Espírito Santo tem 16 municípios em situação de emergência

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Publicado quinta-feira, 30 de janeiro de 2020 as 14:07, por: CdB

Com o reconhecimento federal da gravidade da situação, os gestores municipais podem contratar serviços temporários e efetuar compras consideradas essenciais sem a obrigação de realizar processo licitatório.

Por Redação, com ABr – de Brasília

O governo federal reconheceu nesta quinta-feira a situação de emergência em 16 municípios do Espírito Santo e de calamidade pública em mais dois. O reconhecimento federal, que facilita o acesso das prefeituras a recursos federais para ações assistenciais e de restabelecimento de serviços essenciais, ocorre no mesmo dia em que o governo do Estado reduziu de alerta máximo para estado de observação o nível de prontidão da Defesa Civil.

O governo federal reconheceu a situação de emergência em 16 municípios do Espírito Santo
O governo federal reconheceu a situação de emergência em 16 municípios do Espírito Santo

Com as duas portarias que o Ministério do Desenvolvimento Regional publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira, sobe para 22 o total de municípios capixabas onde o governo federal admite que as chuvas que atingem parte da Região Sudeste desde o último dia 17 podem causar, ou já estão provocando, danos à saúde da população e prejuízos à prestação dos serviços públicos.

Na Portaria nº 189, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério do Desenvolvimento Regional reconhece a situação de emergência nas cidades de Alegre, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Cachoeiro do Itapemirim, Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Guaçuí, Ibitirama, Irupi, Jerônimo Monteiro, Mimoso do Sul, Muniz Freire, São José do Calçado, Domingo Martins e Marechal Floriano.

Já na Portaria nº 190, é reconhecido o estado de calamidade pública em Conceição de Castelo e Iúna. Antes, a secretaria nacional tinha reconhecido o estado de calamidade pública em Alfredo Chaves; Iconha; Rio Novo do Sul e Vargem Alta.

Mais grave que a emergência, o estado de calamidade pública é decretado quando há prejuízos efetivos para os serviços públicos e para a saúde humana. Com o reconhecimento federal da gravidade da situação, os gestores municipais podem contratar serviços temporários e efetuar compras consideradas essenciais sem a obrigação de realizar processo licitatório.

O reconhecimento federal também permite às prefeituras pedir recursos da União para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução. Além disso, os moradores de áreas afetadas diretamente prejudicados podem acessar mais facilmente alguns benefícios sociais e auxílios, inclusive financeiros, oferecidos pelos governos municipais, estaduais e federais.

Observação

Nesta manhã, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Espírito Santo reduziu de alerta máximo para nível de observação o plano de emprego da Defesa Civil estadual. No nível de observação, o risco de inundações, enxurradas e deslizamentos de terra é considerado moderado, enquanto, no grau de alerta, o risco é classificado de alto a muito alto. Segundo a assessoria do órgão, a decisão se deve ao fato de os boletins das agências de meteorologia indicarem menor probabilidade de chuva.

Em boletim divulgado hoje, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastre Natural (Cemaden) diz que é alta “a possibilidade de eventos hidrológicos em todo o Espírito Santo, devido aos altos acumulados dos últimos dias, à continuidade de chuvas previstas para a região e à tendência de alta dos rios das bacias do rios Doce e Itapemirim. Segundo o Cemaden, é possível haver condições para continuidade da chuva nos próximos dois dias em toda a Região Sudeste.

Em todo o Espírito Santo, as chuvas das últimas duas semanas forçaram 14.765 pessoas a deixar suas casas. De acordo com a Secretaria estadual da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), 12.735 pessoas esão desalojadas, ou seja, tiveram que deixar suas casas e se abrigar na casa de parentes, amigos ou outras opções temporárias, e 2.030 pessoas ficaram desabrigadas, tendo que se acomodar das provisoriamente em abrigos públicos, improvisados, na maioria dos casos, em escolas ou igrejas. Nove mortes em função das consequências das chuvas foram registradas: quatro em Iconha; três em Alfredo Chaves; uma em Iúna e uma em Conceição do Castelo.

Volume de chuvas em Belo Horizonte

Faltando dois dias para o fim do mês, janeiro de 2020 pode ser classificado como o mês em que mais choveu em Belo Horizonte ao longo dos últimos 110 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até as 9 h de quarta-feira, choveu 932,3 milímetros (mm) na capital mineira. É o maior volume acumulado para o período, em toda a série histórica, iniciada em 1910.

Segundo o meteorologista do Inmet, Olívio Bahia do Sacramento Neto, o volume acumulado ainda não é o maior registrado no estado. Isso porque, em janeiro de 1991, a estação de Águas Claras registrou um total de 998,7 mm. Além disso, em 1961, em Montes Claros, foi registrada uma precipitação mensal de 956,6 mm.

A ressalva, contudo, é que os dois maiores resultados dizem respeito aos totais registrados no fim dos respectivos meses de janeiro e, faltando ainda dois dias para janeiro acabar, a previsão é de mais chuva pelos próximos dias.

– É uma diferença muito pequena, principalmente em relação ao total registrado em Montes Claros, em 1961. Uma pancada de chuva mais forte pode superar esta diferença – disse Neto à Agência Brasil, lembrando que, na semana passada, em apenas 24 horas, choveu o equivalente a 172 mm em Belo Horizonte.

A previsão do próprio Inmet é de que o céu continue nublado, com chances de pancadas de chuva e trovoadas em boa parte de Minas Gerais. A Zona de Convergência do Atlântico Sul, fenômeno que está favorecendo as condições para a ocorrência de temporais no estado começa a perder força. Por isso, são esperadas chuvas menos intensas nas regiões norte e leste de Minas, embora a precipitação possa se intensificar nas regiões oeste e sul do Estado.

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