Especialistas reduzem chances de crescimento da Alemanha

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Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2019 as 12:02, por: CdB

Os institutos também pediram ao governo de coalizão da chanceler Angela Merkel que abandone sua política orçamentária de não adquirir novas dívidas caso as perspectivas de crescimento se deteriorem.

Por Redação, com Reuters – de Berlim

Os principais institutos econômicos da Alemanha reduziram nesta quarta-feira suas previsões de crescimento da maior economia da Europa para este ano e o próximo, culpando a demanda global mais fraca por produtos manufaturados e o aumento da incerteza empresarial relacionada a disputas comerciais.

As revisões, que alimentam as previsões do próprio governo, refletem crescentes temores de que uma desaceleração na Alemanha, provocada pela recessão no setor manufatureiro, dependente da exportação, possa prejudicar toda a economia da zona do euro.

Analistas pedem que Angela Merkel que abandone sua política orçamentária de não adquirir novas dívidas caso as perspectivas de crescimento se deteriorem
Analistas pedem que Merkel abandone política orçamentária de não adquirir novas dívidas caso as perspectivas de crescimento caiam

Os institutos também pediram ao governo de coalizão da chanceler Angela Merkel que abandone sua política orçamentária de não adquirir novas dívidas caso as perspectivas de crescimento se deteriorem.

A poderosa associação industrial BDI aprovou os esforços dos institutos e solicitou um programa de investimentos públicos substancial em educação, proteção climática e infraestrutura.

Contudo, o ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, disse que não há crise econômica e, portanto, não existe a necessidade de renunciar à política orçamentária de evitar novas dívidas. Em vez disso, o governo deve ajudar as empresas com redução de impostos e contribuições para o sistema de seguridade social, acrescentou.

Os institutos disseram esperar que a economia alemã cresça 0,5% este ano e 1,1% em 2020. As revisões ficaram abaixo das estimativas de abril, de 0,8% e 1,8%, respectivamente.

Para 2021, os institutos prevêem uma recuperação leve, com expansão econômica de 1,4%. O governo publicará suas próprias previsões para o crescimento em 17 de outubro. Em abril, estimou um crescimento de 0,5% para 2019 e 1,5% para 2020.

Injeção de bilhões de dólares

A Alemanha pode combater uma possível crise econômica injetando “muitos bilhões de euros” na economia, disse o ministro das Finanças do país, Olaf Scholz, em setembro, sinalizando sua disposição para um grande pacote de estímulos se a economia entrar em recessão.

Falando aos parlamentares no debate sobre o orçamento geral da Câmara dos Deputados do Bundestag, Scholz disse que Berlim tem se apoiado em seu sólido planejamento orçamentário e sua política de não assumir novas dívidas para poder fazer mais em caso de crise.

– Porque, então, será muito importante para nós, como a maior economia da União Europeia, sermos capazes de combater uma tendência econômica negativa – afirmou Scholz.

– E, do meu ponto de vista, portanto, com as sólidas fundações financeiras que temos hoje, estamos em condições de combater uma crise econômica com muitos bilhões de euros, se (uma crise) realmente eclodir na Alemanha e na Europa – afirmou Scholz.

Recessão técnica

A economia da Alemanha contraiu 0,1% em relação ao trimestre anterior, e alguns dados fracos desde então têm alimentado preocupações de que a economia possa entrar em recessão no período de julho a setembro. Os economistas geralmente definem uma recessão técnica como pelo menos dois quartos consecutivos de contração.

Os contratos de bens produzidos na Alemanha caíram em julho 2,7% em relação ao mês anterior puxados por uma grande queda nas encomendas de países que não pertencem à zona do euro, informou o Ministério da Economia.

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