Escola islâmica na Holanda sofre incêndio suspeito

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Publicado quarta-feira, 10 de novembro de 2004 as 19:08, por: CdB

Uma escola islâmica na Holanda sofreu um incêndio suspeito na cidade holandesa de Uden, no mais recente incidente de uma série envolvendo prédios cristãos e muçulmanos no país.

Na cidade de Haia, três policiais holandeses foram feridos por uma explosão durante uma investigação na casa de suspeitos de envolvimento em “atividade terrorista”.

Os incidentes na Holanda começaram depois do assassinato na semana passada do cineasta holandês Theo van Gogh, que fez um filme criticando a maneira como as mulheres são tratadas nas sociedades islâmicas.

A escola de Uden teve suas paredes pixadas com os dizeres “Theo, descanse em paz”, em uma referência ao cineasta, que teria sido vítima de um militante islâmico.

O incêndio não deixou feridos, mas o edifício em que a escola se situa sofreu sérios estragos.

O prefeito de Uden, Joke Kersten, afirmou que o incêndio tinha todos os sinais de que era criminoso. “Uma escola não pega fogo espontanemante”, disse o prefeito.

Vandalismo

Desde o assassinato de Theo Van Gogh, diversas escolas têm sido alvo de vandalismo e de tentativas frustradas de incêndios criminosos.

O prefeito da cidade de Eindhoven exigiu que a segurança seja reforçada em mesquitas e escolas islâmicas da cidade, após uma bomba islâmica ter causado graves estragos em um colégio na segunda-feira.

O enterro do diretor de cinema de 47 anos foi realizado na terça-feira na capital holandesa, Amsterdã.

O polêmico longa-metragem de Van Gogh retratava a violência doméstica na sociedade muçulmana e exibia imagens de versos do Corão escritos no corpo de uma mulher seminua.

Diversos militantes islâmicos foram presos por suspeita de envolvimento no assassinato do diretor. O principal suspeito de assassinato é um homem de origem holandesa-marroquina, Mohammed Bouyeri, de 26 anos.

Van Gogh recebeu disparos e foi esfaqueado quando pedalava para o trabalho em plena luz do dia em uma rua de Amsterdã.

Segundo o pai do cineasta, seu filho teria lamentado os ataques contra alvos muçulmanos. A mãe do diretor comentou que “teme pelo futuro”.