Equipe de Saúde da Família melhora atenção a idosos no Rio

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Publicado segunda-feira, 18 de junho de 2018 as 16:54, por: CdB

 Acompanhamento por agentes de saúde e médicos fez a família identificar negligência e melhorar a qualidade de vida de idosa em comunidade Fluminense

Por Redação, com ACS – do Rio de Janeiro:

O trabalho de uma equipe do programa Saúde da Família foi importante meio para mudar a realidade vivida pela idosa Maria dos Santos*, de 93 anos, moradora do Salgueiro, comunidade localizada na zona norte da capital fluminense. Ela sofria negligência por parte do neto e da bisneta, que muitas vezes a deixavam o dia inteiro sozinha, mesmo tendo boa parte da visão prejudicada. Comunicada pela vizinha, a residente-médica e integrante da equipe de Saúde da Família na região, Victoria Mey, conta que uma queimadura sofrida por Maria foi o ponta pé inicial para a identificação e vigilância do caso.

Equipe de Saúde da Família melhora atenção a idosos no RJ

– Muitas vezes quando a gente tentava chamá-la para alguma consulta, ela alegava que não tinha ninguém para acompanhá-la até a clínica. E uma vez, fui acionada pela vizinha, porque ela tinha queimado a mão cozinhando para o neto e a bisneta, e aí fizemos uma visita. Na semana seguinte conversei sozinha com a idosa, e ela chorou muito, dizendo que se não fosse essa vizinha, ela não teria nenhum tipo de apoio – relatou a residente-médica.

A participação da equipe mudou a vida não só da idosa, mas também dos cuidadores. Segundo Mey, os familiares não tinham conhecimento do quanto aquilo estava prejudicando a bisavó. “Entrei em contato com os cuidadores e marquei uma visita na casa deles. E foi superbacana, eles se dando conta da violência que eles estavam causando dentro daquela casa. A gente teve uma resposta bem legal deles, alertando-os para uma maior vigilância no cuidado com essa idosa”, relatou.

Ainda de acordo com dados do Ministério da Saúde, em torno de 65% das violências ocorrem nas residências das pessoas, o grupo de agressores que mais se repete, nesses casos, é o de familiares. Segundo a Organização Mundial de Saúde: a violência contra a pessoa idosa consiste em ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando a integridade física e emocional da pessoa idosa, impedindo o desempenho de seu papel social.

Caso

De acordo com a coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa, Cristina Hoffman, o trabalho dos profissionais de saúde são fundamentais para identificar e permitir um maior detalhamento do caso. “É importante que as pessoas em geral e os profissionais, em especial, consigam identificar sinais que apontem a existência, a ocorrência de uma violência ou até mesmo a suspeita. A violência é um problema que muitas vezes não deixa marca visíveis. Então, é crucial na identificação dessas situações que a pessoa idosa possa estar vivendo”.

A coordenadora ainda destacou, que é preciso que todos prestem atenção à mudanças de comportamentos, à algumas manchas e marcas que as vezes não tem uma explicação lógica. “A gente não pode naturalizar essa questão, e é um compromisso de toda a sociedade no geral de estar atento para que possamos mudar esse cenário” finalizou.

Notificar para agir

A notificação compulsória de violências é um instrumento de vigilância que identifica e qualifica os casos suspeitos ou confirmados de agressão que são atendidos na rede pública de saúde com o objetivo de implementar políticas públicas de atenção às vítimas.

O Ministério da Saúde tem a ficha de notificação Compulsória para registro de violência e suspeita. A ficha é um instrumento de grande importância, a ser preenchido por todos os profissionais que atuam diretamente com os idosos. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/ficha_notificacao_violencia_domestica.pdf
Instaurado em 2003, na forma da lei Nº 10.741 e alterada pela lei nº 12.461, de 2011, o estatuto do idoso prevê que os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como serão obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos seguintes órgãos: autoridade policial; Ministério Público; Conselho Municipal, Estadual ou Nacional do Idoso.

Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde lançou a Estratégia Nacional para o Envelhecimento Saudável, que trouxe pela primeira vez orientações aos profissionais de saúde e gestores para aumentar a qualidade de vida dessa população, que vai representar cerca de 20% dos brasileiros em 2030. Com as novas medidas, o atendimento às pessoas com 60 anos ou mais deve priorizar avaliação funcional e psicossocial, além dos dados clínicos. O objetivo é reduzir a perda da autonomia, aumentar o desempenho cognitivo e a sobrevida desses pacientes.

Entre as novidades anunciadas está, por exemplo, a implementação do atendimento multidimensional em que o foco deixa de ser apenas na doença. O cuidado passa a ser orientado pela avaliação clínica, psicossocial e funcional, o que permitirá identificar as reais necessidades de cada caso. Assim, o acompanhamento desses pacientes será norteado a partir de um projeto terapêutico individual, com ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, tratamentos, reabilitação e cuidados paliativos.

Com as novas diretrizes, o profissional deverá levar em consideração, por exemplo, o nível de independência e autonomia para atividades cotidianas, as necessidades de adaptação ou supervisão de terceiros, a vulnerabilidade social e o estilo de vida das pessoas idosas, como alimentação, prática de exercícios, prevenção de quedas, hábitos de saúde e histórico clínico.

O atendimento deve ser feito por meio da Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS, em uma das 41.688 Unidades Básicas de Saúde distribuídas por todo o Brasil. Quando for necessário, o paciente será encaminhado a unidades especializadas de saúde.

Política de saúde do idoso

Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde lançou a Estratégia Nacional para o Envelhecimento Saudável, que trouxe pela primeira vez orientações aos profissionais de saúde e gestores para aumentar a qualidade de vida dessa população, que vai representar cerca de 20% dos brasileiros em 2030. Com as novas medidas, o atendimento às pessoas com 60 anos ou mais deve priorizar avaliação funcional e psicossocial, além dos dados clínicos. O objetivo é reduzir a perda da autonomia, aumentar o desempenho cognitivo e a sobrevida desses pacientes.

Entre as novidades anunciadas está, por exemplo, a implementação do atendimento multidimensional em que o foco deixa de ser apenas na doença. O cuidado passa a ser orientado pela avaliação clínica, psicossocial e funcional, o que permitirá identificar as reais necessidades de cada caso. Assim, o acompanhamento desses pacientes será norteado a partir de um projeto terapêutico individual, com ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, tratamentos, reabilitação e cuidados paliativos.

Com as novas diretrizes, o profissional deverá levar em consideração, por exemplo, o nível de independência e autonomia para atividades cotidianas, as necessidades de adaptação ou supervisão de terceiros, a vulnerabilidade social e o estilo de vida das pessoas idosas, como alimentação, prática de exercícios, prevenção de quedas, hábitos de saúde e histórico clínico.

O atendimento deve ser feito por meio da Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS, em uma das 41.688 Unidades Básicas de Saúde distribuídas por todo o Brasil. Quando for necessário, o paciente será encaminhado a unidades especializadas de saúde.

Saiba como denunciar

O que fazer quando suspeitar que uma pessoa idosa está sendo vítima de violência?

Quando possível, deve-se conversar com o idoso e, se confirmada a situação de violência ou persistir a suspeita, comunicar ao Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia de Polícia. Esses órgãos são os responsáveis por desencadear as medidas protetivas e de responsabilização. Nos serviços de saúde será realizada a notificação compulsória da violência e acionada a rede de atenção e proteção para o acompanhamento do caso.

Caso eu seja uma pessoa idosa vítima de violência, como proceder?

Procure uma pessoa em que confie, fale sobre o que está acontecendo e peça ajuda a um profissional de saúde de uma unidade perto de sua casa, ou busque o Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia do Idoso. É importante que os profissionais, familiares e cuidadores fiquem atentos à violência contra a pessoa idosa, pois nem sempre ela deixa marcas visíveis, ainda que seja constante. Além disso, pode resultar em lesões e traumas que levem à internação hospitalar ou ao óbito.

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