Estados Unidos fazem as pazes com o Talebã a um custo muito alto

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Publicado sábado, 29 de fevereiro de 2020 as 15:54, por: CdB

O acordo foi assinado em Doha, capital do Catar, pelo enviado especial dos EUA Zalmay Khalilzad e pelo chefe político do Talebã, Mullah Abdul Ghani Baradar. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, esteve presente para testemunhar a cerimônia.

Por Redação, com agências internacionais – de Cabul e Doha

Os Estados Unidos assinaram um acordo com os insurgentes do Talebã neste sábado que pode abrir caminho para uma retirada total de soldados estrangeiros do Afeganistão nos próximos 14 meses e representar um passo em direção ao fim da guerra de 18 anos no país, que teve um custo superior a US$ 6 trilhões. Embora o acordo crie um caminho para que os Estados Unidos se retirem gradualmente de sua guerra mais longa e dispendiosa, muitos esperam que as negociações entre os lados afegãos sejam muito mais complicadas.

O acordo foi assinado em Doha, capital do Catar, pelo enviado especial dos EUA Zalmay Khalilzad e pelo chefe político do Talebã, Mullah Abdul Ghani Baradar
O acordo foi assinado em Doha, capital do Catar, pelo enviado especial dos EUA Zalmay Khalilzad e pelo chefe político do Talebã, Mullah Abdul Ghani Baradar

O acordo foi assinado em Doha, capital do Catar, pelo enviado especial dos EUA Zalmay Khalilzad e pelo chefe político do Talebã, Mullah Abdul Ghani Baradar. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, esteve presente para testemunhar a cerimônia. O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que, embora o acordo seja um bom passo, o caminho a seguir não será fácil.

— Este é um momento de esperança, mas é apenas o começo. O caminho a seguir não será fácil. Alcançar uma paz duradoura no Afeganistão exigirá paciência e compromisso entre todas as partes — disse Esper, que se encontrou com o presidente afegão, Ashraf Ghani, em Cabul, onde eles anunciaram uma declaração conjunta paralela ao acordo EUA-Talebã.

Trump

Os Estados Unidos disseram que estão comprometidos em reduzir o número de suas tropas no Afeganistão para 8,6 mil — do número atual de 13 mil — dentro de 135 dias após a assinatura do acordo e que estão trabalhando com seus aliados para reduzir proporcionalmente o número de coalizões no Afeganistão durante esse período, se os talebãs cumprirem seus compromissos.

“Uma retirada total de todas as forças dos EUA e da coalizão ocorrerá dentro de 14 meses após a assinatura do acordo, se o Talebã se mantiver no acordo”, disse o comunicado conjunto. Para o presidente dos EUA, Donald Trump, o acordo de Doha representa uma chance de cumprir sua promessa de trazer as tropas dos EUA para casa.

Mas especialistas em segurança também o chamaram de aposta na política externa que daria legitimidade internacional ao Talebã.

“Hoje é um dia monumental para o Afeganistão” disse a embaixada dos EUA, em Cabul, no Twitter. “Trata-se de fazer a paz e criar um futuro melhor e comum. Estamos com o Afeganistão.”

Apoio

Ghani disse esperar que o acordo de Doha abra caminho para uma paz duradoura.

— Esperamos que a paz entre EUA e Talibã leve a um cessar-fogo permanente… O país está ansioso por um cessar-fogo completo — disse ele em entrevista coletiva em Cabul.

O governo afegão disse estar pronto para negociar e concluir um cessar-fogo com o Taleban e afirmou seu apoio à retirada gradual das forças dos EUA e da coalizão, sujeita ao cumprimento pelo Talebã de seus compromissos.

Cessar-fogo

O Talebã, por sua vez, disse em nota que os líderes do grupo já ordenaram o fim das hostilidades contra as forças norte-americanas.

“Hoje todos os combatentes do Talebã têm ordens para se absterem de qualquer forma de ataque (…) para a felicidade da nação”, declarou Zabiullah Mujahid, porta-voz do grupo, segundo a agência inglesa de notícias Reuters.

As negociações com o Talebã também deverão trazer a troca de prisioneiros.

Em 2001, após os atentados terroristas de 11 de setembro desse ano, os EUA, sob o governo de George Walter Bush, iniciou uma campanha militar contra o Talebã no Afeganistão. Desde então, Washington manteve tropas no país na tentativa de destruir o grupo e fortalecer o governo afegão.

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