Especialistas são cautelosos sobre a erradicação da pneumonia atípica

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Publicado quarta-feira, 18 de junho de 2003 as 10:02, por: CdB

Especialistas reunidos numa conferência internacional sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) disseram que será difícil que o vírus da doença seja erradicado.

Cerca de mil pesquisadores da área médica, representantes de governos e de organizações internacionais estão participando do encontro em Kuala Lumpur, na Malásia.

Durante o encontro, eles têm discutido também a possível origem do vírus da Sars, que matou cerca de 800 pessoas, principalmente no sudeste da Ásia.

Um especialista em veterinária australiano, Hume Field, disse à agência de notícias Associated Press que “a erradicação do vírus é altamente improvável”.

Vírus antigo

– Parece que o vírus é muito antigo. Dessa forma, eu não acho que erradicação ou controle do animal-vetor é a questão. A questão é evitar a exposição (ao agente).

O consultor de padrões de infecção da OMS (Organização Mundial de Saúde) Nigel Gay afirmou que a atual variedade do vírus Corona, que causa a doença, pode ser erradicada – mas disse que um novo surto poderia ocorrer no futuro.

Nesta segunda-feira, a OMS suspendeu a advertência para que viajantes não visitassem a ilha de Taiwan, a fim de evitar risco de contágio, e declarou que a epidemia está sendo contida.

Durante o encontro a diretora-geral da OMS, Gro Harlem Brundtland, “na melhor das hipóteses, poderemos ver o desaparecimento da Sars”.

– No entanto, não sabemos se a doença irá reaparecer no mundo animal e atacar humanos novamente – disse.

Um diretor da OMS, David Heymann, também disse durante a conferência que ainda não se sabe ao certo a origem do vírus da Sars.

Ele explicou que uma das teorias envolve o almiscareiro – animal do qual é extraído o almíscar (substância usada nas indústrias farmacêutica e de perfumaria), que por sua vez pode ter contaminado os humanos.

– O almiscareiro pode ter sido acidentalmente contaminado em um mercado, em que tenha sido mantido em cativeiro com outros animais – disse.

– Há muitas, muitas possibilidades. Ou talvez o almiscareiro tenha se transformado num vetor do vírus ao entrar em contato com algo em seu habitat.

– É possível que tenha ocorrido da forma contrária: se fezes humanas continham o vírus e um animal entrou em contato com essas fezes, ele pode ter se contaminado.

Alerta

Outros participantes do encontro disseram que a epidemia de Sars pode ter um efeito positivo, caso ela possa servir para aumentar a conscientização dos governos quanto à necessidade de investir mais na saúde pública.

– Eu acho que a Sars foi um bom sinal de alerta. Ela alertou as pessoas quanto às fraquezas (do sistema de saúde), irá nos ajudar a planejar melhor para a próxima vez – disse Alan Schnur, um representante da OMS na China ouvido pela agência de notícias France Presse.

Dan Rutz, representante do Centro para Controle de Doenças e Prevenção de Atlanta, nos Estados Unidos, disse que a epidemia de Sars provou que “as doenças infecciosas estão aqui para ficar”.

– Não podemos ser complacentes e fingir que a Sars vai embora para sempre. Novas doenças virão e nós precisamos ficar vigilantes.