 17% diziam ganhar em torno de um salário mínimo (R$ 1.045). Agora, são 34%. Por outro lado, caiu para 26,7% a proporção dos que afirmavam ganhar acima de dois salários mínimos. Antes da pandemia, eram mais da metade (51%).

Apoio dos consumidores

Para apoiar a greve, os entregadores defendem que as pessoas não peçam entrega de comida neste dia por meio das plataformas digitais. Os consumidores também podem ajudar avaliando negativamente os aplicativos nas lojas virtuais e divulgando a luta dos trabalhadores. “A gente está pedindo apoio de todo mundo. Mais respeito com o motoboy”, disse o entregador conhecido como Mineiro, em entrevista à repórter Lu Sodré, do Brasil de Fato.

 

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