Escultor Jorge Oteiza morre aos 94 anos

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Publicado quarta-feira, 9 de abril de 2003 as 15:46, por: CdB

O artista Jorge Oteiza, considerado um dos grandes escultores espanhóis do século 20, morreu nesta quarta-feira aos 94 anos numa clínica de San Sebastián, de pneumonia.

De passagem pelo Brasil em 1957, quando conheceu Franz Weissmann, o artista recebeu o Grande Prêmio Internacional de Escultura da 4ª Bienal de São Paulo.

Oteiza, cuja saúde vinha se deteriorando nos últimos tempos, estava internado desde o final de janeiro e morreu às 7h da manhã desta quarta-feira. Ele sofria de problemas respiratórios graves e, antes de morrer, entrou em coma.

Visto por muitos como o patriarca da arte basca, ao lado de Eduardo Chillida (que também morreu recentemente), Oteiza nasceu em Orio, Guipúzcoa, em 1908.

Rebelde, prolífico e donos de múltiplos talentos, Oteiza doou seus trabalhos à região de Navarra, onde em 1996 foi criada a fundação que hoje leva seu nome, com sede em Alzuza, cidade na qual está exposta praticamente toda sua obra.

“Ultrapassando nossas fronteiras, Oteiza e sua obra influíram sobre as vanguardas artísticas da segunda metade do século, valendo a ele a reputação de artista engajado com a experimentação e o papel transformador da arte na sociedade”, disse a Fundação Jorge Oteiza em seu Web site.

Nos últimos anos de sua trajetória, o trabalho do escultor se aproximou da arquitetura. Mas ele começou por adotar as normas dos construtivistas russos.

Entre suas obras mais representativas figuram “La ola”, que está no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, e “Piedad”, instalada numa rua de San Sebastián.

A Fundação Príncipe de Astúrias, que concedeu seu prêmio a Oteiza em 1988, lamentou a morte de “um artista singular”, fiel à linguagem de vanguarda.

“Por sua escultura, seus ensaios de arte, estética e antropologia, sua obra poética e sua busca constante por novas perspectivas para a integração e a redefinição das artes, a vida de Oteiza é um exemplo de paixão criativa”, assinalou a fundação, em comunicado à imprensa.

Além do Príncipe de Astúrias, Oteiza recebeu vários outros prêmios, entre eles a Medalha de Ouro das Belas Artes, em 1988.